A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) criou ‘asas’ e voou para a superprodução de uma série da Netflix. Rappers da CIC estão atuando em “Irmandade”, série que estreou no dia de 25 de outubro e já está passando em 190 países.

A história se passa nos anos 90, em São Paulo, e conta a história de Cristina, uma advogada do ministério público que, depois de 20 anos, encontra o irmão dela, Edson, em cárcere privado e descobre que ele faz parte de uma facção criminosa. Ao se envolver com a facção, ela começa a perceber que existe um problema sério na estrutura prisional do Brasil e então começa a questionar os valores sobre lei e justiça.
“A série acontece durante a copa de 94. Nesse período, o Brasil tinha 90 mil presos e hoje tem 700 mil. É um saldo de 400 % de pessoas encarceradas em todo o país. Essa é uma série muito atual, pois é notório que o problema não resolveu. As políticas públicas ainda não alcançam essas pessoas”, disse o rapper, ator, produtor e diretor, Mano Cappu.
Cristina é interpretada por Naruna Costa e Edson por Seu Jorge. Os curitibanos Hauly, Menthor, Betinho Celanex e Mano Cappu são músicos do selo CWBlack e participaram do elenco. Além disso, Irmandade foi gravada na Penitenciária Central do Estado (PCE), localizada em Piraquara, região metropolitana de Curitiba.
Pedro Morelli é o responsável pela direção geral e Aly Muritiba e Gustavo Bonafé na direção. A série também contou com vários atores da capital.
“Quando o diretor da série disse que ela seria gravada aqui na PCE, me disse que precisava de vários atores para gravar essa série. Então fizemos a correria. Chamamos várias pessoas da periferia também. Saímos da margem e vamos para o centro, mostrando que as regiões de periferia estão ocupando esses lugares”, explicou Cappu.
Na série, Cristina leva às pessoas muitas reflexões. Para Cappu, quem assiste Irmandade compreende a advogada, mas também pode ficar com raiva dela. “Fiquei injustamente na prisão. Se não fossem os livros e minha família, provavelmente, não sei se, mesmo sendo inocente, a pessoa não começa a avaliar como a Cristina. Quem assistiu à série, compreende várias vezes a advogada, mas muitas vezes fica com raiva dela. Isso é muito brutal. Me dói ver que muitas pessoas não querem compreender”, ressalta.
O rapper conta que ficou 18 meses em cárcere e explica que a mudança aconteceu com os livros. “Essa vivência que tive de forma injusta contribuiu, de alguma forma, para que eu fosse projetado a estar nesse lugar e falar sobre isso hoje. Acredito muito na educação. No meu tempo de aprisionado eu li mais de 40 livros que achava lá dentro, as vezes pela metade. E fui lendo para não ceder ao convite de uma facção. Além disso, o rap também me projetou para o que estou vivendo hoje”, esclareceu.
A arte que liberta
Assim como a educação, para o happer, a série vem para mostrar que a arte liberta. “Você vê essas pessoas que estão no cárcere, sem perspectiva nenhuma de vida, ai chega alguém que passou pelo mesmo problema e está trabalhando com a arte, isso dá um novo sentido para muita gente. É isso que arte faz na minha vida, hoje faço palestras em universidades sobre essa questão, além dos shows musicais”, explicou.
Rodrigo Pinheiro, de 32 anos, mais conhecido como Mano Cappu, foi preso em junho de 2011 e ficou até o dia 28 de dezembro de 2012. No dia 4 de maio de 2017, ele foi absolvido. “Me acusaram sem provas de homicídio. Nunca acharam provas, armas, nada. Mas no Brasil, o jovem negro da periferia é culpado até que se prove o contrário. Vou usar a arte o máximo que eu puder, para poder a abrir os olhos das pessoas, finalizou Cappu.
A história de Cappu no sistema prisional poderá até virar filme.
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Confira o trailer oficial de Irmandade: