95% dos atendimentos no Evangélico são SUS. Foto: Venilton Küchler

 

O leilão do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e também da Faculdade Evangélica do Paraná está próximo de sair do papel. Com uma intervenção que já dura quase três anos, o Evangélico sofre para manter o déficit mensal de R$ 1,5 milhão e quitar o total de R$ 400 milhões de dívidas acumuladas. As principais delas trabalhistas. Sem nenhuma condição de gerar caixa e captar mais recursos, o leilão parece ser o ultimato para a sobrevivência do hospital, que atende 95% dos pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a Banda B, o administrador judicial da Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), Ladislau Zavadil Neto, o viés filantrópico do hospital tende a ser mantido pelo novo administrador, pelos benefícios da tributação. “O eventual interessado não vai querer perder esse benefício (filantropia) que gera em abatimento tributário. Para isso, ele tem que comprometer a manter o atendimento ao SUS, como é hoje, e outros benefícios de interesse econômico como que em uma sociedade sem fins lucrativos. Por ser um hospital universitário, esse conjunto da obra, que é tão essencial para a cidade, para a região metropolitana, para o Estado, até fora daqui, não terá mudança significativa, a não ser a melhoria”, acredita o administrador.

Todo o processo de edital até o leilão ser realizado deve demorar entre 30 e 90 dias. O primeiro passo é a divulgação do edital, que deve ser lançado ainda nesse semestre. Embora o leilão seja o caminho certo, Neto calcula que as dívidas estão controladas depois de um acordo administrativo que visa abater tributação paga em dia, por meio do Pro-SUS (Programa de Fortalecimento das Entidades Privadas Filantrópicas e das Entidades sem Fins Lucrativos que Atuam na Área da Saúde e que Participam de Forma Complementar do Sistema Único de Saúde).

“A dívida está se reduzindo de forma significativa pelo fato de o hospital ter se qualificado dentro do Pro-SUS, importantíssimo esse processo. Enquanto o hospital estiver pagando as dívidas tributárias correntes, aquelas que vencem no mês, esse mesmo valor é abatido na dívida tributária passada. Então ela está contida nesse somatório, mas ela não é uma exigência. A exigência é que o hospital pague religiosamente em dia o tributo corrente, então, isso já é um ganho proveniente de um acordo na esfera administrativa”, comemora.

Para o administrador judicial, mesmo com recebimento de verbas federais, estaduais e municipais, o hospital não consegue liquidar antigos credores. “Os aportes sempre foram muito pequenos em valores perante a dívida do hospital, que tem custo mensal de cerca de R$ 10 milhões. Nunca resolveram a questão em si. Eles vieram algumas vezes a mais para compras de materiais, medicação, isso que possibilita a continuidade do hospital. São alguns fundos governamentais ou do governo federal, além dos procedimentos que são pagos pelo SUS. Agora mas nunca veio aporte que tivesse sobra de caixa para reduzir a dívida”, finalizou Neto.