A Bolsa de Valores brasileira escapou do terceiro circuit breaker desta quinta-feira (12) por pouco. Por volta das 13h50, o Ibovespa cedia 19,60% quando o Fed, banco central americano, anunciou compras de títulos do Tesouro americano, o que aumenta a liquidez no mercado financeiro.

A medida inverteu a aceleração da queda do Ibovespa, que reduziu perdas para 13,7% por volta das 15h23. Caso a marca de 20% de queda fosse atingida, um terceiro circuit breaker (paralisação das negociações) seria acionado, desta vez, por tempo indeterminado.

No início das negociações desta quinta, o mecanismo foi acionado duas vezes. A primeira foi logo na abertura do pregão, às 10h21, quando a Bolsa chegou a cair 11,65%. A parada foi de meia hora. A segunda foi às 11h12, quando o índice recuou 15,43%.

Rovena Rosa/Agência Brasil

Nesta semana, o circuit breaker foi acionado quatro vezes, reflexo da piora da percepção dos danos que serão causados pelo coronavírus sobre a economia global. Acompanhe aqui ao vivo.

Com o tombo, o índice é cotado ao redor de 70 mil pontos, no menor patamar desde setembro de 2018, período em que o país vivia a corrida eleitoral que elegeu Jair Bolsonaro presidente.

Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova York também acionou o cricuit breaker no início do pregão desta quinta, parando negociações por 15 minutos, quando o índice S&P 500 caiu mais de 7%. No momento, Dow Jones cai 8,5%, S&P 500, 6,2% e Nasdaq, 7,6%.

As quedas dos índices, assim como a da Bolsa brasileira, desaceleraram com a noticia de que o Fed de Nova York vai injetar US$ 1,5 trilhão em operações de “repo”, sigla para repurchase agreement (contrato de recompra, na tradução livre).

Tais operações se assemelham a operações compromissadas. Nela, o Fed compra títulos do tesouro americano de agentes do mercado por um período determinado, concedendo dinheiro para as instituições. Essa é uma maneira do regulador conceder liquidez ao mercado em momentos de stress financeiro.

O Fed vai oferecer US$ 500 bilhões em operações de repo de três meses nesta quinta. Na sexta, serão outros US$ 500 bilhões em operações de um mês.

O dólar também reduziu alta e sobe 2% por volta das 15h22, a R$ 4,8110. Na abertura do mercado, a cotação da moeda ultrapassou os R$ 5 pela primeira vez na história.

Na Europa, índices acionários que reúnem as maiores empresas da região tiveram as piores perdas da história nesta quinta. O FTSEurofirst 300 caiu 11,53%, a enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 11,48%.

Desde fevereiro, o STOXX 600 perde quase um terço de seu valor de mercado. Em outra indicação dos distúrbios no mercado, o Índice de Volatilidade do Euro Stoxx, considerado uma medida de medo para os mercados, subiu para o nível mais alto desde a crise financeira de 2008.

O índice de volatilidade VIX, baseado no mercado americano, também volta aos níveis de 2008, com alta de 24%.