Todos os dias, milhares de haitianos deixam o país em busca de uma vida melhor. Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o país mais pobre das Américas, o Haiti enfrenta uma realidade marcada por crises econômicas, violência e instabilidade política.

Curitiba, 06022025. Foto Pedro Ribas SMCS
Curitiba, 06/02/2025. Foto: Pedro Ribas/SMCS

A situação se agravou ainda mais após o terremoto de 2010, que matou cerca de 300 mil pessoas. Desde então, o cenário de insegurança, com a atuação de gangues armadas, fez com que muitos buscassem refúgio em outros países.

Entre esses destinos está o Brasil. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, quase 300 mil haitianos vivem atualmente no país.

Chegada sem nada e apoio essencial

Uma dessas histórias é a da costureira Regiane Lebrun, de 42 anos. Há quase 13 anos no Brasil, ela encontrou em Curitiba a chance de recomeçar.

Quando chegou à capital paranaense, Regiane não falava português, não tinha emprego e nem recursos para se manter. Foi então que conheceu o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), que se tornou o ponto de partida para mudar sua realidade.

“O CRAS começou a me ajudar. Por mais de dois anos recebi cesta básica. Eles ajudaram muito mesmo”, relembra Regiane.

Ela conta que, mesmo em momentos difíceis, chegou a abrir mão de benefícios para que outras pessoas também fossem atendidas.

Acesso à saúde e assistência

Durante o período em que precisou de ajuda, Regiane também enfrentou problemas de saúde. Após machucar as costas, precisou de acompanhamento médico e de atividades como hidroginástica.

Mais uma vez, o suporte veio por meio da assistência social.

“Eles fizeram meu cadastro e conseguiram a vaga no mesmo dia para eu fazer a hidroginástica”, conta.

Além disso, recebeu orientações sobre benefícios e serviços disponíveis, especialmente para cuidar dos filhos, que também precisaram de atendimento.

Vida reconstruída em Curitiba

Hoje, a realidade é bem diferente. Regiane trabalha como auxiliar de cozinha, mora na ocupação Primavera, no bairro São Miguel, e afirma estar feliz com a vida que construiu no Brasil. “Eu estou super feliz. Vendi tudo que tinha lá e comprei uma casa aqui. Não tenho mais nada no Haiti, minha vida é aqui”, diz.

Com o tempo, ela conquistou autonomia e deixou de depender da assistência, reconhecendo que outros poderiam precisar mais naquele momento.

Ajuda a outros haitianos

A experiência fez com que Regiane passasse a ajudar outros imigrantes que chegam ao Brasil em situação de vulnerabilidade.

Ela orienta compatriotas sobre onde buscar apoio, documentação e serviços públicos — sempre indicando o CRAS como porta de entrada.

“É o CRAS que me informa o que fazer, passa endereço, número, agenda atendimento. Eu consegui ajudar muitos haitianos assim”, afirma.

Sonho de permanecer no Brasil

Antes de chegar ao país, Regiane ainda enfrentou outro desafio: foi deportada de um país da América Central. Mesmo assim, persistiu até conseguir se estabelecer no Brasil.

Hoje, o desejo é continuar por aqui.

“Meu sonho é ficar no Brasil para sempre. Meus filhos estão aqui, tenho minha casa. É o melhor país para morar”, conclui Regiane.