A arte paranaense amanheceu mais silenciosa e de luto. A família confirmou, na manhã desta segunda-feira (5), a morte de Nilson Müller, aos 85 anos, ilustrador consagrado e responsável por modernizar e popularizar as inesquecíveis figurinhas do Zequinha, personagem que atravessou gerações e se tornou símbolo da cultura popular do Paraná.

Nilson, referência absoluta nas artes visuais, deixa esposa, filhos, nora, genro e netos. A despedida foi marcada por emoção e palavras carregadas de amor e reconhecimento, em uma nota comovente divulgada pela família Müller.
“A vida é um breve passeio! Valeu cada momento que estivemos ao seu lado, sentindo sua generosidade, aprendendo com sua humildade e com seu modo de encarar a vida. A despedida nos causa dor e deixa um enorme vazio. Estamos convictos de que sua obra perdurará para sempre, tocando corações e aproximando gerações. Nosso eterno “Pai do Zequinha”, como muitos se referiam a você, descanse em paz, com a certeza de que utilizou seus dons para deixar um legado inestimável”
publicou a família.
Nilson Waldir Müller foi o responsável por dar uma nova vida às figurinhas do personagem icônico da cultura paranaense, originalmente criado em 1928 por Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach, e eternizado na campanha do ICMS estadual em 1979. Foi o criador do personagem curitibano de histórias em quadrinhos “O Gralha” e entrou para a história como o primeiro cenógrafo de televisão do Paraná.
Nascido em Curitiba, em 1941, Nilson começou a desenhar ainda criança, copiando revistas em quadrinhos. Aos doze anos, teve um encontro decisivo com Guido Viaro, no Centro Juvenil de Artes Plásticas, que o levou a cursar a Faculdade de Belas Artes. Adolescente, recebeu orientação de Thorsten Andersen e já chamava atenção ao ter uma de suas pinturas exposta no Salão dos Novos, na Biblioteca Pública do Paraná.

Aos 16 anos, profissionalizou-se e abriu caminhos inéditos na comunicação visual do estado. Atuou como ilustrador de publicidade e editorial, manteve carreira sólida como artista plástico e nunca abandonou sua grande paixão: as histórias em quadrinhos. Na Gibiteca de Curitiba, promoveu cursos e teve seu nome eternizado em uma ala dedicada à sua trajetória.
Nilson Müller acumulou prêmios importantes, como no Salão Paranaense, no Salão dos Novos da Biblioteca Pública do Estado do Paraná e no Salão do Santa Mônica Clube de Campo. Também recebeu o Prêmio Qualidade Brasil em ilustrações para o livro KO IVY, de Ricardo Rodrigues.
A obra de Nilson Müller permanece viva. O traço, os personagens e a sensibilidade de um artista que transformou papel em memória coletiva serão eternos, marcando gerações que aprenderam a sorrir, sonhar e se reconhecer através do Zequinha. Aos familiares, nossos sentimentos.