Uma moradora de Curitiba, de 27 anos, denuncia que está internada há dias no Hospital do Trabalhador aguardando vaga para realizar um procedimento de endoscopia após complicações decorrentes de uma cirurgia de retirada da vesícula. Segundo ela, além da demora, houve falhas na comunicação sobre transferência e alta médica.

imagem da entrada do hospital do trabalhador vazia
Paciente de 27 anos segue internada no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, aguardando vaga para transferência. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN.

De acordo com o relato de Rafaela de Moraes Rodrigues, médicos diagnosticaram cálculos na vesícula em outubro do ano passado, após ela realizar exames em laboratório particular. Desde então, passou a enfrentar crises frequentes de dor abdominal intensa.

Idas e vindas entre UPAs

Neste ano, ela procurou atendimento diversas vezes na UPA de Araucária e, posteriormente, na UPA do Pinheirinho, sempre com queixas de dores fortes. Segundo a jovem, a equipe médica administrou medicação nas primeiras ocasiões e a liberou em seguida.

No dia 17 de fevereiro, após uma nova crise, a equipe médica a encaminhou ao Hospital do Trabalhador, onde a internou no dia 18 e realizou a cirurgia para retirada da vesícula no dia 19.

“A médica falou que foi uma cirurgia bem complicada, porque estava tudo muito inflamado por dentro. Eles não estavam conseguindo distinguir direito o que era a vesícula”

conta Rafaela.

Segundo ela, o procedimento teria durado cerca de quatro horas e meia.

Novo problema após cirurgia

Dias depois, uma ressonância magnética teria identificado a presença de cálculos na região do intestino. Conforme o relato, foi indicada a realização de um procedimento por endoscopia (CPRE).

No entanto, segundo a paciente, o Hospital do Trabalhador estava com o equipamento necessário para esse tipo de intervenção inoperante e, por isso, a equipe precisaria transferi-la, via Central de Leitos, para outra unidade hospitalar.

Alta, ida ao Cajuru e retorno

A situação se agravou no dia 26, quando, segundo a jovem, ela recebeu alta médica com atestado de 14 dias e orientação para se dirigir diretamente ao Hospital Universitário Cajuru, onde já haveria vaga disponível para a realização do procedimento.

Ela afirma que informaram que deveria ir por meios próprios, pois não havia ambulância disponível e não seria necessário aguardar transporte.

“Cheguei lá e falaram que não tinha nenhuma vaga no meu nome. Não sabiam de nada”

relata a paciente.

Após o impasse, a paciente diz que entrou em contato novamente com o Hospital do Trabalhador e retornou à unidade no mesmo dia. Segundo ela, orientaram-na a reiniciar o atendimento “como se nada tivesse acontecido”.

“Foi bem na troca de plantão. Simplesmente chamaram meu nome e mandaram eu pegar senha para começar tudo do zero”

afirmou.

Ela acabou sendo reinternada e, até o momento, segue aguardando vaga para transferência.

imagem de um leito de hospital vazio com pouca ilumincação
Paciente precisa fazer de novo procedimento após cirurgia da vesícula. Foto ilustrativa: Freepik.

“Me senti humilhada”, diz paciente

Ainda segundo o relato, um dos médicos teria reconhecido que houve falha na conduta ao conceder alta naquela situação. A jovem afirma que permanece internada, com dores intensas, fazendo uso de morfina para controle da dor.

“Estou à base de morfina. Ninguém me dá um parecer, ninguém fala nada. É um descaso total”

Rafaela procurou a Polícia Civil do Paraná e registrou boletim de ocorrência denunciando a situação.

A Banda B procurou a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná para obter um posicionamento sobre o caso. Caso haja retorno, a reportagem será atualizada.