Após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informar que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro avançou 0,6% no terceiro trimestre, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgou nota técnica na qual afirma que a desaceleração da economia ficou para trás.

(Foto: Daniel Isaia/Agência Brasil)

 

De acordo com o documento, a melhora nas expectativas de consumidores e empresários é fruto de ações de austeridade fiscal e medidas estruturais que corrigem a má alocação de recursos, como a alteração na forma de saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

“Os efeitos dessas medidas se propagarão para 2020 e o PIB do setor privado continuará acelerando, confirmando um crescimento substancialmente superior ao observado nos últimos anos”, afirma.

A secretaria menciona a aprovação da reforma da Previdência entre as medidas que melhoraram a percepção dos agentes econômicos e levaram a um ganho nos indicadores a partir de agosto.

“A economia brasileira saiu do ‘fundo do poço’, com inflação sob controle e juros baixos”, diz o documento.
O presidente Jair Bolsonaro comemorou o resultado. Em discurso, durante Fórum de Controle no Combate à Corrupção, ele disse que o crescimento do terceiro trimestre veio acima do projetado pelos analistas econômicos, o que prova a tendência de retomada do crescimento.

“Algo inesperado para os analistas econômicos, mas, da nossa parte, sabíamos que viria uma boa noticia. E ela veio em uma boa hora. A nossa equipe econômica diz que a previsão para o próximo trimestre é crescer. O Brasil está crescendo”, afirmou.

A projeção feita pela agência Bloomberg, por exemplo, estimava uma alta de 0,4%.

No evento, o presidente disse que a informação ainda não havia sido divulgada pelos veículos de imprensa, mas ela já havia sido publicada uma hora antes pela Folha de S.Paulo.

O avanço do PIB continua puxado pelo consumo das famílias, que representa quase dois terços e cresceu 0,8% na comparação trimestral. Os investimentos das empresas (formação bruta de capital fixo) avançaram 2,0%. O consumo do governo recuou 0,4%.

Apesar do resultado do período, a taxa trimestral ainda está 3,6% abaixo do pico da série, atingido no primeiro trimestre de 2014. A indústria teve alta de 0,8%. A indústria de transformação, por outro lado, teve nova queda, de 1%. A agropecuária cresceu 1,3%, e os serviços, 0,4%.

No período, as exportações caíram 2,8% enquanto as importações aumentaram 2,9% na comparação com o trimestre anterior.

Em sua nota, a secretaria de Política Econômica ponderou que, apesar do indicador positivo, há redução da balança comercial do Brasil, dado o ambiente interacional de incerteza, principalmente pela guerra comercial entre EUA e China.