O dólar engatou queda nos negócios da tarde ante o real, após operar em alta a maior parte da manhã, com o Brasil descolado de outros emergentes. A moeda americana ampliou o ritmo de baixa no mercado internacional em meio ao otimismo com balanços corporativos, ajudado pelos bom balanço trimestral do JPMorgan, dados comportados de inflação nos Estados Unidos e números acima do esperado da balança comercial da China, deixando as notícias sobre o avanço do coronavírus em segundo plano. No noticiário local, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu que a reforma tributária deve começar a ser discutida na casa a partir de amanhã (15), o que fez a moeda americana acelerar o ritmo de queda. O dólar no mercado à vista fechou em baixa de 0,73%, cotado em R$ 5,3490.

No mercado doméstico, operadores relataram persistência no fluxo de saída de capital externo, em meio à decepção com a retomada da atividade e o cenário político no radar, o que ajudou a pressionar o câmbio mais cedo, fazendo o real destoar de seus pares em mercados emergentes. A corretora Correparti comenta que houve saída ao redor dos US$ 500 milhões apenas hoje mais cedo, levando o dólar às máximas do dia, na casa dos R$ 5,45.


O Índice de Atividade (IBC-Br) calculado pelo Banco Central cresceu menos que o esperado em maio, avançando apenas 1,31%. “A melhora do IBC-Br foi modesta. O caminho para a recuperação da atividade será longo e difícil”, avalia o economista para a América Latina da consultoria inglesa Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia. O dado sinaliza que haverá novo corte de juros em agosto, de 0,25 ponto porcentual, comenta ele, o que ajuda a pressionar ainda mais o câmbio.

A declaração de Maia sobre a volta à pauta da reforma tributária é o que investidores querem ouvir. “Reformas estruturais são o único caminho para o Brasil pós-pandemia” avalia a consultoria internacional TS Lombard, destacando que a volta das discussões sobre a tributária no Congresso deve também fazer com que o ministério da Economia priorize o tema. O fato de Jair Bolsonaro ter conseguido construir uma coalização entre deputados, via aliança com partidos do Centrão, deve contribuir para o avanço da agenda, avalia a TS Lombard.

No mercado internacional, a moeda americana chegou a subir ante divisas fortes, mas também virou à tarde e ampliou a queda nos emergentes, recuando 1,22% no México e 0,61% na África do Sul. O analista de mercados do Western Union, banco especializado em transferências internacionais de recursos, Joe Manimbo, ressalta que o fortalecimento do euro, que atingiu as máximas em um mês, em meio ao otimismo com a recuperação da atividade econômica europeia e a criação de um fundo bilionário, ajudou a enfraquecer ainda mais o dólar.

Números do mercado financeiro:

DÓLAR
compra/venda
Câmbio livre BC – R$ 5,4282 / R$ 5,4288 **
Câmbio livre mercado – R$ 5,346 / R$ 5,348 *
Turismo – R$ 5,010 / R$ 5,650

(*) cotação média do mercado
(**) cotação do Banco Central

Variação do câmbio livre mercado
no dia: -0,770%

OURO BM&F
R$ 307,70

BOLSAS
Bovespa (Ibovespa)
Variação: 1,77%
Pontos: 100.440
Volume financeiro: R$ 27,530 bilhões
Maiores altas: Vale ON (7,03%), Bradespar PN (6,74%), Ultrapar ON (6,44%)
Maiores baixas: Cemig PN (-2,23%), Lojas Renner ON (-2,01%), Qualicorp ON (-1,98%)

S&P 500 (Nova York): 1,34%
Dow Jones (Nova York): 2,13%
Nasdaq (Nova York): 0,94%
CAC 40 (Paris): -0,96%
Dax 30 (Frankfurt): -0,80%
Financial 100 (Londres): 0,06%
Nikkei 225 (Tóquio): -0,87%
Hang Seng (Hong Kong): -1,14%
Shanghai Composite (Xangai): -0,83%
CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,95%
Merval (Buenos Aires): 1,77%
IPC (México): -0,55%

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA/IBGE
Fevereiro 2019: 0,43%
Março 2019: 0,75%
Abril 2019: 0,57%
Maio 2019: 0,13%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,19%
Agosto 2019: 0,11%
Setembro 2019: -0,04%
Outubro 2019: 0,10%
Novembro 2019: 0,51%
Dezembro 2019: 1,15%
Janeiro 2020: 0,21%
Fevereiro 2020: 0,25%
Marco 2020: 0,07%
Abril 2020: -0,31%
Maio 2020: -0,38%
Junho 2020: 0,26%

INPC/IBGE
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 0,77%
Abril 2019: 0,60%
Maio 2019: 0,15%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,10%
Agosto 2019: 0,12%
Setembro 2019: -0,05%
Outubro 2019: 0,04%
Novembro 2019: 0,54%
Dezembro 2019: 1,22%
Janeiro 2020: 0,19%
Fevereiro 2020: 0,17%
Março 2020: 0,18%
Abril 2020: -0,23%
Maio 2020: -0,25%
Junho 2020: 0,30%

IPC/Fipe
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 051%
Abril 2019: 0,29%
Maio 2019: -0,02%
Junho 2019: 0,15%
Julho 2019: 0,14%
Agosto 2019: 0,33%
Setembro 2019: 0,00%
Outubro 2019: 0,16%
Novembro 2019: 0,68%
Dezembro 2019: 0,94%
Janeiro 2020: 0,29%
Fevereiro 2020: 0,11%
Março 2020: 0,10%
Abril 2020: -0,30%
Maio 2020: -0,24%
Junho 2020: 0,39%

IGP-M/FGV
Fevereiro 2019: 0,88%
Março 2019: 1,26%
Abril 2019: 0,92%
Maio 2019: 0,45%
Junho 2019: 0,80%
Julho 2019: 0,40%
Agosto 2019: -0,67%
Setembro 2019: -0,01%
Outubro 2019: 0,68%
Novembro 2019: 0,30%
Dezembro 2019: 2,09%
Janeiro 2020: 0,48%
Fevereiro 2020: -0,04%
Março 2020: 1,24%
Abril 2020: 0,80%
Maio 2020: 0,28%
Junho 2020: 1,56%

IGP-DI/FGV
Fevereiro 2019: 1,25%
Março 2019: 1,07%
Abril 2019: 0,90%
Maio 2019: 0,40%
Junho 2019: 0,63%
Julho 2019: -0,01%
Agosto 2019: -0,51%
Setembro 2019: 0,50%
Outubro 2019: 0,55%
Novembro 2019: 0,85%
Dezembro 2019: 1,74%
Janeiro 2020: 0,09%
Fevereiro 2020: 0,01%
Março 2020: 1,64%
Abril 2020: 0,05%
Maio 2020: 1,07%
Junho 2020: 1,60%

SALÁRIO MÍNIMO
Janeiro 2020: R$ 1.039,00
Fevereiro 2020: R$ 1.045,00