O comandante da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu), capitão Goulart, disse em entrevista à Banda B, nesta segunda-feira (8), que a casa noturna Dunkel foi fechada durante a madrugada do último domingo (7), por estar sem alvarás necessários para seu funcionamento. Centenas de clientes da balada localizada no bairro Batel, em Curitiba, tiveram que sair do estabelecimento no início da madrugada. Pelo menos 300 pessoas teriam sido “expulsas” da casa noturna, segundo frequentadores.

Apesar da direção da casa noturna afirmar, por meio de nota, ter ficado ‘estarrecida’ com a ação de fiscalização e que ‘sequer foi multada’, o comandante da Aifu disse que o estabelecimento funcionava sem alvarás e que tudo foi feito dentro da legislação.
“Encontramos várias infrações administrativas. A casa não tinha alvará da Secretaria do Meio Ambiente para funcionar com música ao vivo ou mecânica. Para isso é preciso ter um isolamento acústico para não impactar moradores da região. Além disso, não havia também o alvará do Corpo de Bombeiros, que ali no local, verificou problemas nas saídas de emergência e na central de alarmes. A casa não apresentou o licenciamento dos bombeiros, que é fornecido quando ocorre a vistoria pelos militares. São situações de riscos para os frequentadores e por isso foi feito o fechamento, como determina a lei”, afirmou o capitão.
O comandante da Aifu completou ainda dizendo que não houve truculência durante o fechamento. “Agimos dentro da lei, de forma respeitosa e técnica. Muitas pessoas ficam descontentes quando temos que fazer um fechamento porque querem continuar na festa, mesmo correndo riscos. Ressaltamos que tudo foi feito dentro da lei”.
Protestos
Nas redes sociais, muitos frequentadores protestaram pela interrupção da balada. O jovem Patrick, de 24 anos, afirma ter sido um dos clientes que, de uma hora para outra, se viu sob chuva devido à ação coordenada pela Polícia Militar (PM). De acordo com ele, que disse ter chegado na balada Dunkel por volta das 23h, a polícia entrou no local às 1h deste domingo (7) e mandou desligar o som.
“Às 1h, vimos uma grande movimentação de policiais dentro da casa, mas achamos que fosse uma inspeção de rotina ou algo do gênero. Eles ficaram lá dentro em torno de uns 15 minutos e o som continuou. Mas, do nada, os DJs pararam com a música e ficamos uns 20 minutos dentro da balada, sem som, não entendendo nada”, iniciou o cliente.
Após determinado tempo de espera, diz ele, a organização da casa noturna teria pedido que os clientes se dirigissem ao “fumódromo”, cômodo da balada destinado aos fumantes. Vinte minutos se passaram e, então, uma socorrista teria pedido aos jovens que esvaziassem o local pois a balada seria fechada.
“Nossos amigos haviam acabado de chegar e não fazia nem meia hora que eles estavam lá dentro. Eles pagaram R$ 80 para entrar. Não tivemos nenhuma orientação sobre o que fazer e, depois, ficamos na chuva”, afirmou Patrick, que disse ter sido impedido, em um primeiro momento, de retirar seus pertences do guarda-volumes.
Eles destacou que se sentiu “constrangido” e “lesado” diante do que ele chamou de “excesso” e “abuso de autoridade” por parte da Aifu, embora não soubesse o que de fato estava acontecendo.
“A casa não foi autuada! Não entendo o que aconteceu. Não tiveram o mínimo de empatia com as mais de 300 pessoas que foram expulsas e ficaram na chuva. Foi uma ação abusiva da Aifu. Por que fecharam a casa se não houve multa então?”, questionou, em tom de protesto.
Ação de rotina
O capitão Goulart disse à Banda B que ações como a que ocorreu na Dunkel são rotineiras. No mesmo dia, entre às 19h30 de sábado e às 3h de domingo, exemplificou, nove estabelecimentos foram fiscalizados em Curitiba e região metropolitana, sendo que destes, quatro foram fechados, incluindo a casa Dunkel.
” Todos os dias realizamos operações de fiscalização. Nesta noite de sábado para domingo, atuamos nos bairros Batel, Prado Velho, Xaxim e Boqueirão. Foram nove estabelecimentos com 14 autuações administrativas, sendo quatro locais fechados. Ao todo, identificamos 1150 pessoas nestes locais. Agimos dentro da lei para proteger as pessoas”, completou.
Sobre a alegação do estabelecimento no Batel de que já haveria reuniões agendadas para tratar das fiscalizações da Aifu, o comandante afirmou: “Não fomos procurados por nenhum estabelecimento e estamos à disposição”.
O que diz a balada
A Dunkel, balada que foi fiscalizada pela Aifu, mantém em suas redes sociais a nota divulgada na na manhã deste domingo (7) em que que afirma que não entendeu o acontecido já que “sequer foi multada”. O espaço na Banda B segue aberto.
Leia a nota da Dunkel na íntegra:
“Estamos tão estarrecidos quanto vocês, tentando compreender o que aconteceu e porque. Queremos destacar que a casa sequer foi multada e ainda não compreendemos o que aconteceu e porque de tanta truculência.
Coincidentemente ou não segunda tínhamos já agendado uma reunião com as autoridades competentes para tratar sobre os abusos da aifu para as baladas e bares lgbtqia+, tal como ocorreu no James dias atrás e hoje, infelizmente, na Dunkel.
Aqueles que como nós se sentiram lesados e desejarem receber o reembolso ou crédito no sistema, podem entrar em contato via e-mail: dunkelcwb@gmail.com. Informando nome completo e CPF.
Mais uma vez lamentamos e pedimos sinceras desculpas a vocês, nossos clientes são as razões de continuarmos oferecendo nossos serviços.
SOMOS DUNKEL. VOLTAREMOS MAIS FORTES.”