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No rádio, a voz é inconfundível; na TV, é a correria ao fundo da imagem que se tornou marca para a imprensa do Paraná. Com a cobertura do Caso Daniel, que aconteceu ao longo desta semana, o repórter Antônio Nascimento entrou nos 40 anos de atuação em tribunais do júri na Região Metropolitana de Curitiba. Ao longo deste período, ele passou, por exemplo, pelo mais longo julgamento da história do Paraná; além de júris que abalaram a estrutura do poder local, como o Caso Carli Filho.

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Antônio Nascimento e advogada Thaise Mattar Assad, durante júri do Caso Daniel

Apesar de ser dono de uma memória invejável, de uma coisa ele com certeza não lembra mais: o número de vezes em que entrou no tribunal para reportar o passo a passo dos julgamentos e mostrar como justiça pode ser feita.

Questionado com segundas intenções pela equipe da Banda B, ele confirmou: o primeiro júri que cobriu foi no agora distante ano de 1984. Infelizmente, os registros da época são frágeis para detalhar as informações do julgamento, mas do Caso Evandro para cá, isso se torna um pouco mais fácil.

O criminalista Antônio Augusto de Figueiredo Basto, que até hoje atua das defesas de Beatriz e Celina Abagge, destaca que ‘Toninho’ por mais de um mês acompanhou o júri do Caso Evandro, que aconteceu em São José dos Pinhais.

“Foi no júri que conheci nosso querido Toninho, uma pessoa alegre, muito inteligente e sempre preocupada em trazer uma informação precisa aos ouvintes. Ele é um dos maiores repórteres da crônica policial e judicial do Paraná e cobriu por 35 dias o júri do Caso Evandro, em 1998. Ele sempre foi muito respeitoso e preocupado com a atuação da defesa, da acusação e, em especial, dos acusados, trazendo informação sem preconceito tanto para um lado, quanto para o outro”, destacou.

E é também na década de 1990, que um dos principais nomes da defesa criminal começou a atuar no Paraná: Claudio Dalledone. Apesar das conhecidas declarações polêmicas, quando o assunto foi Antônio Nascimento, o resultado foi uma série de elogios.

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Entrevista com Christiane Yared no júri de Carli Filho, em fevereiro de 2018

“O Toninho uma figura icônica da crônica policial, do jornalismo e do Brasil. Para mim, ter a presença dele, olhar para ele, me faz remeter a grandes julgamentos e, principalmente, a seriedade do bom jornalismo. Isso vem aliado a um homem de muito caráter, sobriedade e sempre com um sorriso elegante, que transfere para as pessoas que o circundam uma alegria e uma energia muito positiva”, disse.

Em júris mais recentes, Ygor Nasser Salah Salmen também se tornou referência na presença do júri.

Ele é mais um a citar com carinho as interações com Toninho.

“Trata-se de um profissional diferenciado, competente, apaixonado e que se dedica à profissão há anos. Ele se atualiza e acompanha a modernidade do que é a imprensa. Se destaca pelo carisma, gentileza e, acima de tudo, pela competência. Falar com o Toninho é sempre uma aula de vida e de jornalismo”, comentou.

O júri que faltou

Ao longo desses 40 anos, Toninho participou de diversos júris, mas um em especial ele não pôde estar presente, por determinação da Justiça. Como repórter, ele esteve na Rodoviária de Curitiba quando o corpo de uma criança foi encontrado dentro de uma mala: era a menina Rachel Genofre.

Em 2021, o Tribunal do Júri de Curitiba condenou Carlos Eduardo dos Santos a 50 anos de prisão em julgamento que não contou com a presença da imprensa.

A principal investigadora do caso, delegada Vanessa Alice, cita que possui 27 anos de Polícia Civil e Toninho sempre esteve lá.

“Um grande profissional, de uma competência e seriedade incrível. Isso deixa os profissionais muito mais seguros em repassar informações para a sociedade. Tenho imenso prazer em enaltecer o trabalho desse grande profissional”.

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Denise Mello e Antonio Nascimento com troféu do Prêmio de Jornalismo da Fiep – Divulgação

Referência profissional

Nesses 40 anos, Toninho trabalhou com diversos jornalistas e ajudou a formar diversos atuantes em tribunais do júri. A jornalista e diretora executiva da Banda B, Denise Mello, reforça e exalta a atuação profissional de Antônio Nascimento.

“Eu fico emocionada em falar do Toninho, porque é um privilégio conviver diariamente com esse profissional, esse amigo, há mais de 15 anos. O Toninho sabe contar histórias e tem uma memória impressionante: sabe datas, locais, circunstâncias. Você não precisa consultar o Google, consulta o Toninho e vai ter os detalhes dos principais casos policiais do Paraná. Eu conheci o Toninho lá atrás, ainda no Caso Evandro, mas olhava de longe, sem imaginar que um dia teria o privilégio de conviver com uma pessoa tão especial”, concluiu.

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Evandro, Carli Filho e Daniel: Toninho da Banda B é homenageado ao completar 40 anos cobrindo júris no Paraná

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