Tereza Aparecido Teodoro, que teve o pé amputado em decorrência do acidente de trânsito que envolveu dois ônibus, em setembro, na região central de Curitiba, arrecadou menos da metade do necessário para comprar uma prótese do membro perdido. Aberta em setembro, a campanha de arrecadação angariou cerca de R$ 9,4 mil até a manhã desta terça-feira (3). O custo da prótese e de medicamentos, diz ela, é de aproximadamente R$ 20 mil.

Tereza estava entre os 45 passageiros que se feriram por causa da colisão entre dois ônibus – um biarticulado da linha Santa Cândida/Capão Raso e um articulado da linha Fazenda Rio Grande/Curitiba. O acidente aconteceu no último dia 9, no cruzamento da Avenida Visconde de Guarapuava com a Travessa da Lapa. Quarenta dos 45 passageiros envolvidos no acidente receberam alta hospitalar no próprio dia em que o caso foi registrado.

A passageira que teve o pé amputado em decorrência do acidente, em setembro – Foto: Reprodução

No dia do ocorrido, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), lamentou o acidente e disse que o ônibus da linha Fazenda Rio Grande furou o sinal vermelho e atingiu o biarticulado de Curitiba. “Determinei apuração da responsabilidade pela câmera de bordo do biarticulado curitibano”, escreveu o prefeito. “Margarita e eu estamos desolados, mas o SUS curitibano foi ágil e eficiente”, acrescentou.

Segundo a Guarda Municipal (GM), o motorista do ônibus da região metropolitana relatou ter sofrido um mal súbito ao volante.

Familiares da passageira que teve o pé amputado afirmaram que ela estava a caminho do trabalho quando houve a colisão. Socorrida em estado grave, foi encaminhada ao Hospital do Trabalhador e recebeu alta dias depois. “Com a amputação, ela não pode mais trabalhar e tem tido acompanhamento médico e psicológico. Tem um filho adolescente e dependia do emprego para levar o sustento para casa”, disse a sobrinha da mulher.

De acordo com a família, o dinheiro arrecadado auxiliará na compra da prótese e demais despesas, como medicamentos, por exemplo.

À Banda B, o advogado que representa Tereza afirmou que ela “ainda se encontra em fase de recuperação”. Segundo ele, os pontos do procedimento cirúrgico ainda não foram retirados, e as sequelas provocadas pela amputação não foram totalmente classificadas até o momento. Questionado se ela irá acionar o DPVAT, seguro que indeniza vítimas de acidente de trânsito, Celso Saldanha afirmou que sim.

De acordo com ele, a vítima do acidente ainda não foi ouvida pela Polícia Civil, que informou no último dia 11 ter aberto um inquérito para apurar as possíveis responsabilidades sobre o caso.

“Ainda não existe data para sua oitiva, sendo que depende do andamento do inquérito. Assim que for chamada, irá prestar seu depoimento”, disse Saldanha. Procurada pela Banda B nesta segunda-feira (2), a Polícia Civil afirmou que Tereza será ouvida nos próximos dias. “A PCPR segue investigando o caso e realizando oitivas de testemunhas a fim de esclarecer a dinâmica do acidente. Os dois motoristas já foram ouvidos”, disse, em nota.

O que dizem as empresas envolvidas

Procurada pela Banda B, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) e a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (antiga Comec) optaram por encaminhar a mesma nota, um comunicado redigido pela assessoria da empresa Leblon Transporte de Passageiros (leia mais abaixo).

A reportagem ainda questionou se a entidade empresarial e a agência, sendo a última responsável por fiscalizar o serviço, gostariam de se manifestar em relação ao caso. No entanto, ambas optaram por não dar declarações. A Amep apenas citou que a “empresa é quem responde civilmente pelos incidentes”, ao se referir à Leblon.

O advogado de Tereza disse ter sido procurado por representantes da Leblon. Segundo ele, uma reunião deve ser marcada nós próximos dias a fim de “encontrar uma melhor solução para o caso”.

A Urbs (Urbanização de Curitiba), responsável pelo ônibus biarticulado envolvido no acidente, alegou que “notificou a Amep para prestar esclarecimentos sobre as condições de treinamento dos motoristas da região metropolitana, bem como do apoio, que vêm sendo prestado às vítimas desde o acidente”. A empresa também diz ter prestado apoio “às vítimas e disponibilizou um ônibus, que foi deslocado de outra linha urbana, para fazer o transporte dos feridos até os hospitais”.

Já a Leblon disse lamentar o ocorrido e se solidarizou com Tereza. A empresa declarou ter procurado o Hospital do Trabalhador a fim de “prestar assistência direta” a ela. A Leblon confirmou o contato realizado com o advogado e disse estar “à disposição para cooperar em todas as fases necessárias”.

Veja o comunicado da Leblon na íntegra:

“A Leblon Transporte de Passageiros lamenta profundamente o ocorrido no acidente de transporte coletivo que resultou em lesões graves para a sra. Tereza Aparecido Teodoro. Nossa prioridade é o bem-estar dos envolvidos, e estamos comprometidos em prestar toda a assistência necessária neste momento difícil.

Imediatamente após o acidente, nossa equipe procurou o hospital onde a sra. Tereza estava sendo atendida, com a intenção de prestar assistência direta. No entanto, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), fomos informados de que só poderíamos obter informações por meio dos familiares.

No último sábado, conseguimos estabelecer contato com a família da sra. Tereza, expressando nossos sinceros sentimentos e oferecendo nosso apoio. Nesse primeiro contato, solicitamos permissão para visitar a paciente, respeitando sua privacidade e o momento delicado que estão enfrentando.

A família indicou um advogado para representar a sra. Tereza. Imediatamente, entramos em contato com o advogado designado e nos colocamos à disposição para cooperar em todas as fases necessárias. Manifestamos nossa disposição em auxiliar no que for preciso para garantir que a sra. Tereza receba o melhor atendimento possível. Estamos aguardando o retorno do contato para coordenar os próximos passos de maneira colaborativa.

A Leblon Transporte de Passageiros reitera seu compromisso com a segurança e bem-estar de seus passageiros e está aberta a continuar o diálogo com todas as partes envolvidas.”