Moradores de cidades da RMC cobram reabertura de Armazéns da Família

Em Bocaiúva do Sul e Mandirituba, o programa foi cortado e ainda não há previsão de retorno

Marina Sequinel

Curitiba tem parcerias com municípios da RMC para que a população tenha acesso ao Armazém da Família. (Foto: Gabriel Rosa/SMCS)

Que a situação financeira não está fácil para ninguém, todo mundo já sabe. Por isso, qualquer tipo de economia é bem-vinda, principalmente para as famílias de baixa renda. É justamente nesse ponto que o programa Armazém da Família faz toda a diferença. Já presente em Curitiba e em algumas cidades da região metropolitana (RMC), ele faz falta para muitos moradores, que antes podiam aproveitar para comprar produtos de higiene e alimentos a preços, em média, 30% mais baixos do que os do mercado convencional.

Esse é o caso de Bocaiúva do Sul, por exemplo, onde o programa foi cortado e ainda não tem previsão para voltar à ativa. Segundo a diarista Maria Aparecida, no fim do mês, a falta do benefício complica ainda mais as finanças da família. “A gente tinha o armazém antes e faz tempo que a prefeitura prometeu reabri-lo, mas até agora nada. Para mim, os produtos de higiene e de limpeza eram os que mais saíam em conta e faziam a diferença… Só que agora não temos mais nada. Pessoas mais carentes estão até passando fome por causa disso”, disse ela em entrevista à Banda B.

O problema de Maria é compartilhado pela costureira Fernanda Colaço, que mora na zona rural de Mandirituba. A situação é exatamente a mesma: anteriormente, as famílias podiam contar com uma boa economia ao fazer compras no armazém da cidade, que também foi fechado. “Se antes a gente gastava R$ 300, hoje com isso não compramos nem metade dos produtos que precisamos no mercado. O jeito é pesquisar de estabelecimento em estabelecimento e comprar um pouco de um, um pouco de outro e assim vai”, comentou.

Procurada, a prefeitura de Mandirituba informou que pagou a dívida da administração anterior, que é uma das exigências para realizar a parceria com Curitiba, e que o armazém deve ser reaberto em breve. Segundo a gestão, o prédio já foi reformado e as equipes responsáveis esperam agora uma alteração no sistema de informática para que os usuários sejam cadastrados. A previsão é de que isso aconteça em cerca de 30 dias.

Sobre a reclamação dos moradores, a reportagem também entrou em contato com a prefeitura de Bocaiúva do Sul e aguarda retorno.

Almirante Tamandaré

Do outro ‘lado da moeda’, Almirante Tamandaré é uma das cidades que percebeu as vantagens da parceria com a prefeitura da capital e decidiu reabrir o Armazém da Família, fechado durante a gestão anterior. Segundo o secretário de Abastecimento do município, Nereu Colodel, hoje 9,5 mil pessoas podem aproveitar o programa para fazer as compras do mês.

“Quando o armazém foi fechado, havia entre 4 e 5 mil inscritos. Em seis meses, nós dobramos esse número. Essa era uma demanda reprimida, principalmente com a crise, em que as pessoas acabam migrando para o armazém. Além de serem em média 35% a 40% mais baratos, os produtos são de primeira qualidade”.

Parcerias

De acordo com o secretário de Abastecimento de Curitiba, Luiz Dâmaso Gusi, para que o programa funcione nas cidades da RMC, basta que o prefeito encaminhe uma solicitação para realizar a parceria.

Hoje, a capital conta com seis cidades conveniadas no Armazém da Família: São José dos Pinhais, Pinhais e Almirante Tamandaré, que têm unidades nos próprios municípios; além de Fazenda Rio Grande, Campo Magro e Quatro Barras, onde o programa permite que a população faça compras nos armazéns da capital.

Segundo o secretário, os benefícios dessa iniciativa são tantos que a procura por parcerias só aumenta. “O município pode escolher entre instalar o armazém ou fazer um convênio permitindo aos moradores usarem as unidades de Curitiba. A demanda cresceu bastante porque o programa confere à população benefício social, melhora o poder de compra e possibilita uma vida mais saudável”, concluiu.

 

 

 

 

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