Estudo mapeia tipos de violência contra pessoas em situação de rua em Curitiba

A violência física foi a mais denunciada e representa 22% do total das denúncias

Redação

Um estudo desenvolvido na  Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) analisou casos que envolvem pessoas em situação de rua em Curitiba e Região Metropolitana. Entre maio e novembro de 2022 foram mapeadas uma série de ocorrências que envolveram violência física. Os números em questão não correspondem a totalidade das ocorrências.

Estudo mapeia tipos de violência contra pessoas em situação de rua em Curitiba
Violência física foi a mais denunciada em Curitiba. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A violência física foi a mais denunciada, representando 22% do total. Em seguida, aparecem as denúncias de discriminação (18%), de violência psicológica (18%), de negligência (17%), e de violência institucional (15%). Outras categorias somaram 10%. Dentro de violência institucional foram consideradas denúncias envolvendo abuso policial, abuso de autoridade, retirada de pertences, descaso de atendimento, remoção forçada e superlotação de abrigos.

A análise dos dados foi realizada na dissertação de mestrado de Isabele Cristine Gulisz. Ela deriva de um trabalho do Observatório Estadual de Direitos Humanos da População em Situação de Rua do Paraná, criado em 2021 através da articulação de entidades sociais, grupos acadêmicos e os conselhos profissionais de Psicologia e Serviço Social. 

Em entrevista à Banda B, o professor da PUC-PR, Rodrigo Alvarenga, que orientou a pesquisa, conta como veio a ideia de realizar o estudo. No período analisado, ocorreram 30 casos. Cada um deles poderia envolver simultaneamente denúncias de diferentes formas de violência.

“Entre nós na pandemia começamos a monitorar essa situação de pessoas em situação da rua em função da preocupação com o fechamento de comércio e restaurantes na região central. A gente então passou a auxiliá-los, fazer trabalho voluntário. Percebemos essas ocorrências que chegavam de agressão, preconceito. Então, surgiu a ideia de começar a monitorar essa situação e desenvolver uma pesquisa acadêmica com base nessas denúncias”

De acordo com o professor, a maior parte das pessoas que participaram estavam na rua entre seis meses e um ano. “Pelo empobrecimento acabaram nessa situação e estão mais propensas também a denunciar. Muitas vezes, uma pessoa que já está há 10 ou 20 anos em situação de rua nem acredita mais na denúncia. Já desistiu de procurar os seus direitos”, disse o professor à Agência Brasil.

Discriminação

Rodrigo destaca que uma percepção com a pesquisa é de que há uma prática considerada cultural em Curitiba para que se mantenha uma cidade sem pobreza. Para isso, há o uso de agressão e violência contra pessoas situação de rua.

“Ao invés de contribuir para a gestão de políticas públicas nós recebemos que existe simplesmente uma prática de construir lugares para que essas pessoas possam frequentar espaços fora da cidade, longe dos espaços públicos”

A concepção de que a cidade é limpa e ecológica, segundo o professor, faz com que pessoas em situação de rua sofram com violência. Outro dado da pesquisa mostra que há cinco casos de mortes de pessoas em situação de rua. Em três deles, as causas não foram identificadas. Um envolveu um crime de homicídio, mas o estudo não obteve informações do agressor. O outro caso, a suspeita é de hipotermia.

Para acessar outros detalhes da pesquisa clique aqui

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