Você já deve ter ouvido por aí que o transporte coletivo de Curitiba é um modelo inovador, que foi popularizado por aqui e copiado em várias regiões do mundo, não? O famoso BRT (Bus Rapid Transit) completou 50 anos em novembro e ainda é um dos transportes mais modernos.
Nos corredores, que transportam 65% dos passageiros do transporte coletivo de Curitiba, os ônibus têm conquistado mais velocidade, com os Ligeirões, que têm menos paradas, e começam a fazer a transição energética, com a substituição do modelo movido a diesel para o elétrico.

No primeiro trimestre de 2025 entra em teste o primeiro biarticulado elétrico nos corredores do BRT.
“É uma alegria celebrar meio século desta inovação que ganhou o mundo e que fez de Curitiba referência em transporte coletivo. O BRT criou não apenas um eixo de passagem para os ônibus, ele promoveu o desenvolvimento econômico ao seu redor. Foi um instrumento de planejamento urbano”
diz o prefeito Rafael Greca.

Histórico do BRT
Inaugurado pelo então prefeito Jaime Lerner (1937-2021), em 22 de setembro de 1974, no eixo Norte/Sul, o sistema começou com 20 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus de grande capacidade, batizados de canaletas.
Ao reduzir o tráfego, as emissões e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, o BRT tornou-se um símbolo global do poder do planejamento urbano inovador e do potencial transformador do transporte público.
De lá para cá, o BRT já representa 84 quilômetros dentro do sistema de ônibus da capital paranaense e se consolidou como exemplo bem-sucedido de transporte de massa entre as alternativas adotadas mundo afora.
“O sistema BRT traz um exemplo de mobilidade urbana. Porque você faz com que a cidade cresça de uma forma organizada, de uma forma sustentável. O transporte coletivo através desse sistema faz com que tenha um deslocamento mais rápido, o ônibus esteja cada vez mais seguro, com poucas paradas, planejado e organizado. Quando tem esse programa das canaletas, você passa a ter um crescimento da cidade por bairros. Essa foi a grande ideia de Jaime Lerner, que lançou esse projeto do BRT e a partir dessa canaleta, através dos terminais, passou-se a desenhar outras rotas para que pudesse alimentar daquele terminal, por exemplo, o transporte para outros bairros”
comenta Luiz Alberto Lenz César, presidente-executivo da CWBUS.

Referência
Curitiba foi pioneira em implantar um sistema de transporte nos moldes do que é conhecido atualmente um sistema de BRT, ou seja, um ônibus biarticulado, trafegando em canaleta exclusiva, com embarque em nível e cobrança antecipada de tarifa. Trata-se de um sistema flexível, que pode ser implantado rapidamente, com custo baixo e que pode criar diferentes articulações.
Desde a implantação em Curitiba, o sistema BRT já foi adotado, segundo dados do BRTData, por mais de 190 cidades em todos os continentes, que juntas transportam 31,6 milhões de passageiros/dia em 5.842 quilômetros de canaletas exclusivas.

O que está por vir
Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, o BRT vem ganhando velocidade, com os Ligeirões, que têm menos paradas e ultrapassam os ônibus paradores nas canaletas.
No início do ano, entrou em operação o Ligeirão Norte/Sul, que atravessa a cidade em um dos principais eixos de transporte da capital. São 19 quilômetros (38 km ida e volta) entre os terminais Santa Cândida e Pinheirinho.
Com menos pontos, o Ligeirão reduziu em 15 minutos o tempo de deslocamento no trajeto com um ganho de velocidade de 23% em relação às linhas paradoras. Nos dias úteis, são cerca de 35 mil passageiros. A linha tem ônibus a cada 3,5 minutos nos horários de pico e uma frota de 29 veículos.

O BRT Leste/Oeste, cujas obras estão em andamento, também vai trazer economia de tempo e está programado para ter frota elétrica. “A ideia é eletrificar a frota também das canaletas, dentro do compromisso de Curitiba de reduzir emissões”, diz Maia Neto.
“Nós estamos agora no fechamento ou na entrega de mais uma programação elaborada pela URBS que é a entrega final da linha verde para que possa ter um acesso mais rápido, por mais longe que seja, mas que se tenha acesso de forma rápida e segura para que as pessoas possam se programar. A gente tem em Curitiba um transporte coletivo inteligente. Essa foi a diferenciação que Jaime Lerner deixou como um grande legado”
concluiu Luiz Alberto Lenz César.
