Alunos e educadores do Colégio Bagozzi fizeram, na manhã desta sexta-feira (28), um ato pela paz na praça da Igreja do Portão, em frente à escola, quatro dias após uma estudante de 13 anos ser atingida por uma bala perdida durante um tiroteio provocado por uma discussão por futebol. O evento reuniu dezenas de estudantes e professores.
A manifestação foi anunciada pelo colégio em nota enviada à imprensa. Embora o tiroteio tenha acontecido fora das dependências da instituição, o colégio decidiu se mobilizar para transformar a dor causada pelo ataque em um movimento de reflexão.
“Na nossa escola, nós sempre trabalhamos pautados na valorização da vida. Sempre promovemos a cultura da paz, mas há momentos em que é importantíssimo parar para fortalecer isso”, afirmou a diretora do colégio, Luciana Venere.
Segundo ela, a semana foi marcada por atividades e vivências internas sobre convivência e respeito. “Infelizmente, o ocorrido encheu o nosso coração de tristeza. Mas, graças a Deus, nossa aluna passa bem. Os estudantes ficaram bastante comovidos, e esse ato reforça ainda mais a valorização da cultura da paz”, completou. A diretora também defendeu o reforço da segurança no entorno do colégio.
O padre José Neto, da paróquia ligada ao colégio, destacou que o encontro simboliza uma reação direta ao episódio que deixou a comunidade preocupada. “Não é mais possível que a gente não consiga conviver com o contraditório, com quem pensa diferente, com quem torce diferente. Nós não podemos normalizar a violência”, disse. Para ele, a manifestação é um recado claro: “É um grito para dizer que queremos um mundo diferente.”
O tiroteio
A aluna ferida durante o ataque foi atingida por uma bala perdida na região da coxa. O caso aconteceu no final da tarde da última segunda-feira (24), próximo a uma banca e em frente ao Colégio Bagozzi.

Além dela, um jovem, de 19 anos, foi atingido por tiros. Os disparos feito pelo suspeito perfuraram as costas e o braço dele. Familiares relataram que ele e o atirador teriam trocado ofensas minutos antes do ocorrido. Pouco depois, o autor do ataque voltou armado e disparou. Ambos não se conheciam.
Segundo a Polícia Militar (PM), a estudante baleada foi atingida por uma bala perdida na coxa esquerda. O projétil atingiu a região do fêmur, e ela foi socorrida sem risco de morte a um hospital.
A confusão teria começado após uma briga envolvendo torcedores. O jovem, de 19 anos, discutiu homem que vestia uma blusa de torcida organizada do Coritiba. Em seguida, o suspeito sacou uma arma e atirou ao menos três vezes.
Vídeo obtido pelo Bora Paraná (Band), registrado por volta das 18h35, mostra o torcedor de uma organizada caminhando pela calçada próxima ao colégio, carregando uma sacola em uma das mãos e uma caixa na outra.
Quatro minutos depois, às 18h39, o suspeito aparece do outro lado da rua, agora sem sacola ou qualquer objeto nas mãos. Ele mantém uma das mãos, porém, dentro do bolso e olha algumas vezes para trás.
Cerca de 30 segundos mais tarde, algumas pessoas, entre elas uma criança, aparecem indo ao chão dentro de uma barbearia para não serem atingidas pelos tiros. O torcedor, que aparecia com blusa verde, surge correndo pela calçada.
“A discussão começou por futebol com um indivíduo com blusa de torcida organizada. Esse indivíduo sacou uma arma, efetuou disparos contra um rapaz e atingiu também uma adolescente que não tinha nada a ver com a situação. Foi um horário de muito movimento, muitas pessoas ficaram bastante assustadas”, disse o aspirante Cabral, da Polícia Militar.
Em nota, a Polícia Civil informou que ainda tenta identificar o autor dos disparos. “A PCPR também solicita a colaboração da população com informações que auxiliem na identificação do suspeito. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 197 da PCPR, 181 do Disque-Denúncia ou diretamente à equipe de investigação”, pediu.








