O tradicional calçadão da Rua de Novembro de Curitiba completa 50 anos nesta quinta-feira (19).
No dia 19 de maio de 1972, o então prefeito de cidade, Jaime Lerner inaugurou as obras de transformação na via de veículos da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba, em calçadão.
A obra virou um dos símbolos da capital paranaense.
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“Era o dia 19 de maio de 1972, uma sexta-feira. De repente, a prefeitura fechou a XV de Novembro e começou a construção, em petit-pavê (mármore branco e diabásio preto), com a rosácea do artista Lange de Morretes, da nossa Rua das Flores. O calçadão mais antigo do Brasil está comemorando 50 anos. Feliz memória do prefeito urbanista Jaime Lerner, que teve esta ideia inspirado pelo Ippuc”, recorda o atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca.
Polêmica
A transformação causou polêmica na cidade. Afinal a Rua XV de Novembro já era uma das principais vias da capital paranaense e não permitir mais a passagem dos automotores parecia um retrocesso.
À época, o trânsito era complicado nas vias que formavam o anel central. Afinal, na capital paranaense havia um automóvel para cada dez habitantes — cerca de 60 mil veículos — e muitos deles tinham o Centro como destino.
Era ali que se concentravam os bancos, as lojas e os cinemas: não havia shoppings, o Pinhais Expotrade seria inaugurado somente em 1979 e o Mueller, que popularizaria o conceito de compras indoor na cidade, seria aberto apenas em 1983.
“Não havia condição de todo o trânsito da cidade continuar passando pelo Centro, como estava ocorrendo. Decidimos fechar e tínhamos de fazer rapidamente para evitar demandas judiciais que inviabilizariam a continuidade das obras e para ter um trecho para efeito de demonstração. Se a obra fosse parada, nunca mais seria retomada. Quando ficou pronto, aqueles comerciantes que haviam assinado uma petição para parar a obra entregaram uma cópia desse documento para mim, como souvenir. Eles tinham aprovado as obras”, explicou o então prefeito da cidade, Jaime Lerner, que faleceu em 2021, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.
Fluxo de pedestres
O lugar de convívio e de permanência ao longo do calçadão foi estabelecido a partir do mobiliário urbano.
A disposição dos equipamentos também foi pensada para que o pedestre tivesse total valorização.
Cada trecho com uma característica, mas respeitada a regra de oferecer espaço mais amplo ao centro para a circulação e outro mais estreito junto às vitrines.
Uma organização projetada sem obstrução no percurso para direcionar melhor o fluxo de pedestres.
“As floreiras, os bancos, as floriculturas e outros pequenos comércios são resultados de um cenário criado para estimular o novo uso da XV de Novembro”, explica o arquiteto Abrão Assad, autor do projeto do calçadão. “O calçadão representa uma mudança impactante na nossa cidade e tornou a XV de Novembro um espaço de convívio bem-sucedido, símbolo de uma cidade diferente”, completa.
Ao escolher a cor roxa para os domus que cobrem parte do mobiliário, Assad alega que levou em consideração a necessidade de incidência de luz sobre as pessoas sentadas nos bares e restaurantes ao ar livre.
E ainda brinca que o curitibano pálido, como ele, ao se sentar abaixo dos domus roxos, ficaria com aspecto de um carioca bronzeado.
“Sou curitibano e posso fazer essa citação e realmente a luz que incide deixa todo mundo mais corado e bonito.”
