A exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril do governo de Jair Bolsonaro, ainda sob sigilo, na Polícia Federal em Brasília levou o dólar a um novo recorde nominal (sem contar a inflação) nesta terça-feira (12).

A moeda americana, que operou boa parte do pregão em queda, passou a subir por volta das 15h, com a repercussão do vídeo, e fechou em alta de 0,970%, a R$ 5,873, segundo cotação da CMA. O turismo está a R$ 6,012.

Dentre emergentes, o real foi a moeda emergente que mais perdeu valor na sessão, na qual o dólar chegou a R$ 5,8870 na máxima. No ano, a divisa brasileira é a que mais se desvaloriza no mundo ante o dólar, que acumula alta de 46% no Brasil.

Em termos reais (corrigidos pela inflação), porém, a moeda não supera a sua máxima de 2002. Naquele ano, entre o primeiro e o segundo turno das eleições que levaram Lula à Presidência, a moeda dos EUA foi ao recorde de R$ 4,00 durante o pregão – fechou a R$ 3,99. Hoje, corrigido pela inflação brasileira e americana, esse valor equivale a cerca de R$ 7,86.

Em depoimento à PF, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que, na reunião ministerial, da qual participaram ministros e o presidente, Bolsonaro cobrou a substituição do superintendente do Rio e do então diretor-geral da polícia, Maurício Valeixo, além de relatórios de inteligência e informação da corporação.

Segundo a defesa de Moro, a gravação confirma “integralmente” as declarações dele sobre as interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

De acordo com pessoas que tiveram acesso à gravação, o presidente vinculou a mudança do superintendente a uma proteção de sua família e teria afirmado que os familiares estariam sendo perseguidos.

Bolsonaro também teria dito que não poderia ser surpreendido com informações da PF e que então trocaria, se fosse necessário, o comando da PF e até o ministro da Justiça, na ocasião, Sergio Moro.

A defesa de Moro pediu que o vídeo seja levado a público, o que depende do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na segunda (11), Bolsonaro defendeu que tornar público toda a gravação não seria adequado porque teriam sido tratados assuntos sensíveis no encontro.

O temor do Executivo é que o vídeo gere uma crise institucional. Além das possíveis intimidações a Moro, ministros presentes teriam feito duras críticas ao Supremo ao Congresso.

“A efervescência política contaminou o mercado mais uma vez. A sessão se mostrava de relativa estabilidade, até o surgimento da possibilidade de revelação de novo evento político. O agravamento do clima beligerante entre os Poderes aumenta o risco no Brasil”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

A Bolsa brasileira, que chegou a subir 1,60% no pregão, fechou em queda de 1,51%, a 77.871 pontos.

A desvalorização não foi maior pela estabilidade, a R$ 18,14, das ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras, impulsionadas pela alta do petróleo. O barril de Brent sobe 1%, a US$ 29,95.

Nos Estados Unidos, as Bolsas fecharam em queda após Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas renomado dos Estados Unidos e membro da força-tarefa anticoronavírus de Donald Trump, alertar o Congresso que uma suspensão prematura dos isolamentos pode provocar surtos adicionais do coronavírus.

Dow Jones caiu 1,89%, S&P 500, 2,05% e Nasdaq, 2,06%.

Segundo Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, os estados americanos deveriam seguir as recomendações dos especialistas de saúde para esperar sinais, como um declínio no número de infecções novas, antes de reabrirem.

O presidente Trump vem incentivando a reabertura de setores importantes da economia.

Também contribuiu para o viés negativo a proposta do senador republicano Lindsey Graham de autorizar o presidente Trump a impor sanções a China, caso o país não forneça um relato completo dos eventos que levaram ao surgimento do novo coronavírus.

O senador, um aliado próximo do presidente Donald Trump, disse estar convencido de que, se não fosse por “engano” pelo Partido Comunista Chinês, o vírus não estaria nos EUA, onde já matou mais de 80.000 americanos.

Números do mercado financeiro

DÓLAR
compra/venda
Câmbio livre BC – R$ 5,7717 / R$ 5,7723 **
Câmbio livre mercado – R$ 5,873 / R$ 5,875 *
Turismo – R$ 4,920 / R$ 6,012

(*) cotação média do mercado
(**) cotação do Banco Central

Variação do câmbio livre mercado
no dia: 0,970%

OURO BM&F
R$ 324,50

BOLSAS
Bovespa (Ibovespa)
Variação: -1,51%
Pontos: 77.871
Volume financeiro: R$ 22,843 bilhões
Maiores altas: Minerva Foods ON (6,69%), IRB Brasil ON (5,32%), Marfrig ON (4,00%)
Maiores baixas: Grupo Natura ON (-5,94%), Embraer ON (-5,56%), Carrefour BR ON (-5,42%)

S&P 500 (Nova York): -2,05%
Dow Jones (Nova York): -1,89%
Nasdaq (Nova York): -2,06%
CAC 40 (Paris): -0,39%
Dax 30 (Frankfurt): -0,05%
Financial 100 (Londres): 0,93%
Nikkei 225 (Tóquio): -0,12%
Hang Seng (Hong Kong): -1,45%
Shanghai Composite (Xangai): -0,11%
CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 0,00%
Merval (Buenos Aires): 1,43%
IPC (México): -0,72%

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA/IBGE
Fevereiro 2019: 0,43%
Março 2019: 0,75%
Abril 2019: 0,57%
Maio 2019: 0,13%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,19%
Agosto 2019: 0,11%
Setembro 2019: -0,04%
Outubro 2019: 0,10%
Novembro 2019: 0,51%
Dezembro 2019: 1,15%
Janeiro 2020: 0,21%
Fevereiro 2020: 0,25%
Marco 2020: 0,07%
Abril 2020: -0,31%

INPC/IBGE
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 0,77%
Abril 2019: 0,60%
Maio 2019: 0,15%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,10%
Agosto 2019: 0,12%
Setembro 2019: -0,05%
Outubro 2019: 0,04%
Novembro 2019: 0,54%
Dezembro 2019: 1,22%
Janeiro 2020: 0,19%
Fevereiro 2020: 0,17%
Março 2020: 0,18%
Abril 2020: -0,23%

IPC/Fipe
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 051%
Abril 2019: 0,29%
Maio 2019: -0,02%
Junho 2019: 0,15%
Julho 2019: 0,14%
Agosto 2019: 0,33%
Setembro 2019: 0,00%
Outubro 2019: 0,16%
Novembro 2019: 0,68%
Dezembro 2019: 0,94%
Janeiro 2020: 0,29%
Fevereiro 2020: 0,11%
Março 2020: 0,10%
Abril 2020: -0,30%

IGP-M/FGV
Fevereiro 2019: 0,88%
Março 2019: 1,26%
Abril 2019: 0,92%
Maio 2019: 0,45%
Junho 2019: 0,80%
Julho 2019: 0,40%
Agosto 2019: -0,67%
Setembro 2019: -0,01%
Outubro 2019: 0,68%
Novembro 2019: 0,30%
Dezembro 2019: 2,09%
Janeiro 2020: 0,48%
Fevereiro 2020: -0,04%
Março 2020: 1,24%
Abril 2020: 0,80%

IGP-DI/FGV
Fevereiro 2019: 1,25%
Março 2019: 1,07%
Abril 2019: 0,90%
Maio 2019: 0,40%
Junho 2019: 0,63%
Julho 2019: -0,01%
Agosto 2019: -0,51%
Setembro 2019: 0,50%
Outubro 2019: 0,55%
Novembro 2019: 0,85%
Dezembro 2019: 1,74%
Janeiro 2020: 0,09%
Fevereiro 2020: 0,01%
Março 2020: 1,64%
Abril 2020: 0,05%

SALÁRIO MÍNIMO
Janeiro 2020: R$ 1.039,00
Fevereiro 2020: R$ 1.045,00