Em um discurso repleto de críticas indiretas ao governo do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), candidato ao comando da Câmara, afirmou nesta quarta-feira (6) que o Legislativo não pode ser submisso ao Executivo e defendeu o respeito à ciência no combate à pandemia da Covid-19.

“Nós temos o dever de fiscalizar e acompanhar as ações do Executivo. Exatamente por isso, a Câmara dos Deputados não pode ser submissa. Se for submissa, não fiscaliza e não acompanha”, afirmou.

Em evento no qual lançou sua candidatura à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ), o deputado emedebista defendeu a necessidade de o Legislativo continuar com um comando independente e pregou que o auxilio emergencial seja estendido neste ano.

Em um aceno a partidos de oposição, que apoiam a sua candidatura, Baleia defendeu que o auxílio emergencial, encerrado em dezembro, seja estendido neste ano ou que o valor do programa social Bolsa Família seja elevado.

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Bolsonaro tem rejeitado a possibilidade de manter o auxílio emergencial.

“É importante voltarmos a debater a nossa pauta, votando reformas importantes. E voltar a debater o auxílio emergencial. A pandemia não acabou e milhões deixarão de receber o benefício. Entendo que temos de buscar uma solução: ou aumentando o Bolsa Família ou buscando de novo o auxílio emergencial aos mais vulneráveis”, disse Baleia.

Em um contraponto a Bolsonaro, o emedebista defendeu a união das bancadas federais para cobrar que a população seja vacinada contra o coronavírus. Ele ressaltou que a imunização deve ser universal e gratuita, sem excluir ninguém.

“Aliás, por sugestão de líderes partidários, conversei com Maia para que, caso seja necessário, façamos uma convocação de Câmara e Senado em janeiro para votar medidas urgentes”, afirmou.

O principal adversário de Baleia na disputa legislativa é o líder do centrão, Arthur Lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro. O discurso do aliado de Maia em defesa da independência tem como objetivo justamente fazer um contraponto a Lira, na tentativa de reforçara a ideia de que sua eventual gestão será governista.

Além de Maia, compareceram ao evento de lançamento integrantes de partidos como DEM, PSDB, PT, PSL, PC do B, MDB e Rede. Na cerimônia, Baleia lembrou que, graças à postura independente de Maia, a Câmara conseguiu conceder um auxílio emergencial de R$ 600, enquanto a proposta inicial do Executivo era de R$ 200.

Em uma crítica ao centrão, o deputado emedebista lembrou que, a pedido do governo, siglas do bloco aliado ao Palácio do Planalto tentaram obstruir, no ano passado, sessão legislativa para a votação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

“Nós avançamos no Fundeb. Me lembro até que alguns partidos do centrão fizeram obstruções, não queriam recursos para a educação”, disse Baleia.

Baleia conta com o apoio de um conjunto de partidos que soma 278 parlamentares. Já Lira tem o respaldo de siglas que totalizam 206 parlamentares.

A sinalização de apoio, no entanto, não significa a adesão completa da bancada da sigla à chapa eleitoral.

Isso porque elas só se tornam oficiais após o registro da candidatura, na véspera da votação, e podem mudar de postura até lá. Além disso, o voto é secreto, podendo haver traições de deputados à decisão oficial da bancada.

Para ser eleito em primeiro turno, um candidato à presidência da Câmara precisa de no mínimo 257 votos caso todos os 513 deputados votem.