O primeiro dia do julgamento de Erik Wermelinger Busetti, delegado acusado de matar a esposa, Maritza Guimarães de Souza, e a enteada Ana Carolina de Souza Holz, que tinha 16 anos quando foi morta, aconteceu nesta segunda-feira (1º) no Tribunal do Júri de Curitiba. A expectativa é que o processo dure três dias. Ao todo, são cinco homens e duas mulheres que compõem o Conselho de Sentença.

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A escrivã da Polícia Civil Maritza Guimarães de Souza e a filha Ana Carolina de Souza – Foto: Reprodução

A primeira testemunha ouvida foi uma escrivã da Polícia Civil. O depoimento começou por volta das 11h50. Por sua vez, a última testemunha começou a falar por volta das 19h, após um breve intervalo. Foi neste instante que ambas as partes saíram do tribunal e conversaram com a imprensa.

Para Aline Vasconcelos, advogada de defesa, o dia foi produtivo. Ela entende o porquê do processo ser taxado como cansativo, mas ressalta a necessidade da compreensão de que “quatro anos não são resolvidos em quatro perguntas”.

Bom, a gente não fala de ganhadores ou de perdedores, porque estamos no Tribunal do Júri. Quando chegamos aqui, todo mundo já perdeu. E aqui, a gente está aqui para demonstrar que ele não é um monstro. De tudo que se passou hoje, foi nítido que essa imagem tem que ser retirada dele. Então, sim, a defesa segue muito tranquila e muito feliz de conseguir demonstrar de uma vez por todas, de que ele não é um violentador, de que ele não é um agressor doméstico, que ele sim é uma pessoa boa, que ele sim é uma pessoa pacífica e todos os depoimentos até agora coadunam com a visão da defesa.

Aline Vasconcelos, advogada de defesa.

Louise Matar Assad, que compõe a assistência de acusação, concordou, em certa medida, com a colega. Ela destacou o momento em que as imagens do feminicídio foram reproduzidas no tribunal.

Eu nunca vi um feminicídio de fato gravado integralmente, as horas de discussão com o feminicídio gravado. Sobre o choro do Eric, eu não consegui ver essa cena, mas os trabalhos estão andando normalmente. Ele está sentado e está bem. Em momento algum, a defesa fez parar devido a alguma questão, os trabalhos estão indo bem.

Louise Matar Assad, assistência de acusação.

De acordo com denúncia do Ministério Público do Paraná (MP/PR), Busetti cometeu o feminicídio por não aceitar “os termos do fim da relação” com Maritza.

O órgão sustenta o motivo torpe, bem como o recurso que dificultou a defesa da vítima, “eis que, a fim de atrair a atenção e o retorno da genitora da ofendida, dirigiu-se ao quarto da adolescente e passou a agredi-la fisicamente, mitigando a sua resistência, revelada pela vantagem física do denunciado em desfavor da menor, sendo esta alvejada com vários disparos de arma de fogo enquanto tentava cessar a ação agressiva do próprio padrasto”.

O crime aconteceu na noite de 4 de março de 2020, em um sobrado localizado no bairro Atuba, em Curitiba.

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Caso Maritza: defesa e assistência de acusação avaliam 1º dia de julgamento em Curitiba

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