Exatas duas semanas após a morte de Caio José Ferreira de Souza Lemes, de 17 anos, a família ainda tenta entender tudo o que aconteceu. O adolescente foi morto após ser atingido por disparo da Guarda Municipal de Curitiba, no bairro Campo Comprido. Um dos agentes envolvidos no crime afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que faca apontada como do adolescente foi ‘plantada’ no local do crime.
De acordo com a mãe, Lilian Ferreira da Silva, a sensação da família é diversa. Ao mesmo tempo em que sofre com a perda, há também alívio por ver a verdade aparecer.
“Eu me sinto muito aliviada pela verdade que só se confirmou. Meu filho jamais esteve armado sondando casas e jamais investiu contra os policiais. Meu filho correu de uma polícia truculenta e despreparada”, disse.
Caio estudava no Colégio Estadual Júlia Wanderley e não tinha passagens pela polícia. Trabalhava como jovem aprendiz em uma empresa de telemarketing, onde recebia cerca de R$600 por mês. Ele passava o fim de semana na casa de um amigo, quando acabou morto.
Neste sábado (8), um ato marcado para a Boca Maldita vai exigir justiça pela morte de Caio. A concentração está marcada para 11 horas.
Lilian mora em Guaratuba e não estará na manifestação.
Caso Caio
Caio foi morto no último dia 25 de março, no bairro Campo Comprido. Inicialmente, a GM afimou que ele teria sido atingido após reagira a uma abordagem.
Questionamentos da família, porém, apontaram para o possível crime. Um protesto foi realizado no dia 28.
Segundo o depoimento de uma testemunha, porém, Caio acabou não investindo contra a equipe com uma faca. Ele também não teria reagido e já estava no chão quando houve o disparo.
“Como o Caio acabou fugindo da abordagem, o guarda municipal correu atrás. Na hora que ele se rendeu e deitou no chão, de acordo com o relato da testemunha, acabou acontecendo esse disparo. A testemunha relata que o guarda colocou a mão na cabeça e falou ‘putz, acabei disparando’”, disse o delegado Eric Guedes.
Os guardas foram afastados pela Prefeitura de Curitiba. As câmeras corporais não foram acionadas antes da abordagem, contrariando as orientações da corporação.