Na manhã deste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, várias mulheres se reuniram em frente à Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, para um ato de conscientização contra o feminicídio.

Com faixas e cartazes pedindo o fim da violência contra mulheres, as manifestantes ocuparam as escadarias da universidade. No local, foram colocados 87 pares de sapatos, cada um representando uma mulher morta por feminicídio no Paraná ao longo de 2025.
Segundo as organizadoras, a ação teve como objetivo chamar a atenção da população para a gravidade do problema e lembrar que a violência contra a mulher atinge diferentes perfis.
Entre as participantes estava Carla Slongo, integrante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná e uma das organizadoras do ato. Em entrevista à Banda B, ela explicou que a manifestação buscou trazer uma reflexão sobre as causas emocionais e sociais que levam à violência.
“Nosso objetivo é trazer luz para essa temática pela perspectiva da psicologia, entender os fatores emocionais que levam à violência e o ciclo que muitas mulheres vivem”
afirmou a organizadora.

Sapatos representam vítimas de feminicídio
Nas escadarias da UFPR, os 87 pares de sapatos foram organizados com nomes e idades simbólicas. As organizadoras explicaram que os nomes não são reais, mas representam histórias que refletem casos verdadeiros de feminicídio.
A ideia, segundo Slongo, é tornar visível uma violência que muitas vezes aparece apenas em números.
“Queremos trazer para o concreto para que a população reconheça que são vidas. Temos histórias que representam mulheres de diferentes idades, como uma freira de 82 anos, para mostrar que o feminicídio não acontece apenas com mulheres jovens”
explicou Slongo.

De acordo com a organizadora, o crime é resultado de uma cultura de violência e ódio contra mulheres.
Ato também alerta para denúncias
Durante a manifestação, as participantes também reforçaram a importância de denunciar casos de violência. Segundo as organizadoras, cerca de oito mulheres foram assassinadas em Curitiba e na Região Metropolitana desde o início deste ano.
O ato destacou ainda canais de ajuda para vítimas de agressão ou ameaça. “Mulher que sofreu agressão ou ameaça precisa denunciar. O telefone 180 está disponível para ajudar”, reforçou Slongo.
Momento de emoção marcou manifestação
Um dos momentos mais marcantes do ato foi quando um líquido vermelho simbólico, representando sangue, foi colocado próximo aos sapatos. A cena emocionou a organizadora.
“Foi um momento forte. Entender que mulheres estão sendo mortas por uma construção cultural de ódio nos emociona. Como mulher e psicóloga, acredito que precisamos falar sobre isso e agir para mudar essa realidade”
adicionou.
Segundo as participantes, o objetivo é que ações como essa ajudem a ampliar o debate sobre violência de gênero e incentivem mais mulheres a buscar ajuda.
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