Na loucura das cidades, eles às vezes passam despercebidos. Mas deveríamos valorizá-los ainda mais. Você já parou para pensar o que seria da cidade sem o trabalho dos garis? Nesta sexta-feira (16), data em que se comemora o Dia do Gari, um evento especial promovido na sede da CAVO, em Curitiba, transformou a rotina de quem, todos os dias, transforma a cidade.
Em clima de festa e reconhecimento, os garis da capital foram celebrados com carinho, música e palavras de gratidão — e entre todos os homenageados, um deles roubou a cena: Vanderlei Corrêa, mais conhecido como o Gari Cantor.
Com 17 anos de dedicação à limpeza urbana, Vanderlei emocionou os colegas e convidados ao subir no palco e cantar uma composição própria.
“Eu componho desde os 15 anos de idade. E hoje a empresa, reconhecendo o nosso talento aí, nos deu essa oportunidade de estar se apresentando com essa canção”
contou emocionado.
A apresentação arrancou aplausos e fez do evento um momento de celebração do talento e da alma de quem veste o uniforme laranja com orgulho. Um dos trechos da música composta pelo gari destaca a rotina:
“De laranja, varrem a rua. Com dedicação e amor. Sol a pino ou madrugada, levam no rosto seu valor”
diz a música.
A rotina, como ele mesmo diz, começa cedo, com energia e companheirismo.
“O pessoal chega animado, se encontra com os colegas, alegre, como vocês podem ver aí, toma o seu café, depois vai para o setor de trabalho fazer a limpeza da cidade”
descreve.
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Apesar de já ter enfrentado o preconceito, Vanderlei escolhe enxergar o lado positivo da profissão.
“O preconceito é normal, né? Faz parte, eu acho que sempre existiu, mas também tem o lado bom, que a gente sempre é recebido por pessoas que reconhecem o nosso trabalho e sempre nos incentivando a cuidar da cidade. É uma maravilha poder ver nossa cidade limpa”.
Exemplo para o mundo
A diretora de assuntos sindicais do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Pública, Limpeza Urbana, Ambiental e de Áreas Verdes de Curitiba (Siemaco), Maria Louredes Pacondes, reforçou o valor dos garis para Curitiba, cidade reconhecida por sua limpeza exemplar.
“Você, munícipe, que encontra a nossa cidade linda, limpa, né? Um exemplo pro mundo todo. São esses meninos que estão aí na rua coletando, limpando, varrendo, para deixar a nossa cidade desse jeito, maravilhosa”
destacou Maria Louredes.
Ela também lembrou que Curitiba é modelo internacional de gestão de limpeza urbana.
“Vêm vários países ver como nós praticamos aqui a limpeza, aqui em Curitiba, ver o modelo. Então a gente fica muito feliz, muito satisfeito de ser uma referência nacional e mundial”
completou.
Dedicação
Segundo dados da Prefeitura de Curitiba, a capital paranaense tem 2.470 profissionais que saem às ruas todos os dias para cuidar da limpeza de Curitiba, faça frio ou calor.
Esses profissionais coletam, em média, 100 toneladas de lixo reciclável (Lixo que Não é Lixo) e 1.500 toneladas de lixo orgânico domiciliar por dia. Todos são responsáveis pelo cuidado, manutenção, conservação e limpeza pública da cidade, que é exemplo para o Brasil.
O mesmo sentimento de orgulho do Gari Cantor é compartilhado pelos varredores Maria Eliete da Silva Antão, 59 anos, que trabalha na Praça Rui Barbosa, e Lourival Bueno, 59, que trabalha na Praça Santos Andrade.
“Nosso trabalho é um cuidado com a cidade, adoro fazer o meu trabalho todos os dias”
disse Maria Eliete, que atua há 14 anos na varrição das ruas.
Lourival Bueno trabalha na limpeza pública há 20 anos.
“A gente faz esse trabalho com respeito e muito amor pela nossa cidade. Gosto muito do que eu faço”
disse Bueno.
Origem do termo
De acordo com a Lei Municipal 12.005/2006, que propôs a homenagem, o termo gari faz referência ao francês Pedro Aleixo Gary, fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do Rio de Janeiro, em 1876. No entanto, a categoria só foi instituída em 16 de maio de 1962, data que ficou conhecida como o Dia do Gari.