As contas do governo central -que incluem o Tesouro Nacional, a Previdência e o Banco Central- tiveram um resultado negativo de R$ 6,3 bilhões no mês de março, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (28).

O resultado demonstra que o governo gastou mais do que arrecadou no mês passado. Foi o pior dado para março desde 2020, já descontado o efeito da inflação.

Apesar do déficit no mês, as contas públicas ficaram no azul no primeiro trimestre do ano, com um saldo positivo de R$ 49,6 bilhões, graças a um superávit expressivo no mês de janeiro.

Para o Tesouro, o resultado dos primeiros três meses é indicativo de que o saldo das contas em 2022 pode ficar melhor do que o projetado no relatório de avaliação do Orçamento do primeiro bimestre.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em março, o Ministério da Economia anunciou uma estimativa de rombo de R$ 66,9 bilhões nas contas este ano -resultado melhor do que o autorizado na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que permite um déficit de até R$ 170,5 bilhões.

“Os resultados apurados no primeiro trimestre do ano sugerem que o balanço primário do governo central poderá ser superior ao projetado no relatório”, diz o órgão.

O Tesouro aponta como evidências desse melhor desempenho um crescimento mais expressivo na receita líquida, que teve alta nominal de 18,8% em março ante igual mês de 2021. A previsão oficial é mais conservadora, com um avanço de 6,8%.

Do lado das despesas, houve um crescimento de 26,3% em termos nominais (ou de 13,5% quando descontado o efeito da inflação) no mês, mas o Tesouro ressalta que a continuidade desse movimento é limitada pelo teto de gastos -âncora fiscal do governo que limita o avanço das despesas à variação da inflação.

A redução no rombo fiscal tem sido destacada por integrantes da equipe econômica como sinal de melhora nas contas.

“Os bons resultados registrados no início de 2022 apontam para a continuidade do processo de consolidação fiscal, fruto do bom momento da arrecadação e do controle das despesas”, diz o Tesouro.

O órgão ressalta, no entanto, que esse esforço precisa continuar nos próximos anos. As estimativas mais recentes do próprio governo indicam que o quadro de déficit nas contas permanecerá até 2024, como antecipou a Folha.

“Uma redução mais consistente da dívida pública requer resultados primários positivos mais robustos”, diz o Tesouro.

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Contas do governo têm rombo de R$ 6,3 bilhões em março

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