O motorista de aplicativo que arrancou uma passageira do carro pelos cabelos e a chamou de ‘pé de barro’ ficou em silêncio ao ser interrogado na Delegacia de Piraquara. Ele se apresentou na unidade na quarta-feira (27). De acordo com a Polícia Civil, o homem pode ser enquadrados nos crimes de lesão corporal e injúria qualificada. Após se entregar, o homem deixou a delegacia e informou que só se manifestará em juízo.

O delegado Paulo Renato de Araújo confirmou pra Banda B que o homem não quis se pronunciar durante o interrogatório e que ele só falaria em juízo.
“Ela fez boletim de ocorrência. Logo, ele foi identificado e depois intimado. Foi ouvida a vítima na terça-feira (26). Ela falou que o desentendimento foi no trajeto da corrida, né. Ela queria que ele fosse na aldeia, e ele não quis”, disse.
De acordo com o delegado, no dia do crime, o homem chegou a voltar para o para o mercado em que buscou a mulher e jogou as compras no chão.
“Ele começou a agredir, dar socos nela. (…) Voltou até o mercado de Piraquara, jogou todas as compras do carro e jogou no chão” concluiu.
O caso foi por volta das 18h da quarta-feira (20). Parte do que aconteceu foi registrado pelo celular da vítima, a professora Dayane Padilha.
Naquela tarde, ela chamou o carro para levar mantimentos para uma ação social em um território indígena da região metropolitana de Curitiba.
Dayane conversou, no sábado (23), por telefone, com a reportagem Banda B. Ainda abalada com a situação, ela revelou que teve medo de divulgar o caso, especialmente após, segundo ela, ser ameaçada pelo motorista que disse que iria chamar o ‘pai policial’ se ela contasse o fato.
“Tive medo de contar e mostrar o que aconteceu, mas acabei tomando coragem para falar”, disse.
Segundo ela, a confusão começou porque o GPS não teria indicado o local exato do território indígena e o motorista teria se recusado a seguir a viagem para não estragar o carro.
Defesa do motorista
Esta Defesa, em face das informações recentes acerca dos fatos imputados ao
nosso Constituinte Leonardo de Cól Breatici, informamos que o seu
comparecimento à Delegacia de Polícia Civil de Piraquara, na data de ontem, se
deu pelo interesse de se ver inocentado dos fatos. Ainda, informamos que o
mesmo permaneceu em silêncio, exercendo seu direito Constitucional, por
orientação técnica de nosso escritório, pois há fatos que ainda pendem de melhor
esclarecimento.
O que diz o aplicativo
Em nota enviada à Banda B, a 99 lamentou profundamente o ocorrido com a passageira Dayane Padilha. Assim que tomamos conhecimento, bloqueamos o perfil do motorista permanentemente e mobilizamos uma equipe para oferecer acolhimento à Dayane. A plataforma está disponível para colaborar com as investigações das autoridades locais. Esclarecemos que temos uma política de tolerância zero em relação a qualquer tipo de discriminação e violência e repudiamos veementemente o caso. O respeito mútuo é a base de tudo e é obrigatório para utilização do app.
A nota ainda informa que na Comunidade 99 há espaço para as diferenças de raças, gênero, religião, orientação sexual, identidade de gênero, idade, classe social, local de moradia, entre outras. Todos os usuários, sejam eles motoristas ou passageiros, devem se tratar com educação, boa-fé e profissionalismo, independente de sua religião, credo ou raça. Em comportamentos como esse, que vão contra os Termos de Uso e o Guia da Comunidade 99, todas as medidas são adotadas, incluindo o bloqueio do perfil do agressor e apoio às investigações.