Cerca de 200 amigos e familiares de Dalton Morais Silveira se reuniram na rua Nicola Pelanda, no bairro Ganchinho, em Curitiba, no início da noite desta quarta-feira (21), em protesto contra a morte do motociclista em tentativa de abordagem da Polícia Militar (PM). Os manifestantes incendiaram pneus e trancaram a rua. De acordo com eles, Dalton não estava armado.

Um amigo do motociclista, Fábio Carlos, conversou com a Banda B e afirmou que Dalton tentou mexer no celular que estava em cima da moto durante a tentativa de abordagem. Os policiais teriam se confundido e acreditado que ele estava tentando sacar uma arma.

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Foto: Cristiano Vaz/Banda B

“Estamos indignados com a má preparação da PM. Eles estavam fazendo o acompanhamento do Dalton, que não escutou a voz de abordagem. Ele foi arrumar o celular dele, que estava em cima da moto, mas o policial militar achou que era uma arma. O povo está com medo da polícia”, explicou Fábio.

A tia do motociclista, Suzana da Silveira, também estava presente no protesto e disse que o sobrinho nunca andou armado.

“Não houve confronto, porque ele não anda armado. Isso não existe. Ele foi para casa almoçar e estava retornando ao trabalho. Ele nunca andou armado na vida. Tinha 23 anos, vi ele nascer. A polícia fez uma covardia, deixou uma mãe e pai chorando sem merecer. Era filho único”, revelou a tia.

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Foto: Cristiano Vaz/Banda B

Ainda de acordo com Suzana, Dalton não teria parado após a voz de abordagem porque estava com problemas com a documentação da moto.

“Ele estava com problemas na documentação da moto, estava atrasada, por isso ele correu, pra não perder a moto”, afirmou.

Polícia Militar

A morte de Dalton Morais Silveira aconteceu no início da tarde desta quarta-feira, em um trecho da Estrada do Ganchinho, no bairro Umbará, em Curitiba. Segundo a PM, o suspeito teria apontado uma arma contra os agentes durante uma tentativa de abordagem, que reagiram à situação.

Em entrevista à Banda B, o tenente Coradin, do 13º Batalhão da PM, comentou que os policiais resolveram abordar o motociclista após notarem que ele estaria pilotando em alta velocidade e o veículo não possuía retrovisores.

“Mas, quando [a equipe] deu sinal, a moto começou a fugir. Só havia o condutor. Nesse momento inicial, os policiais perceberam que o piloto levou a mão até a cintura, mas, até então, ele não sacou nada. Os policiais foram seguindo com mais cautela, já que, por conta desse movimento, ele [motociclista] poderia estar armado. Esse acompanhamento começou na altura de um mercado na Rua Nicola Pelanda, bairro Pinheirinho, e veio até o local onde os disparos aconteceram, aqui no Umbará”, disse Coradin, tenente do 13º Batalhão da PM.

Coradin mencionou que o suspeito sacou a arma após levar a mão à cintura, em uma segunda vez.

Aqui, nas proximidades, onde o indivíduo caiu baleado, o condutor dessa motocicleta novamente voltou a colocar a mão na cintura, só que, dessa vez, sacou um revólver. A equipe viu o revólver, diante da eminente agressão, efetuou disparos que atingiram, um deles, as costas do suspeito. Se sabe que o jovem tem 22 anos e faria aniversário em maio. Ele possuí uma passagem na polícia pelo crime de ameaça com o uso de arma de fogo. Então, possui um histórico de crimes. Não sabemos mais nada da vida dele além disso”, concluiu.

O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para recolher o corpo.

Inquérito

Em nota enviada à Banda B, a Polícia Militar confirmou a apreensão de uma arma de fogo na ocorrência e revelou que um inquérito para investigar o caso foi instaurado. Leia na íntegra:

“Sobre a ocorrência na estrada do Ganchinho, cidade de Curitiba, na tarde desta quarta-feira (21), uma viatura da Polícia Militar após acompanhamento tático realizou intervenção policial que resultou em óbito de um homem de 22 anos e apreensão de uma arma de fogo.

A Polícia Militar do Paraná determinou a instauração de inquérito policial militar, na forma determinada pela lei, para apurar todas as circunstâncias que envolvem a ocorrência. Ao final da apuração, o IPM será remetido ao Ministério Público, a quem cabe o processamento junto à justiça.

A Polícia Militar do Paraná reafirma seu compromisso com o estrito cumprimento das leis e procedimentos protocolares que orientam a atividade policial.”

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Família e amigos protestam contra morte de motociclista que levou tiro da PM: “Nunca andou armado na vida”

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