No coração de Curitiba, a história da família Assad é mais que uma trajetória profissional. É um enredo de amor, dedicação e vocação que atravessa gerações. Um legado iniciado por Elias Assad, perpetuado por seu filho, Elias Mattar Assad, e hoje seguido com brilho pelas três filhas dele: Louise, Thaise e Caroline. Neste Dia dos Pais, a narrativa dessa família de advogados emociona pela força dos laços e pela paixão compartilhada pelo Direito.

A história começa com Elias Assad, que nasceu em Curitiba, casou-se com Zulmira Mattar Assad e se mudou para a Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No início, precisou trancar a faculdade de Direito por causa da distância, abrindo com a esposa uma loja de roupas.
Mas o sonho não se apagou. Determinado, voltou a estudar, viajando diariamente até Curitiba, até se formar, em 1973, pela Faculdade de Direito de Curitiba. Logo abriu seu escritório na Lapa, onde começou a advogar com propósito.
O filho, Elias Mattar Assad, nascido em 1955, cresceu respirando esse ambiente. Aos 18 anos, começou a trabalhar na recepção do escritório do pai, e não demorou para ingressar na mesma faculdade. Com o pai, aprendeu na prática – inclusive atendendo gratuitamente pessoas carentes – que a advocacia era mais do que uma profissão: era uma missão.
“Fiquei com meu pai até os idos de 84. Um belo dia, resolvi comprar um conjunto comercial e abri meu primeiro escritório na Cândido de Abreu, no Edifício Conrado Riedel. Foi o primeiro imóvel que eu tive, e lá comecei o escritório”
lembra Elias.
O endereço atual, na Rua Campos Sales, no Juvevê, comprado em 1991, tornou-se a sede do Elias Mattar Assad Advogados e Associados – hoje formado por ele, a esposa e as três filhas.
Pai que inspira
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Elias Mattar Assad se destacou em áreas como o Direito Civil e Tributário, mas foi com o Criminal que ele acabou construindo uma reputação sólida e colecionando casos emblemáticos – como o famoso caso Virgínia, que repercutiu internacionalmente.
“Foi uma luta para evitar uma injustiça. Uma médica, que sonhava com a profissão, foi tirada presa de uma UTI, ficou presa por quase 30 dias, demonizada publicamente, foi inocentada no conselho de medicina pelos pares dela, por 31 vezes… Foi um caso em que os que menos entendiam foram os que mais acusaram”
relembra.
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Fundador da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas e idealizador da Semana Nacional da Conciliação, Elias nunca se limitou ao gabinete. Mesmo agora, aos 70 anos, parar não é uma opção.
“Nunca fui um advogado de gabinete, sempre gostei da rua, do dia-a-dia. Não tenho receio, eu gosto de trabalhar no chão gasto de uma delegacia, de um presídio, com juiz, trabalhar a liberdade. Tirar o pé do acelerador, tudo bem. Puxar meio o freio de mão. Mas parar, não”.
Mas é no papel de pai que Elias se emociona de verdade.
“Das alegrias que tive, ser pai foi uma das maiores. E ser pai de mulher… a filha se dedica ao pai. Quando soube que a Louise ia fazer Direito, eu fiquei muito feliz. Depois aconteceu com a Thaise, que hoje também dá aula na faculdade, e por último com a Caroline. Isso deixou meu coração cheio de alegria porque eu me realizei como pai e profissional. Eu não precisei aconselhar, de repente aconteceu”
comentou Elias, emocionado.
Louise: a primeira a seguir os passos
Louise Mattar Assad, a primogênita, não foi direto para o Direito. Começou Odontologia, mas um professor percebeu que, nos intervalos, ela estava sempre com alunos de Direito.
“Parecia que não ia, sabe? Estava na faculdade, mas trabalhava no escritório. Não me sentia bem naquele ambiente. A primeira pessoa que liguei foi meu pai: falei que fechei a faculdade e queria fazer Direito”.
contou Louise.
Entrou na mesma faculdade que o avô e o pai cursaram e se encontrou. O caso Virgínia, acompanhado de perto ao lado do pai, despertou sua paixão pelo Direito Médico na área criminal.
“Meu pai me ensinou tudo que eu sei: dançar, advogar, peticionar, dirigir. Trabalhamos muito bem entrosadas, minhas irmãs e eu. É diferente você ser criado por um humanista. Acho que se ele fosse dono de um mercado, eu iria querer estar no mercado, porque estar junto com ele é fantástico”
avaliou a advogada.
Thaise: sonho de criança
A filha do meio, Thaise Mattar Assad, sabia cedo o que queria. Ainda menina, dizia que seria “advogada do IBAMA, para defender os animais”. Com o tempo, percebeu que a atuação do pai transformava vidas inteiras e que essa era sua verdadeira vocação.
“Meu coração transborda de orgulho e gratidão ao olhar para o caminho que nosso pai trilhou. O fato dele atuar sempre com tanta seriedade, técnica e paixão nos mostra a importância da nossa missão enquanto advogadas. Entre todos os ensinamentos que ele passou, o de ser humano é o principal deles”
comentou Thaise.
Hoje, Thaise também leciona, inspirando novas gerações com a mesma seriedade que viu no pai.
“Pessoas desconhecidas nos abordam para agradecer a ele algum feito. Quando eu era criança e isso acontecia, eu achava incrível! Pensava: ‘nossa, meu pai é o máximo!’. Isso habita meus pensamentos até hoje e me guiou para a advocacia, justamente porque eu quero que as pessoas lembrem de mim com gratidão, em família, por alguma atuação profissional minha. Isso é fazer a diferença na vida das pessoas, isso é ‘sucesso’. Até hoje, quando alguém nos aborda pra agradecer a ele, meu coração se enche de alegria (ainda continuo achando isso o máximo, é claro) e eu me recordo do porque virei advogada”.
contou a advogada.
Caroline: a mais nova, mesma paixão
Caroline Mattar Assad, a caçula, não precisou ser convencida. Desde pequena, defendia colegas em situações injustas e, no ensino médio, já participava de debates sociais.
“Desde pequena sempre fui muito sensível aos problemas das outras pessoas, nunca fiquei silente em situações que considerava injustas, por exemplo, alguma briga na escola ou quando via algum coleguinha em desvantagem. No ensino médio, desenvolvi um senso crítico que me permitia participar de debates sociais”
lembrou Caroline.
Mas foi “dentro de casa” que Caroline entendeu que seu rumo seria o mesmo do pai e das duas irmãs. Vieram daí os exemplos de coragem e compromisso.
“Observando meu pai atuar em causas criminais e também como ser humano, criei uma grande admiração. É uma grande responsabilidade inspirar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho, principalmente no meu caso, jovens acadêmicos que pretendem lutar pelos direitos e liberdades daqueles que precisam”.
Ela também reconhece os desafios de ser mulher na advocacia criminal. “A advocacia criminal ainda é um lugar majoritariamente masculino. Ser mulher e, ainda, jovem, é um desafio maior. Atuar com paixão, ética e coragem é um compromisso diário”.
Legado que não se apaga
Hoje, ao ver clientes pedirem diretamente por suas filhas, Elias se enche de orgulho.
“Isso me deixa muito feliz porque é justamente a projeção da imagem que sai do círculo familiar e se projeta para longe. Mas eu pego no pé, leio trabalho, erro de português eu fico bravo… porque o idioma tem que ser bem tratado. Mas é só alegria, principalmente quando vejo as coisas dando certo”
contou Elias Mattar Assad.
Para Elias, o futuro é continuar advogando, ainda que em ritmo mais tranquilo, e preservar sua história. “Quero reunir o acervo de jornais, entrevistas e casos que ajudei. Quero perpetuar a memória”.
Sinônimo de pai
Levar o sobrenome do pai é também uma grande responsabilidade. Apesar disso, embora a força que “Mattar Assad” ganhou ao longo dos anos, as três filhas entendem que o legado já existe e está vivo.
“É uma responsabilidade grande, porque as pessoas esperam que você seja parecido. Nós três filhas somos muito parecidas com ele, afinal aprendemos a ser advogadas com ele. Acho que o sonho de todo advogado seria ter um pai igual ao meu. Ele é um paizão, está do nosso lado em todos os momentos, inclusive em momento difícil da profissão. A segurança que ele traz, a humildade que ele é, ele é fantástico”.
avaliou Louise Mattar Assad.
Fora das audiências, das delegacias e dos júris – ou no caso delas dentro desses ambientes também -, Elias Mattar Assad, “o pai”, buscou mostrar a vida para as filhas.
“Meu pai é uma pessoa divertida, ele é um cantor fantástico, dançarino fantástico, percussionista, contador de piada. É um avô maravilhoso, ensina bastante malandragem para os meus filhos. Faz amizade com todo mundo e não faz distinção de status entre o mais pobre e o mais rico. Meu pai não consegue ser alheio, não importa o tamanho do problema que você tenha, ele vai parar pra você”
contou Louise.
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Para Thaise, Elias é tudo. Um grande exemplo que enche de orgulho ao falar.
“Tenho ele como meu maior professor (de vida e de advocacia), fiel companheiro, melhor amigo e referencial ético. É meu exemplo! O coração mais bondoso que eu conheço. É difícil traduzir em palavras o sentimento que nos une. Me sinto privilegiada por ser filha dele e compartilhar a vida ao lado de um ser humano tão único e especial”
comentou Thaise Mattar Assad.
A filha mais nova reflete que o pai é um exemplo de ser humano, antes mesmo de falarmos em advocacia.
“Ele é uma pessoa extremamente humana, sensível e leal. Sempre o vi tratando a todos da mesma forma, independente de quem e onde fosse. O dinheiro nunca veio em primeiro lugar, tudo sempre foi e é feito pela paixão e coerência aos seus ideais. Tudo o que faço tem um pouco dele, seja na advocacia ou na vida pessoal. Sempre que vou fazer alguma coisa ou estou em dúvida sobre alguma decisão que preciso tomar, me pergunto o que ele faria no meu lugar”
disse Caroline Mattar Assad.
De forma diferente, mas conectadas, as três irmãs são unânimes em dizer o quanto Elias Mattar Assad representa o significado de pai.
“Meu pai é meu melhor amigo, meu parceiro, avô da minha filha, colega de profissão e maior inspiração. Se um dia puderem olhar para mim e enxergar 10% do que meu pai representa na vida das pessoas, minha passagem por esse mundo já valeu a pena”
concluiu Caroline.
Mais que um ofício, a advocacia para a família Assad é parte da identidade. Um elo entre gerações, que une avô, pai e filhas em torno de um mesmo propósito: lutar pela justiça, com ética e humanidade. Neste Dia dos Pais, a história deles é um lembrete de que os maiores legados não se medem apenas por bens, mas pelo exemplo e pelo amor que atravessam o tempo.
Por fim, pedimos que as filhas gravassem um recado para o pai. Veja o resultado: