(Fotos: Flávia Barros – Banda B)
Os organizadores do acampamento pró-Lula, instalado nas imediações da sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, negaram que estão causando transtornos para os moradores da região. Segundo eles, o grupo tem uma divisão de tarefas para garantir a ordem e a limpeza do local, além de manter diálogo constante com a população.
“Nós contamos com equipes de trabalho para cuidar da segurança, comunicação, alimentação e limpeza. A gente entende o ponto de vista do movimento que é contrário ao nosso e temos respeitado os acordos do interdito proibitório, inclusive a partir de diálogos com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, sobre o que é ou não permitido”, disse a coordenadora de comunicação do acampamento, Neudicléia de Oliveira, em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (11).
Sobre as reclamações de poluição sonora, vindas dos moradores, ela afirmou que o sistema de som é usado apenas para atos políticos em volume razoável, respeitando a Lei do Silêncio. “Às 22h o som é desligado e nós permanecemos apenas em vigília. A partir das 7h, a movimentação recomeça, com o café da manhã e, às 8h, nós realizamos o ‘Bom Dia Lula’, momento em que os manifestantes dão um bom dia coletivo para ele. Durante o dia, temos vários atos culturais, com a presença de artistas, parlamentares e muitas outras pessoas que defendem a liberdade de Lula”.
De acordo com a coordenadora, a partir das primeiras movimentações dos militantes, às 7h, acontece todo o processo de organização interna e o início do uso dos tambores. Ela afirmou, ainda, que, diferente do que parte da população ao redor alega, os manifestantes não estão deixando sujeiras nas ruas ou comprometendo o meio ambiente.
“A nossa equipe de limpeza trabalha diariamente em todo o acampamento, realizando o recolhimento de lixo até mesmo das casas dos moradores, e fazendo a entrega para a coleta seletiva. Não estamos obstruindo portas de entradas ou garagens e estamos recebendo ajuda de muitos vizinhos daqui, com distribuição de água e energia elétrica”, completou.
A coordenadora ressaltou que as barracas foram montadas somente em locais autorizados pelos proprietários. “Agora nós não temos tanto acesso para trazer mais materiais para cá, então ainda temos que ver como acolher as diversas caravanas de todo o Brasil que estão vindo para cá. Hoje, temos 2 mil pessoas acampadas aqui e o consenso coletivo é de que só seremos retirados com o Lula nos braços”, finalizou.
Nota
No fim da tarde de hoje, a organização do acampamento divulgou uma nota sobre as reclamações dos moradores. Leia na íntegra abaixo:
Sobre o ofício e as declarações do sindicato dos delegados da Polícia Federal, as organizações à frente do acampamento Lula Livre, instalado nas imediações da Superintendência da Polícia Federal, afirmam que:
Seguimos em resistência no acampamento, exigindo a liberdade para o ex-presidente Lula. E estaremos onde se mantiver a condenação injusta e sem provas, no contexto de nossa resistência pacífica.
O tema dos moradores está sendo usado com má-fé, por pessoas e grupos que querem desviar o tema central, que é o arbítrio da prisão de Lula.
No que se refere ao acampamento, estamos instalados pacificamente em área pública. É notória a recepção dos moradores, que ajudam diariamente com água, energia elétrica, rede de internet. Muitos participam das atividades do acampamento, prestigiam nossas cozinhas e espaços culturais. A cada dia a imprensa presente pode verificar a melhoria na organização. A relação também é boa com o comércio.
Cumprimos os acordos coletivos de silêncio depois das 22h às 7h. Cerca de 80 pessoas da equipe de limpeza recolhem o lixo e fazem a limpeza todas as manhãs. E estamos sempre apontando melhorias na estrutura de banheiros.
Realizamos uma carta aos moradores, onde reafirmamos nosso pedido de desculpas pelo transtorno, mas não somos responsáveis pelas violações, pela violência de sábado, esta sim precipitada pela Polícia Federal, nem pela arbitrariedades que estão sendo cometidas contra Presidente Lula.
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