Um incêndio atingiu várias casas usadas por funcionários de uma obra habitacional, na noite desta segunda-feira (20), na Cidade Industrial de Curitiba. Moradores da região reclamaram do “descaso” com a construção, atraso na entrega e insegurança na localidade.
As chamas, porém, não chegaram atingir as obras do projeto habitacional “Moradias Castanheira”, na rua Acir Pereira. O projeto é de responsabilidade da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), em parceria com o governo federal. Não há informações sobre as causas do incêndio, e a polícia deve investigar. Ninguém ficou ferido.
Moradores da região ouvidos pela Banda B, reclamam do atraso na entrega da obra. Logo após o incêndio ser controlado, o grupo fez um um protesto contra a Prefeitura de Curitiba e a construtora responsável, a Base Construções e Incorporações Eirelli.
Em 2019, a Prefeitura de Curitiba retomou a obra que tinha objetivo de construir 88 novas moradias para abrigar mais de 300 pessoas. O valor do empreendimento ultrapassou os R$ 6,5 milhões e se iniciou em outubro de 2019. A previsão era que fosse entregue em outubro de 2021.
“Passou da hora de alguém fazer alguma coisa há muito tempo. No início, era um lugar bom, deu profissão a alguns moradores e era seguro. Perto do término [da construção], esse lugar começou a virar ‘muquifo’, de dependente químico e inseguro”, afirmou o segurança Thomas Almeida.
Para ele, que diz que a construtora “abandonou a obra”, a administração municipal e a Cohab “precisam tomar alguma providência urgente”: “A Base não tem ajudado nenhum pouco os moradores”.
Já a aposentada Clemair Zimerman, indignada, disse que o empreendimento “é dinheiro jogado fora”.
“Não tem para saúde, educação. É uma vergonha para a prefeitura e para a Cohab, que já foi boa. Hoje, isso é dinheiro jogado fora. Cadê a prefeitura?”, protestou.
Outro lado
Prefeitura de Curitiba
A Banda B questionou a Prefeitura de Curitiba sobre o porquê do atraso na entrega da obra e apresentou as reclamações dos moradores ouvidos.
Em nota, a Cohab explicou o motivo do atraso e afirmou que um novo processo de licitação para a finalização da obra será aberto, uma vez que a construtora responsável pelo projeto paralisou as atividades sob a alegação de que passa por dificuldades financeiras. Leia abaixo a íntegra da nota:
“A obra foi paralisada na gestão anterior entre 2014 e 2016. Quando o prefeito Rafael Greca assumiu em 2017, ele e o presidente da Cohab José Lupion Neto viajaram para Brasília para renegociar o contrato com o então Ministério das Cidades, para evitar o cancelamento da obra. A renegociação avançou e no início de 2018 foi publicado o edital de licitação para a construção de 88 moradias.
Contudo, uma das empresas participantes do certame abriu um processo judicial que acabou atrasando a contratação. Para emitir a autorização de serviço, a Cohab precisou aguardar a decisão da justiça em relação ao processo aberto por uma das empresas concorrentes. A decisão judicial foi proferida no final de agosto de 2019 e em outubro do mesmo ano a obra foi reiniciada. No segundo semestre de 2021, a empresa contratada paralisou a obra alegando dificuldades financeiras.
No segundo semestre de 2022 será realizado novo processo licitatório para contratar empresa que irá finalizar a construção das 88 casas.”
Construtora Base Construções e Incorporações Eirelli
A Banda B também procurou a construtora responsável pela construção das casas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para quaisquer manifestações.