Ainda sob os efeitos provocados pela pandemia do coronavírus, as contas do governo federal tiveram em setembro um resultado negativo de R$ 76,2 bilhões. O déficit é menor que os resultados anteriores, mas ainda sim representa um recorde negativo para o mês.

No acumulado do ano, o resultado é o pior da série histórica para o período. O rombo chegou a R$ 677,7 bilhões de janeiro a setembro.

Os dados do governo central, que compreendem as contas de Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério da Economia.

 

Dinheiro: com a queda dos juros, investidor deve se esforçar ainda mais para buscar melhor rentabilidade. Foto: TransferWise/Divulgação

 

O mês de setembro registrou o menor déficit desde março, quando a pandemia ainda produzia seus primeiros efeitos no Brasil. Em junho, o Tesouro registrou o pior déficit mensal do ano, em R$ 196 bilhões. Em julho, o resultado negativo havia sido de R$ 88 bilhões. Em agosto, rombo de R$ 96 bilhões.

De acordo com o Tesouro, o déficit de setembro é explicado, principalmente, pelo aumento das despesas decorrentes de medidas de combate à crise da Covid-19.

Além disso, a receita total do mês de setembro de 2020 voltou a apresentar redução em termos reais, com recuo de 2% quando comparada ao mesmo mês de 2019, influenciada majoritariamente pela queda das receitas não administradas (principalmente royalties de petróleo).

No lado das despesas, a maior até o momento é a do auxílio emergencial. Somente para esse programa, que foi prorrogado com parcelas de R$ 300 até dezembro, o governo já calcula um valor de R$ 322 bilhões.

O governo registra déficit primário quando gasta mais do que arrecada. Essa conta não inclui as despesas com juros da dívida pública.

Na visão do Tesouro, a situação das contas reforça a necessidade de retomada da trajetória de consolidação fiscal através da agenda reformas com foco na redução do déficit público e no aumento da produtividade da economia.

O Tesouro destacou a importância da PEC (proposta de emenda à Constituição) Emergencial, a PEC do Pacto Federativo e a reforma administrativa. “Tais reformas fortalecem o compromisso do governo com a sustentabilidade fiscal, por meio do teto de gastos, que se tornou a principal âncora fiscal de médio prazo do país”, afirma a secretaria, em nota.