A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) defendeu, nesta quarta-feira (30), a presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Maria Alice Erthal, pela declaração vazada para que a Guarda Municipal (GM) fosse usada para provocar “um pouquinho de medo” em pessoas que vivem em situação de rua. Em nota, a entidade citou o risco da criação de “cracolândias” na cidade e afirmou que a GM e a Polícia Militar têm garantido “paz” aos empresários do setor.

O polêmico áudio de Maria Alice Erthal ganhou repercussão após ser publicado pelo jornal Plural. Nele, a presidente da FAS sugere que a Guarda passe nas ruas André de Barros e Marechal Deodoro para que os moradores em situação de rua fiquem com medo: “tá muito feio aquilo ali”.
Para a Abrabar, diversas atividades econômicas estão tendo direitos cerceados de trabalhar normalmente. “Muitos não conseguem abrir seus negócios, porque são intimidados por pessoas que ficam em frente aos seus estabelecimentos, atrapalhando a abertura do local”, diz o presidente da entidade, Fábio Aguayo.
Na semana passa, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para que estados e municípios façam sejam proibidos de fazer a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua às zeladorias urbanas e aos abrigos.
Para Aguayo, a decisão pode transformar grandes centros em ‘cracolândias’.
“Queremos a paz social e responsabilidade de todos, mesmo das pessoas que estão em vulnerabilidade social. Todos têm direitos, mas precisam respeitar o direito dos outros”, concluiu.
Greca também defende
Em entrevista coletiva, o prefeito Rafael Greca também defendeu Maria Alice. Segundo ele, o que ocorreu foi um “lapso de comunicação”. “Um ruído de comunicação diante da trajetória de bem que esta mulher fez a Curitiba”, afirmou.
Na Câmara
Maria Alice Erthal será convidada a ir até a Câmara Municipal de Curitiba para falar sobre o atendimento à população em situação de rua. A data ainda será definida.