O prefeito Rafael Greca, ao lado do vice-prefeito Eduardo Pimentel, entregou, nesta quinta-feira (27/6), no Parque Tanguá, os primeiros sete ônibus elétricos que passam a integrar a frota da capital. Greca deu início efetivo ao grande programa de eletrificação do transporte coletivo, um dos pilares para tornar Curitiba ainda mais sustentável e neutra em emissões, dentro do Plano de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas (PlanClima).

São seis ônibus da marca BYD que vão atender as linhas 010-Interbairros I (horário) e 011- Interbairros I (anti-horário) e um veículo da marca Volvo, que vai operar a linha 863-Água Verde.

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O prefeito Rafael Greca, ao lado do vice-prefeito Eduardo Pimentel, secretários , vereadores e demais autoridades,entrega, no Parque Tanguá, os primeiros sete ônibus elétricos que passam a integrar a frota da capital. 27/06/2024. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

“Hoje faz 72 anos que desligaram os bondes elétricos que faziam a linha Praça Tiradentes-Portão. Daí veio a ideia de, no mesmo caminho dos bondes elétricos, o Jaime Lerner fazer os ônibus expressos. Era 1974. Na época, começou o sistema de transporte coletivo de Curitiba que evoluiu aos BRTs, que chegou à rede integrada metropolitana de transporte e que agora nos trouxe a esse dia”, disse Greca.

“Essa praça tão linda, que é o Parque Tanguá, é o cenário do desembarque dos ônibus elétricos. No momento, são sete.  Os primeiros sete, que estão fazendo história no transporte coletivo. Curitiba é uma cidade que tem o meio ambiente como prioridade, que tem foco em reduzir o aquecimento global. Queremos que a nossa população e as próximas gerações tenham um futuro melhor”, declarou o prefeito.

Eduardo Pimentel comentou que Curitiba é conhecida por ser uma cidade sustentável, que planeja um futuro melhor.

“Essa entrega dos primeiros ônibus elétricos mostra que nossa cidade pode planejar muito bem e também sabe colocar em prática o que é planejado, com parceria e diálogo”, disse Pimentel.

Linhas contempladas

As linhas 010-Interbairros I (horário) e 011-Interbairros I (anti-horário), que juntas transportam 2,5 mil passageiros por dia e percorrem 14 bairros da capital, passam a ter uma frota 100% elétrica, com a substituição integral dos ônibus movidos a diesel pelos elétricos da BYD. A operação começa em 15 de julho, com três veículos em cada sentido.

A linha 010-Interbairros I (horário) tem trajeto de 18 quilômetros e a 011-Interbairros I (anti-horário) de 19,5 quilômetros, passando pelos bairros Centro Cívico, Bom Retiro, Mercês, Bigorrilho, Batel, Água Verde, Rebouças, Parolin, Prado Velho, Jardim Botânico, Alto da Rua XV, Hugo Lange, Alto da Glória e Juvevê. O tempo de viagem é de 75 minutos.

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Entrega dos primeiros sete ônibus elétricos que passam a integrar a frota da capital. 27/06/2024. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

Já o modelo Volvo vai operar na linha 863-Água Verde, que liga o bairro ao Centro, a partir de meados de agosto. A linha, com 13 quilômetros, transporta cerca de mil pessoas por dia e passa a ter 50% da frota elétrica.

O investimento total, realizado pelas empresas, é de R$ 23 milhões, entre veículos e infraestrutura de recarga nas garagens. 

Meta de descarbonização

O projeto de descarbonização da frota de Curitiba é considerado referência no País por reunir desde um amplo programa de testes da tecnologia até o novo modelo de concessão, em 2025, que já contemplará matriz energética não poluente.

“Desde 2018 estamos trabalhando no projeto de introdução de veículos elétricos no transporte coletivo, com vários workshops, pesquisa de mercado, mapeamento do setor, estudos, chamamento público de testes com ônibus elétricos. A eletromobilidade, com essa compra, torna-se real para a população que utiliza o transporte coletivo da cidade. Os usuários terão um meio de deslocamento não poluente, sem ruído e com conforto”, afirmou o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto.  

A meta é que, até 2030, 33% da frota de ônibus da capital seja zero emissões, percentual que deve alcançar 100% até 2050.

BYD

O ônibus BYD, modelo D9W, tem 13,2 metros, com carroceria Caio, capacidade para 90 passageiros, autonomia de 250 quilômetros e tempo de carregamento de duas a quatro horas. 

“Curitiba mais uma vez dá um enorme passo para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida da população iniciando a eletrificação da frota. Os ônibus da BYD foram aprovados em testes e os moradores da cidade vão contar com o que há de mais moderno, sustentável e com conforto”, afirma Bruno Paiva, diretor da divisão de ônibus da BYD. 

Segundo a BYD, cada ônibus elétrico evita, em média, a emissão de 118,7 toneladas de CO2 ao ano na atmosfera, o equivalente ao plantio de 847 árvores por veículo.

Volvo

Com capacidade para 85 passageiros e 12,6 metros, o ônibus Volvo BZL foi desenvolvido em parceria pelas equipes do Brasil e da Suécia e tem entre 250 e 300 quilômetros de autonomia de bateria, com tempo de recarga de duas a quatro horas.

O veículo tem carroceria Marcopolo, duas portas e é de piso baixo. “A Volvo tem uma cooperação histórica com a cidade, em dezenas de projetos de veículos especiais para o sistema público de transporte, com foco em segurança, eficiência e redução de emissões por passageiro transportado. A entrega do Volvo BZL 100% Elétrico é mais um passo nessa mesma direção”, afirma André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina.

“Os modelos atendem às especificações técnicas previstas pela Urbs, que foram elaboradas de acordo com os testes realizados com várias marcas de ônibus”, diz Celso Ferreira Lucio, gestor da área de especificação e inspeção de frota.

Os ônibus elétricos serão os primeiros da frota de Curitiba com ar-condicionado, para melhor conforto térmico dos passageiros. Têm piso baixo para melhor embarque e desembarque de pessoas com mobilidade reduzida e ainda contam com entradas USB para recarga de celulares e sistema de anúncio de fechamento das portas.

Contam também com 20% dos bancos reservados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, plaquetas em braile com identificação do veículo e dois espaços para cadeirantes.

Nos próximos dias motoristas serão treinados para iniciar a operação dos elétricos. Serão 49 motoristas, sendo nove mulheres, como Salete do Rocio, que já vem participando dos testes de elétricos desde o ano passado. “O ônibus elétrico traz conforto tanto para o motorista quanto o passageiro. É silencioso, sem ruído, muito bom para todos”, disse.

O fornecimento energia será feito pela Copel. Quatro estruturas de recarga foram montadas nas garagens para atender a recarga dos veículos. Serão duas recargas por dia. Uma noturna e outra no meio do dia, com no máximo 2 horas, entre os horários de pico.

Vem aí

Além dos sete elétricos entregues nesta quinta-feira, a Prefeitura de Curitiba vai comprar mais 54 veículos com recursos de R$ 380 milhões do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal. “Estamos reunindo todas as documentações para o credenciamento junto ao governo federal e esperamos receber o recurso ainda em 2024 para que a compra dos veículos possa ser realizada e entrada em operação no transporte coletivo no próximo ano”, diz Maia Neto.

Os veículos, articulados, devem circular nas linhas novo Inter 2 (piso alto) e Interbairros II (piso baixo). Os recursos previstos no PAC vão bancar tanto a compra dos veículos como a infraestrutura de recarga dos ônibus que será necessária para o funcionamento dos veículos elétricos. Também já foi aprovado, na Câmara Municipal de Curitiba, o projeto para a aquisição de 70 ônibus, com investimento de R$ 317 milhões. 

Tarifa mantida

Mesmo com a implantação de uma nova tecnologia no transporte coletivo, a tarifa social, hoje de R$ 6, será mantida em 2024. Como a aquisição de veículos elétricos não estava prevista no atual contrato de concessão, foi firmado um aditivo, que estabelece as normas para a aquisição, compra e suprimento de energia.

A operação dos elétricos será computada na tarifa técnica, mas de maneira segregada para acompanhamento mês a mês dos custos de manutenção, depreciação e amortização dos veículos.

“O preço de entrada do veículo elétrico é maior, mas ao longo da vida útil, incluindo os custos de troca de bateria, o veículo movido a energia é mais barato que o movido a combustão”, acrescentou Maia Neto.

Assim como ocorre com a frota a diesel no atual contrato, a frota elétrica será revertida, ao final da concessão, às empresas.

Nova concessão

O novo contrato de concessão do transporte coletivo, previsto para 2025, que está sendo formatado em parceria com o BNDES, já contemplará, na sua origem, a operação também de frota elétrica e redução de emissões de gases de efeito estufa.

Os dois grandes projetos do transporte coletivo em andamento – novo Inter 2 e BRT Leste-Oeste – terão frota elétrica.

Testes

Como parte do programa de descarbonização, Curitiba vem executando, desde o ano passado, testes de modelos de ônibus elétricos no transporte coletivo. Até agora, já foram testados sete veículos elétricos das marcas Eletra, Volvo, Marcopolo e BYD. Na sequência, devem entrar em teste as marcas Volkswagen e Ankai, Mercedes-Benz e Volvo.

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Curitiba recebe os primeiros 7 ônibus elétricos do transporte coletivo; confira as linhas atendidas

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