A mãe da mulher acusada de agredir uma professora umbandista da rede municipal de ensino de Curitiba negou que o episódio tenha sido motivado por intolerância religiosa. Ela disse à Banda B que a filha agrediu a docente após um empurrão que derrubou a neta dela. O caso aconteceu no último domingo (17) em um apartamento no bairro Sítio Cercado, em Curitiba.
Segundo a mãe da mulher envolvida, a professora na verdade ficaria incomodada com o barulho que os netos dela fazem ao passar pela escada do prédio.
“Ela se incomoda com o barulho. Daí bate a porta, chama as crianças de capeta. Nesse domingo ela chamou a polícia dizendo que estávamos falando mal da religião dela, o que não é verdade. Tenho uma neta que também é da umbanda. Minha filha foi questionar ela e dizer que não tinha nada a ver com intolerância religiosa, que ela é quem estava de ignorância. Quando ela disse isso, a professora deu um empurrão na minha filha e derrubou minha neta, foi por conta disso que as duas acabaram brigando”, relatou a mulher.
Perseguição
Em entrevista à Banda B, a professora disse que sofre perseguição dos vizinhos por ser da religião de matriz africana.
“Eles passavam e diziam: ‘Eu tenho nojo deste apartamento do satanás’. Eles gritavam: ‘Não pise aqui’, ‘macumba’; e chutavam o meu tapetinho. (…) Eles passavam pela minha porta com as crianças, que são netos desta senhora e filhos desta mulher que me agrediu. Passavam e diziam: ‘Não pisa aí que é macumba’. A gente saía e eles gritavam da janela: ‘Queima'”, descreveu.
Nesse domingo ela revelou ter sido surpreendida pela vizinha na porta de casa com gritos e ameaças. A suspeita das agressões teria dito: “Queima, satanás”.
“Neste momento, eu questionei: ‘Escutem, vocês sabem que discriminação religiosa é crime’. Então, esta menina, que deferiu o soco em mim, falou: ‘Vamos ver se é crime mesmo’; e já veio me dando os socos. Nisto, a minha filha apareceu e tentou me ajudar. Ela foi lá e bateu na minha filha. (…) O soco que ela me deu fez sangue ‘jorrar’ para todos os lados. Eles trincaram o meu nariz. A mãe da mulher que me agrediu dava risada. A outra filha que ela tem, também. E ainda disseram: ‘Vai ter mais'”, afirmou a professora.
A mulher, autora das agressões, teria fugido do local logo após o acionamento da polícia, na versão da docente. A vítima das agressões realizou o boletim de ocorrência (BO) e a Polícia Civil investiga o caso.