A Muralha Digital mudou a forma como Curitiba monitora a cidade. Hoje, o sistema conta com cerca de 2 mil câmeras instaladas em pontos estratégicos da capital, todas conectadas ao Centro de Controle Operacional (CCO), onde equipes acompanham as imagens 24 horas por dia.

Centro de Controle Operacional da Muralha Digital em Curitiba, com telão exibindo imagens de diversas câmeras de vigilância distribuídas pela cidade
A Muralha Digital busca ampliar a prevenção de crimes – Foto: Daniel Castellano/Secom/Arquivo

Com isso, a Guarda Municipal e as demais forças de segurança começaram a usar a ferramenta tanto para prevenir quanto para esclarecer crimes, permitindo ações mais rápidas e direcionadas

Quem controla as câmeras públicas?

A Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito, administra as câmeras da Muralha Digital.

O monitoramento ocorre no Centro de Controle Operacional (CCO), onde guardas municipais acompanham as imagens em tempo real e, assim que identificam situações suspeitas ou crimes em andamento, coordenam o envio de viaturas.

A Muralha Digital ajudou a polícia de Curitiba a capturar pelo menos sete foragidos da Justiça nos últimos três meses, segundo a administração municipal.

Onde as câmeras estão instaladas?

De acordo com a Prefeitura de Curitiba, os equipamentos estão distribuídos em locais de grande circulação e áreas consideradas estratégicas para a segurança pública. Entre os pontos monitorados estão:

  • Setor Histórico;
  • Rodoferroviária;
  • Rua XV de Novembro;
  • Avenida Marechal Deodoro.

No início deste mês, a polícia de Curitiba prendeu na rodoviária um homem foragido da Justiça por estupro de vulnerável, depois que o sistema de reconhecimento facial da Muralha Digital o identificou. As equipes chegaram ao suspeito a partir de informações repassadas pela Polícia Civil. Com os dados, o sistema da Muralha Digital identificou registros da passagem do homem pela rodoviária da capital.

Além das vias públicas, a prefeitura instalou câmeras em praças, parques e cemitérios municipais. A Praça do Japão, por exemplo, recebeu câmeras panorâmicas capazes de monitorar todo o entorno. Já o Cemitério São Francisco de Paula, no bairro São Francisco, conta com equipamentos térmicos que capturam imagens mesmo durante a noite.

Equipes da Muralha Digital monitoram vários telões com imagens de câmeras espalhadas por Curitiba, acompanhando a cidade em tempo real para ações de segurança e prevenção de crimes
Equipes da Muralha Digital acompanham 24 horas por dia as imagens captadas em tempo real pelo sistema – Foto: Daniel Castellano/Secom/Arquivo

Além disso, sistema cobre o entorno de todas as escolas municipais e está conectado à Patrulha Maria da Penha, o que permite que mulheres vítimas de violência doméstica acionem botões de pânico interligados à central.

Qualquer pessoa pode acessar as imagens da Muralha Digital?

Não. As imagens são restritas às autoridades responsáveis pelo monitoramento e investigação. A Prefeitura bloqueia o acesso público às imagens por questões de segurança e proteção de dados.

No entanto, a Polícia Civil ou o Ministério Público podem usar as gravações em investigações específicas.

Por quanto tempo as gravações ficam armazenadas?

O período de armazenamento pode variar conforme o sistema e a finalidade das imagens. Em geral, gravações de videomonitoramento público ficam armazenadas por no mínimo 30 dias.

Homem de costas observa imagens das câmeras da Muralha Digital em um telão no Centro de Controle Operacional de Curitiba
Câmeras instaladas em ruas, praças, escolas e prédios públicos reforçam a segurança – Foto: Daniel Castellano/Secom/Arquivo

Como funciona o reconhecimento facial na Muralha Digital?

Algumas câmeras da Muralha Digital têm tecnologia de reconhecimento facial. O sistema utiliza uma biblioteca de faces criptografadas e, assim, cruza as imagens captadas com bancos de dados de pessoas com pendências judiciais.

Dessa forma, quando o sistema encontra uma correspondência, ele envia alertas em tempo real às equipes de segurança, que realizam abordagens ou acompanhamentos.

O cruzamento de informações amplia a capacidade de identificação de suspeitos e veículos ligados a ocorrências criminais.

Cidadão comum pode solicitar imagens?

O público não tem acesso direto às imagens. No entanto, as autoridades podem requisitar as gravações em casos envolvendo vítimas de crime para conduzir investigações.