O clima de Curitiba está mudando? Essa é uma pergunta que muitos curitibanos e moradores da capital realizam com frequência, principalmente diante dos dias mais quentes. A resposta pode não agradar a todos, mas sim, o cenário da cidade tem se transformado ao longo dos anos.

Imagem mostra o Parque Barigui em Curitiba com geada. O gramado está coberto. Atrás aparecem os prédios. Com o clima mudando, geadas não são tão comuns mais.
O clima de Curitiba está mudando aos poucos. Foto: Ricardo Marajó/FAS

De acordo com o doutor e professor Pedro Fontão, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a classificação climática mais utilizada no mundo, chamada Köppen (QP), define o clima de Curitiba como “Cfb” ou subtropical úmido.

O motivo da classificação chega até a ser um pouco curioso: a localização do município é resultado de uma combinação complexa de fatores geográficos e atmosféricos.

Por que o clima de Curitiba é mais frio do que em outras capitais?

São dois fatores que afetam diretamente o frio em Curitiba: altitude e latitude. Curitiba está localizada ao sul do Trópico de Capricórnio, o que faz com que receba menor incidência de radiação solar durante boa parte do ano.

Além disso, a cidade está entre 900 e 1000 metros acima do nível do mar, sendo a segunda capital mais alta do Brasil, atrás apenas de Brasília. Segundo o especialista, a latitude é o principal fator para que Curitiba seja mais fria do que outras capitais brasileiras.

“Nossa posição faz com que durante boa parte do ano as temperaturas fiquem, literalmente, mais baixas em relação a outras regiões brasileiras”

explica o doutor.

O que é o Equinócio de Outono?

Do final de março até meados de setembro acontece o Equinócio de Outono no Hemisfério Sul, quando a Terra recebe menos radiação solar. Esse fenômeno faz com que os dias sejam mais curtos e as temperaturas mais baixas.

Durante o equinócio, por exemplo, há menor incidência de luz solar no hemisfério sul, o que contribui para a queda nas temperaturas.

“A latitude influencia bastante na incidência de radiação solar e, consequentemente, aquecimento e também na entrada de ar frio. Se os polos aquecem menos ainda nessa época do ano, quando entra uma frente fria, ela vem mais fria ainda”

afirma.

Curitiba tem clima subtropical úmido

O inverno em Curitiba é marcado por tempo seco. Entre maio e agosto, praticamente não chove na capital paranaense. Já no verão, o cenário muda completamente. Dezembro, janeiro e fevereiro são os meses mais chuvosos, com pancadas típicas da estação.

“No inverno e outono, quase todas as chuvas tem origem frontal, ou seja, de frente fria. Os meteorologistas têm mais facilidade de prever o tempo no inverno do que no verão. É mais fácil de saber quando vão chegar e a distribuição”

explica o professor Pedro.

Em relação à temperatura média anual em Curitiba, o doutor explica que gira entre 17°C e 18°C, mas esse número pode variar dependendo da metodologia utilizada para calcular esse valor.

Isso porque a média é calculada a partir de medições diárias, mensais e anuais, o que pode esconder grandes variações ao longo do dia. Em Curitiba é comum, por exemplo, registrar 15°C durante a madrugada e até 30°C à tarde.

‘Bota casaco, tira casaco’: por que o tempo muda tanto em Curitiba

Segundo o professor Pedro, Curitiba está em uma região de transição climática, próxima ao limite entre o clima tropical e o subtropical. Essa localização da capital facilita a entrada constante de diferentes massas de ar.

Quando uma frente fria avança, ela nada mais é do que uma massa de ar frio substituindo uma massa de ar quente — o que provoca mudanças rápidas no tempo. Por isso, é comum que os curitibanos se identifiquem com o ditado “Curitiba não nos poupa, ontem tomei sorvete e hoje tomo sopa“.

A geografia também influencia diretamente o clima da cidade. Curitiba está localizada no primeiro planalto paranaense, com altitudes elevadas e cercada por formações de montanhas como a Serra do Mar e a Serra de São Luiz do Purunã.

“Isso faz com que influencie o tempo. Afinal de contas, a Serra do Mar ajuda a barrar um pouco a umidade oceânica, mas ao mesmo tempo, há problema de serração. Curitiba está cercada por duas serras, dois pontos mais elevados”

afirma.

Sensação térmica é calculada com base no vento e umidade do ar

A sensação térmica em Curitiba depende principalmente de dois fatores: o vento e a umidade relativa do ar. Segundo o professor Pedro, o vento intensifica o frio ao retirar o calor do corpo, enquanto a umidade pode aumentar a sensação de calor quando está elevada.

“Aquele vento passando sobre a nossa pele vai roubar calor e, consequentemente, nosso corpo vai ter que esquentar novamente para poder repor. Vento traz a sensação de mais frio do que a temperatura ambiente”

exemplifica o doutor em climatologia.

Já no verão, a alta umidade dificulta a evaporação do suor, aumentando a sensação de calor. “Quando está calor e o tempo está úmido, nosso suor tende a evaporar. Justamente esse processo causa refresco. Se o suor não evapora, dá sensação de mais calor ainda“.

Afinal, o clima de Curitiba está mudando?

Apesar de manter o padrão climático, Curitiba apresenta sinais claros de mudança ao longo dos anos, influenciado principalmente pelas transformações urbanas, como aumento do número de veículos e asfaltos nas ruas.

As temperaturas mínimas estão mais altas do que no passado. Nas décadas de 1970 e 1980, eram comuns registros de até -5°C, algo que não ocorre há bastante tempo. Além disso, há menos ocorrência de geadas também.

“Se analisar o padrão climático, as temperaturas mínimas estão mais elevadas e estamos em transição para um clima mais quente”

explica.

Segundo o professor, o padrão climático em Curitiba continua acontecendo, mas estudos indicam que a cidade está em transição para um clima mais quente, e a Defesa Civil já considera ondas de calor como um risco real — algo que não era comum no passado.

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