Imprudência, descuido ou distração? Saiba as principais infrações de trânsito cometidas por curitibanos

Excesso de velocidade e estacionamento rotativo são os principais na capital, dados do Detran

Rafael Torquato

Imprudência, descuido ou distração? Quais são as multas mais aplicadas aos curitibanos? De acordo com dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), enviados à Banda B nesta terça-feira (26), a infração mais cometida na capital é transitar em velocidade superior ao máximo permitido na via, chegando em 219.787 registros no primeiro semestre.

Em seguida, vem estacionar em desacordo com a legislação (estacionamento rotativo), com 56.684. Na terceira posição, seria deixar de conservar o veículo na faixa a ele destinada pela sinalização de regulamentação, por exemplo, dirigir na faixa destinada ao ônibus, com 46.972 (confira o ranking completo no final da matéria).

Velocidade na região central é de 40 Km/h. Foto: Foto: Luiz Costa/SMCS – arquivo

O especialista multidisciplinar em trânsito, Celso Mariano, acredita que o alto número de multas por velocidade acima da máxima permitida pode ter relação com as recentes mudanças da Prefeitura de Curitiba.

“Nós temos o fator imprudência, descuido e distração que estão sempre presentes. Mas, em ambas situações, temos essas mudanças recentes. Há um constante progressão da restrição de velocidade máxima e, volte e meia, o condutor distraído é surpreendido e passa por uma via que ele já está acostumado e pego distraído, isso pode explicar a quantidade”, explica Mariano.

Já em relação às infrações do estacionamento rotativo, Mariano acredita em dois fatores principais: mudanças recentes em algumas ruas da capital e a utilização do Estar Digital, que algumas pessoas ainda não teriam se acostumado.

“Na questão de estacionamento, também pode ter esse fator da novidade, pois vários trechos de ruas foram incluídas no Estar. Também, tem a questão da mudança do talonário. Podemos ter aí uma falta de conhecimento, mesmo que faça algum tempo que mudou para o Estar Eletrônico, na cabeça das pessoas foi recente”, comenta.

Porém, o professor lembra que muitas infrações acontecem pela sensação de que nada vai acontecer. “Lembremos que as pessoas tomam multa por excesso de velocidade muito mais por não respeitarem mesmo, não consideram importante. Muito por aquela cultura de só se o guarda estiver olhando, só se estiver o radar”, afirma. “As pessoas se dão bem no trânsito na medida que elas entendem que precisam ter mais atenção do que normalmente fazem. O trânsito está cada vez mais complexo porque aumento o número de pessoas e de modais”, concluiu.

Protesto de uma pessoa só contra mudanças de velocidade na capital

O técnico de refrigeração Juliano Rosa acordou cedo na manhã deste domingo (26) com a seu Vemaguet, carro clássico dos anos de 1960, para participar de um protesto pelo excesso de radares de velocidade e sobre a possiblidade de existência da chamada ‘indústria da multa’ em Curitiba. A manifestação foi marcada pelas redes sociais e estava prevista para iniciar às 10 horas da manhã no Centro Cívico da capital.

Juliano Rosa acordou cedo na manhã deste domingo (26) com a sua Vemaguet, carro clássico dos anos de 1960, para participar de um protesto. Foto: Marcelo Borges/ Banda B

Até uma estrutura de isolamento com cones foi montada pela Secretaria de Trânsito (Setran) para que o trânsito pudesse fluir mesmo com o protesto, mas apenas Juliano compareceu.

“A gente fica um pouco decepcionado porque todo mundo vê as coisas irregulares acontecendo na cidade, mas eu vou continuar lutando, por mais que eu continue sozinho. A cidade está mal sinalizada, visando somente o lucro prejudicando quem usa o carro como seu ganha pão”, disse à Banda B o técnico em refrigeração.

Prefeitura de Curitiba

A Prefeitura de Curitiba respondeu ao contato da reportagem da Banda B por meio de nota. Leia na íntegra:

Todos os pontos com fiscalização eletrônica em Curitiba estão devidamente sinalizados conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com placas, semipórticos e legendas no pavimento (no mínimo 100 metros antes do radar). Essa distância permite a devida redução de velocidade. Para a segurança viária, é obrigação do motorista obedecer os limites de velocidade estipulados ao longo de todo o trajeto, seguindo as placas de sinalização – e não somente em pontos com fiscalização eletrônica.

A sinalização está toda de acordo com o Manual Brasileiro de Sinalização (resolução 798/2020 do Conselho Nacional de Trânsito). Tem semipórtico com dimensões rodoviárias, sinalização horizontal (pintura no pavimento) e placas junto ao equipamento. Tudo bem visível ao motorista.

Ações reconhecidas mundialmente, como o Programa Vida no Trânsito (PVT), chancelado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e o Visão Zero, recomendam a adoção de redução de velocidade nas vias urbanas.

Iniciado na Suécia e incorporado por diversas cidades ao redor do mundo, como Londres, o Visão Zero no Trânsito propõe intensificar intervenções na infraestrutura viária, ações de educação e de fiscalização de trânsito, de forma a minimizar consequências do erro humano.

Saiba o ranking de multas completo:

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