Em novo dia de volatilidade no câmbio, o dólar firmou alta nos negócios da tarde desta quarta, 5, na medida em que se aproximava o final da reunião do Banco Central para definir a nova taxa de juros do Brasil, a Selic. A expectativa, além de nova redução da taxa, é ver o que os dirigentes vão sinalizar pela frente. Profissionais das mesas de câmbio dizem que se o BC deixar a porta aberta para futuros cortes, a pressão vai aumentar ainda mais no dólar. No exterior, a moeda americana caiu ante divisas fortes, para a mínima desde maio de 2018, e também recuou nos emergentes, em dia de indicadores mistos da atividade dos Estados Unidos e sem avanço nas negociações sobre o pacote fiscal americano.

Em sessão de expectativa pela decisão do BC, o real acabou ficando com o pior desempenho ante 34 moedas mais liquidas no mercado internacional. No fechamento, o dólar à vista encerrou em alta de 0,14%, cotado em R$ 5,2930, mas na máxima do dia foi a R$ 5,32. Já o dólar futuro para setembro, subia 0,27% às 17h30, em R$ 5,3020.

O BC deve divulgar o resultado da reunião de política monetária pouco depois das 18h. No Congresso hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil “ficou décadas com o câmbio artificialmente baixo”, porque os juros eram altos, o que prejudicou a indústria.


Para o economista-chefe e sócio da Apex Capital, Alexandre Bassoli, a taxa de juros é baixa de forma inédita, mas ao mesmo tempo o Brasil convive com um nível elevado de risco fiscal, sobretudo após ser um dos países que mais elevaram gastos públicos com a pandemia. “Nesse contexto, é razoável que haja cautela muito grande em relação a quais vão ser os efeitos de novas reduções dos juros na dinâmica do câmbio”, disse ele, hoje, em live do BTG Pactual. Um dos riscos é mais brasileiros decidindo alocar parte de seus recursos no exterior, o que pressionaria ainda mais o câmbio.

Para o economista-chefe da gestora Novus Capital, Tomás Goulart, o BC pode sinalizar fim do ciclo de cortes, mas querer deixar a porta “minimamente aberta” para nova redução. Ao mesmo tempo, ele observa que os juros historicamente baixos no Brasil têm importância para explicar a alta volatilidade recente no câmbio. Por isso, caso o BC sinalize que vai parar de reduzir a Selic, a volatilidade pode se reduzir. Para hoje, ele espera redução de 0,25 ponto porcentual, levando a Selic para 2%.

No exterior, em meio à indefinição sobre o pacote de socorro fiscal dos Estados Unidos, o dólar testou hoje novas mínimas. O índice DXY, que mede a moeda americana ante divisas fortes, como o euro e o iene, caiu para a casa dos 92 pontos, no menor patamar desde maio de 2018. “Sem pacote fiscal, sem alívio para o dólar”, observa o analista sênior de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo. Enquanto o pacote não vem, Manimbo destaca que os recentes indicadores mistos da economia americana só contribuem para deixar o dólar ainda mais enfraquecido. Cima.

Números do mercado financeiro:

DÓLAR
compra/venda
Câmbio livre BC – R$ 5,2754 / R$ 5,2760 **
Câmbio livre mercado – R$ 5,307 / R$ 5,309 *
Turismo – R$ 4,910 / R$ 5,470

(*) cotação média do mercado
(**) cotação do Banco Central

Variação do câmbio livre mercado
no dia: 0,350%

OURO BM&F
R$ 350,00

BOLSAS
Bovespa (Ibovespa)
Variação: 1,57%
Pontos: 102.801
Volume financeiro: R$ 30,482 bilhões
Maiores altas: Klabin UNT (9,11%), Multiplan ON (7,64%), Iguatemi ON (7,36%)
Maiores baixas: Hypera ON (-2,67%), Ambev ON (-2,09%), Cielo ON (-1,36%)

S&P 500 (Nova York): 0,64%
Dow Jones (Nova York): 1,39%
Nasdaq (Nova York): 0,52%
CAC 40 (Paris): 0,90%
Dax 30 (Frankfurt): 0,47%
Financial 100 (Londres): 1,14%
Nikkei 225 (Tóquio): -0,26%
Hang Seng (Hong Kong): 0,63%
Shanghai Composite (Xangai): 0,17%
CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 0,03%
Merval (Buenos Aires): -2,28%
IPC (México): 1,16%

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA/IBGE
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,19%
Agosto 2019: 0,11%
Setembro 2019: -0,04%
Outubro 2019: 0,10%
Novembro 2019: 0,51%
Dezembro 2019: 1,15%
Janeiro 2020: 0,21%
Fevereiro 2020: 0,25%
Marco 2020: 0,07%
Abril 2020: -0,31%
Maio 2020: -0,38%
Junho 2020: 0,26%

INPC/IBGE
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,10%
Agosto 2019: 0,12%
Setembro 2019: -0,05%
Outubro 2019: 0,04%
Novembro 2019: 0,54%
Dezembro 2019: 1,22%
Janeiro 2020: 0,19%
Fevereiro 2020: 0,17%
Março 2020: 0,18%
Abril 2020: -0,23%
Maio 2020: -0,25%
Junho 2020: 0,30%

IPC/Fipe
Junho 2019: 0,15%
Julho 2019: 0,14%
Agosto 2019: 0,33%
Setembro 2019: 0,00%
Outubro 2019: 0,16%
Novembro 2019: 0,68%
Dezembro 2019: 0,94%
Janeiro 2020: 0,29%
Fevereiro 2020: 0,11%
Março 2020: 0,10%
Abril 2020: -0,30%
Maio 2020: -0,24%
Junho 2020: 0,39%

IGP-M/FGV
Julho 2019: 0,40%
Agosto 2019: -0,67%
Setembro 2019: -0,01%
Outubro 2019: 0,68%
Novembro 2019: 0,30%
Dezembro 2019: 2,09%
Janeiro 2020: 0,48%
Fevereiro 2020: -0,04%
Março 2020: 1,24%
Abril 2020: 0,80%
Maio 2020: 0,28%
Junho 2020: 1,56%
Julho 2020: 2,23%

IGP-DI/FGV
Junho 2019: 0,63%
Julho 2019: -0,01%
Agosto 2019: -0,51%
Setembro 2019: 0,50%
Outubro 2019: 0,55%
Novembro 2019: 0,85%
Dezembro 2019: 1,74%
Janeiro 2020: 0,09%
Fevereiro 2020: 0,01%
Março 2020: 1,64%
Abril 2020: 0,05%
Maio 2020: 1,07%
Junho 2020: 1,60%

SALÁRIO MÍNIMO
Janeiro 2020: R$ 1.039,00
Fevereiro 2020: R$ 1.045,00