Foto: Valdecir Galor/SMCS

 

O Brasil fechou 43.196 vagas formais de emprego em março, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Ministério da Economia.

O dado veio abaixo da expectativa do mercado, que estimava a criação de 80 mil vagas, de acordo com centro de estimativas da agência Bloomberg. Foi também o pior mês de março desde 2017, quando o resultado foi negativo em 63.624 posições com carteira assinada.

Como comparação, em março do ano passado o saldo foi positivo em 56.151 postos com carteira assinada.
No mês passado, foram abertas 1,26 milhão de vagas e fechados 1,3 milhão de postos. No trimestre, o saldo ajustado é positivo em 164,2 mil, queda de 15,9% em relação aos 195,2 mil do mesmo período de 2018. Em 12 meses, o acumulado é positivo em 472.117 vagas.

O ministério atribuiu o resultado ruim à forte criação de postos com carteira assinada em fevereiro -foram 173.139, o melhor para o mês desde 2014.

Segundo o secretário do Trabalho, Bruno Dalcolmo, setores que normalmente contratavam em março anteciparam as contratações, enquanto os que demitiam concentraram as dispensas de funcionários no mês passado.

Para ele, o resultado negativo de março não significa um pessimismo com a retomada econômica.
“Eu imagino que tenha a ver com a confiança dos empresários. Parece que estão mais confiantes”, afirmou.

“Provavelmente, a demanda foi aquecida o suficiente para que os empresários mantivessem os trabalhadores contratados e atrasassem as demissões de fevereiro para março.”

O secretário diz que ainda é cedo para dizer se a economia neste ano está pior que no ano passado. “Esses resultados só serão concretizados em abril e maio, quando se terá clareza da confiança do empresário na atividade.”

Segundo Dalcolmo, a aprovação da reforma da Previdência, que passou na noite de terça-feira (23) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, pode melhorar a expectativa dos empresários e favorecer a retomada de investimentos e contratações.

“A retomada é consistente, porém não é uma retomada acentuada, é tímida, o que está em passo com o que está acontecendo com a economia de maneira geral. O país está aguardando as decisões sobre a nova Previdência. Enquanto isso, os investimentos estão sendo represados.”

Dos oito setores analisados, cinco tiveram saldo negativo. O comércio registrou o pior resultado, com 330.121 vagas fechadas, ante 301.318 abertas (-28.803). Já serviços teve maior saldo positivo, com 4.572 postos.
Todas as regiões do país tiveram desempenho ruim. O Nordeste teve o maior saldo de vagas fechadas (-23.728), e o Centro-Oeste, o menor (-1.706).

Os dados apontam um saldo de 6.041 postos de trabalho na modalidade intermitente, ante 4.665 no mês anterior, e 2.129 na parcial -foram 3.515 em fevereiro.

Sobre esse aumento dos intermitentes, o secretário nega estar havendo uma migração de contratos.
“A gente não identifica isso no mercado, isso foi muito discutido no momento da concepção do mercado intermitente. É a forma de trazer para o mercado formal quem estava na informalidade.”
Dalcolmo lembra que os trabalhadores contratados pelo regime intermitente contam com o mesmo respaldo dos admitidos pela CLT.

“O objetivo era que o empresário não arbitrasse do ponto de vista financeiro. Quando os custos são os mesmos, o que determinará o tipo de contratação é o tipo de atividade desempenhada pelo empresário.”