A dentista Kauane, de 24 anos, que foi mantida em cárcere privado e agredida pelo namorado, em dezembro de 2025, apresentou um novo relato das violências sofridas e conta que não consegue mais sair sozinha de casa, além de ter tonturas persistentes e perdas auditivas decorrentes das agressões. 

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Kauane e Valdirene deram entrevista à Ric RECORD e contaram sobre a violência. Foto: Reprodução/Ric RECORD.

“Não tem sequer um dia que eu não lembre de cenas, de frases e de momentos, então eu fico revivendo aquilo” – afirmou em entrevista a Ric RECORD

De acordo com Kauane, a rotina de exames continua, já que ela apresenta uma perda auditiva importante no lado direito. 

“Com os socos e agressões ele estourou todo o lado direito do meu tímpano, tenho chance de recuperar com cirurgia, mas é mínima. Eu sinto muita tontura também e são sintomas que eu não tinha”. 

Devido ao trauma, a mulher não consegue mais sair de casa sozinha, mesmo para desempenhar suas atividades profissionais. A mãe a acompanha até o consultório odontológico e aguarda a filha realizar os atendimentos. 

Mudança na rotina da família 

O pai da vítima, Valdinei Moreno, relata que a rotina envolve mais ações de cuidado e prevenção.

“Nós mudamos a nossa rotina, ela não sai mais sozinha, a gente acompanha e sempre damos uma vigiada antes de sair de casa, para saber como está o movimento na rua”.

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Foto: Reprodução/Ric RECORD.

A mãe, Valdirene de Souza, é profissional da saúde e estava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) quando a filha deu entrada no local, após as agressões. 

“Ela chegou na UPA com todas aquelas agressões e hematomas, para eu atender. Nós, da área da saúde, estamos ali prontos para ajudar qualquer pessoa, mas não nossa família. Eu como mãe sofri muito ao ver minha filha assim”. 

Acusado preso 

O suspeito foi preso no dia 11 de dezembro de 2025 e responde por tentativa de feminicídio, estupro de vulnerável, tortura, lesão corporal, ameaça e registro não autorizado de intimidade sexual. O relacionamento do casal durou sete meses. 

Valdeci de Souza, advogado de Kauane, afirma que outras vítimas do homem foram identificadas. 

“Chegou ao nosso conhecimento que tem outras vítimas desse rapaz, que foram ameaçadas e não chegaram a denunciar. Agora, que estão vendo a reportagem da Kauane, vamos ver como serão os próximos passos”.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná, a mulher procurou a corporação após sofrer novas agressões no dia 7 de dezembro. À polícia, ela contou que, naquela data, foi mantida em cárcere por cerca de 12 horas, período em que sofreu agressões físicas, psicológicas e ameaças de morte. Segundo o relato, ela foi espancada com socos, chutes, puxões de cabelo e chineladas, além de sofrer injúrias constantes. As agressões só cessaram quando a jovem conseguiu fugir da residência.