A Bolsa brasileira voltou a bater recorde nesta quarta-feira (30) com novos cortes de juros. A queda do juros nos EUA e expectativa de queda no Brasil levaram o Ibovespa a uma alta de 0,79%, a 108.407 pontos, nova máxima histórica nominal. O dólar acompanhou o viés positivo caiu 0,39%, a R$ 3,9870, menor valor desde 13 de agosto.
O risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos voltou a subir na sessão, interrompendo uma sequência de 15 quedas. O indicador teve uma alta de 1%, a 118 pontos. Na véspera, o CDS foi a 117 pontos, menor valor desde maio de 2013.

A Bolsa de Valores de São Paulo, no centro de São Paulo, no Brasil
09/05/2016
REUTERS/Paulo Whitaker/File photo

O risco-país funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes. Hoje ele é medido principalmente pelo desempenho do CDS de cinco anos.
Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

O movimento desta quarta reflete a tendência global de aversão a risco que dominou os mercados pela manhã e se aliviou pela tarde. Temerosos quanto a decisão do Fed, banco central americano, sobre juros, o CDS de emergentes subiram e as principais Bolsas globais operaram em queda durante boa parte do pegão.

Além do receio quanto ao fim do ciclo de corte de juros, a menção ao presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na investigação do assassinato de Marielle Franco contribuiu, em menor peso, para um viés negativo. Pela manhã, o Ibovespa chegou a 106 mil pontos, e o dólar, a R$ 4,033.

O cancelamento da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) no Chile, devido à onda de protestos no país, também preocupou o mercado. A “fase 1” do acordo comercial entre China e Estados Unidos seria assinada na ocasião, marcada para os dias 16 e 17 de novembro.

À tarde, a Casa Branca afirmou que, mesmo com a mudança no evento, a formalização desta etapa do acordo deve acontecer no mesmo intervalo de tempo inicialmente planejado. Para completar o alívio, às 15h o Fed anunciou corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que foi à faixa de 1,5% a 1,75% ao ano, como previsto pelo mercado.