Seguindo dinâmica na qual pesou muito o noticiário doméstico, o real perdeu valor frente ao dólar e foi na contramão do movimento de valorização de moedas de pares emergentes. Ao fim da sessão de negócios e após o segundo leilão do dia do Banco Central, o ritmo de alta arrefeceu e a divisa americana no segmento à vista fechou cotada a R$ 5,4512 (+0,66%).

O BC atuou por duas vezes e chegou a vender a oferta total de 20 000 contratos de swap cambial, no montante de US$ 1 bilhão – na soma das duas etapas -, em uma operação que não estava ligada nenhuma rolagem de vencimentos. Mas, ainda assim, o mercado absorveu e a moeda americana seguiu em alta logo depois. O BC não atuava nesse formado no mercado de câmbio desde o dia 29 de junho passado.

O desembarque do governo de mais auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, em especial o empresário Salim Mattar, em um cenário já permeado por preocupações sobre a força da equipe econômica terá para segurar as contas públicas e não deixar furar o teto de gastos, foi indigesta aos investidores do mercado financeiro. O dólar alcançou R$ 5,4922 na máxima do dia no spot.


Gustavo Spinola Lopes da Cruz, estrategista na RB Investimentos, diz que foi um dia de movimento atípico pelas saídas de pessoas que tinham peso na equipe de Guedes. Apenas 20 meses após o início do governo, restam somente dois dos sete secretários especiais originalmente escolhidos pelo ministro para auxiliar na sua “guinada liberal”.

Cruz, contudo, descarta a saída do próprio ministro. “Na minha opinião, Guedes prefere ele mesmo tocar, mesmo que seja para ter um pouco de heterodoxia no governo”, diz, complementando que, se houvesse esse risco de desistência do ministro agora, o mercado já estaria precificando com os ativos reagindo de modo muito pior.

Antes do fechamento da sessão de negócios no mercado de câmbio, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse ao Broadcast que o governo não vai trabalhar com proposições que ameacem o teto de gastos e que as medidas estão sendo desenhadas para o seu cumprimento de 2021 em diante. Segundo ele, serão incluídas regras para desindexação, desvinculação e desobrigação. E, disse ainda, deve haver parâmetro prudencial de despesas discricionárias para os gatilhos do teto serem disparados. Ainda em Brasília, os deputados mantiveram veto do presidente Jair Bolsonaro ao Benefício de Prestação Continuada (BCP), que tinha potencial de elevar em R$ 20 bilhões os gastos no ano que vem.

Números do mercado financeiro:

DÓLAR
compra/venda
Câmbio livre BC – R$ 5,4545 / R$ 5,4551 **
Câmbio livre mercado – R$ 5,461 / R$ 5,463 *
Turismo – R$ 5,090 / R$ 5,650

(*) cotação média do mercado
(**) cotação do Banco Central

Variação do câmbio livre mercado
no dia: 0,860%

OURO BM&F
R$ 335,99

BOLSAS
Bovespa (Ibovespa)
Variação: -0,47%
Pontos: 101.691
Volume financeiro: R$ 57,050 bilhões
Maiores altas: Marfrig ON (4,70%), Klabin UNT (2,17%), Bradespar PN (2,10%)
Maiores baixas: GOL PN (-4,77%), CVC Brasil ON (-4,32%), Cyrela ON (-4,18%)

S&P 500 (Nova York): 1,40%
Dow Jones (Nova York): 1,05%
Nasdaq (Nova York): 2,13%
CAC 40 (Paris): 0,90%
Dax 30 (Frankfurt): 0,86%
Financial 100 (Londres): 2,04%
Nikkei 225 (Tóquio): 0,41%
Hang Seng (Hong Kong): 1,42%
Shanghai Composite (Xangai): -0,63%
CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,73%
Merval (Buenos Aires): -3,98%
IPC (México): -0,13%

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA/IBGE
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,19%
Agosto 2019: 0,11%
Setembro 2019: -0,04%
Outubro 2019: 0,10%
Novembro 2019: 0,51%
Dezembro 2019: 1,15%
Janeiro 2020: 0,21%
Fevereiro 2020: 0,25%
Marco 2020: 0,07%
Abril 2020: -0,31%
Maio 2020: -0,38%
Junho 2020: 0,26%

INPC/IBGE
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,10%
Agosto 2019: 0,12%
Setembro 2019: -0,05%
Outubro 2019: 0,04%
Novembro 2019: 0,54%
Dezembro 2019: 1,22%
Janeiro 2020: 0,19%
Fevereiro 2020: 0,17%
Março 2020: 0,18%
Abril 2020: -0,23%
Maio 2020: -0,25%
Junho 2020: 0,30%

IPC/Fipe
Junho 2019: 0,15%
Julho 2019: 0,14%
Agosto 2019: 0,33%
Setembro 2019: 0,00%
Outubro 2019: 0,16%
Novembro 2019: 0,68%
Dezembro 2019: 0,94%
Janeiro 2020: 0,29%
Fevereiro 2020: 0,11%
Março 2020: 0,10%
Abril 2020: -0,30%
Maio 2020: -0,24%
Junho 2020: 0,39%

IGP-M/FGV
Julho 2019: 0,40%
Agosto 2019: -0,67%
Setembro 2019: -0,01%
Outubro 2019: 0,68%
Novembro 2019: 0,30%
Dezembro 2019: 2,09%
Janeiro 2020: 0,48%
Fevereiro 2020: -0,04%
Março 2020: 1,24%
Abril 2020: 0,80%
Maio 2020: 0,28%
Junho 2020: 1,56%
Julho 2020: 2,23%

IGP-DI/FGV
Junho 2019: 0,63%
Julho 2019: -0,01%
Agosto 2019: -0,51%
Setembro 2019: 0,50%
Outubro 2019: 0,55%
Novembro 2019: 0,85%
Dezembro 2019: 1,74%
Janeiro 2020: 0,09%
Fevereiro 2020: 0,01%
Março 2020: 1,64%
Abril 2020: 0,05%
Maio 2020: 1,07%
Junho 2020: 1,60%

SALÁRIO MÍNIMO
Janeiro 2020: R$ 1.039,00
Fevereiro 2020: R$ 1.045,00