Camille Marques, uma estudante de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba, recorreu às redes sociais para pedir ajuda financeira para tentar seguir com o sonho e desejo de ajudar o próximo e finalizar a graduação. O apelo emocionante começou a viralizar na web.
Aos 26 anos, Camille está prestes a iniciar o 5º e penúltimo ano do curso, mas vive uma situação econômica crítica que ameaça interromper a formação médica construída após anos de esforço.
Antes de ingressar na universidade, a jovem passou quatro anos em cursinhos preparatórios, priorizando exclusivamente uma vaga na Universidade Federal do Paraná, já que cursar uma faculdade particular era impensável diante da realidade financeira da família.
Em 2021, enquanto ainda aguardava aprovação em lista de espera, a família foi surpreendida pelo agravamento do estado de saúde do pai, internado com Covid-19. No vigésimo dia da internação, Camille recebeu a notícia da aprovação na Universidade Positivo.
Com a ajuda de amigos próximos e de uma familiar, conseguiu efetivar a matrícula. Pouco depois, o pai apresentou piora significativa, evoluiu para uma parada cardiorrespiratória na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou com sequelas neurológicas graves. A mãe, que assumiu integralmente os cuidados do marido, precisou deixar o trabalho e ficou desempregada.
Em janeiro de 2022, a estudante de medicina conseguiu transferência para a PUCPR. Apesar de estar no quarto período na instituição anterior, precisou retroceder um ano na nova universidade, o que prolongou a graduação.
Ela relata que, mesmo com a validação de diversas disciplinas, não houve redução no valor da mensalidade. Desde então, tentou diversas vezes acessar o financiamento estudantil oferecido pela instituição, sem sucesso.
“Apesar de ter validado muitas matérias, a PUC não me permitiu reduzir o valor da mensalidade. Desde então, eu venho tentando o financiamento que a PUC disponibiliza, o CredIES. Já foram mais de quatro tentativas. Nós não conseguimos por não atingir a renda per capita mínima que eles exigem”
desabafou.
Para manter os estudos e arcar com despesas acumuladas durante o período em que a mãe esteve desempregada, a família vendeu a casa e utilizou toda a reserva financeira. No ano passado, a situação se agravou ainda mais.
Camille passou a conciliar os estudos com trabalho noturno em um shopping para ajudar nos gastos domésticos. Mesmo assim, os recursos se esgotaram.
Atualmente, para conseguir se matricular, a estudante precisa quitar o semestre anterior, cujo valor pendente ultrapassa R$ 100 mil. Diante desse cenário, ela decidiu tornar pública a própria história e pedir apoio financeiro para não precisar trancar o curso na reta final.
“Qualquer coisa vale a pena pelo sonho que eu tenho, pelo desejo que eu tenho de fazer pelas pessoas o que fizeram por mim e pela minha família”
explicou.
Ela destaca que qualquer valor pode ajudar a evitar a interrupção da graduação e pede que, quem não puder contribuir financeiramente, ajude compartilhando a campanha para ampliar o alcance do pedido.
Até a produção desta reportagem, a vaquinha aberta pela estudante havia acumulado mais de R$ 40 mil. As doações podem ser feitas por meio de uma vaquinha online ou via Pix: (41) 99920-4994.

