O som do rádio e a imagem da televisão ecoaram com força nesta quarta-feira (24), em Curitiba. Começou oficialmente o 27º Congresso Paranaense de Rádio e Televisão, um dos encontros mais importantes da comunicação brasileira. O evento, realizado pela AERP em parceria com o SERT-PR, não apenas celebrou os 50 anos da associação que reúne mais de 320 emissoras no estado, mas também escancarou os dilemas e as transformações que desafiam a radiodifusão no século 21.

Com o tema “Interatividade, Confiança e Transformação”, o congresso reúne empresários, profissionais, especialistas e autoridades para discutir os caminhos da comunicação no Brasil.
Painéis, debates e feira de equipamentos prometem revelar tendências e reposicionar rádio e TV como protagonistas em meio à avalanche de desinformação e à revolução digital.
Convênio histórico com o Detran-PR
A abertura já foi marcada por um anúncio de impacto: a assinatura de um convênio entre a AERP e o Detran-PR, que prevê a utilização do rádio como arma estratégica em campanhas educativas de trânsito. O modelo segue os moldes do famoso Convênio Copel, consolidando a comunicação como aliada na prevenção de acidentes e na conscientização de motoristas e pedestres.
Para o presidente da AERP, Rodrigo Martinez, a parceria reforça o papel vital da radiodifusão.
“Vale lembrar que nossas emissoras são empresas de tecnologia, que incorporam inovação diariamente em seus processos, plataformas e formas de entrega de conteúdo. Não à toa, chegamos até aqui celebrando 103 anos do rádio e 75 anos da televisão no Brasil, duas trajetórias que se sustentam justamente por essa credibilidade e proximidade com a sociedade”
destacou Rodrigo Martinez.
A luta contra as fake news
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), aproveitou o palco para reforçar a importância da credibilidade dos veículos de comunicação em tempos de crise de informação.
“Para mim, é uma alegria, como prefeito da cidade receber o encontro de quem tem, diariamente, o compromisso com a sociedade de levar informação de credibilidade a todos. (…) Nesses tempos de tanta desinformação, o rádio e a TV são veículos fundamentais para levar informação de credibilidade para a população do nosso país”
disse Eduardo Pimentel.
Meio século de história
O congresso também foi palco de emoção. Agostinho Seleski, fundador e primeiro presidente da AERP, relembrou como tudo começou, em um escritório improvisado e com pouco mais de 40 emissoras associadas.
“Na época, a associação regional transformando em estadual já 40 e poucas emissoras, e transferindo a sede para Curitiba. A sede da associação era no meu escritório, da Sociedade Rádio Princesa. Alugamos uma sala aqui na Avenida Rio Branco, e começamos a associação. Foi o início da associação das emissoras de rádio e televisão do Paraná”
recordou Agostinho Seleski.
A celebração dos 50 anos foi coroada com o lançamento do livro “Do Sonho à Realidade”, resgatando a trajetória da entidade que ajudou a moldar a radiodifusão paranaense.
Autoridades em peso
A cerimônia contou com a presença de nomes de peso da política e da comunicação: o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; o senador Sergio Moro; o vice-governador Darci Piana; o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, além de representantes da Anatel e do MCom. Curi destacou o impacto econômico do setor.
“São 50 anos de uma belíssima história e bons serviços prestados ao Paraná. Não considero publicidade gasto, considero investimento, porque a partir do momento que você investe numa mídia numa rádio, a rádio gera empregos, paga seus impostos e a rádio hoje tem levado a boa informação do poder legislativo para o cidadão paranaense. Esse congresso é fundamental”
disse Alexandre Curi.
Entre tradição e futuro
Em meio às homenagens, a mensagem foi clara: o rádio e a TV seguem vivos, pulsantes e desafiados. De um lado, a tradição que consolidou a credibilidade da comunicação paranaense; de outro, a pressão da interatividade e da tecnologia que empurra os veículos para a reinvenção.
O Congresso Paranaense de Rádio e Televisão vai até quinta-feira (25), colocando Curitiba no centro do debate nacional sobre o futuro da comunicação.