Hospitais de referência em Curitiba enfrentam superlotação neste domingo (17), cenário que provocou filas de ambulâncias e longas esperas por atendimento. No Hospital do Trabalhador, no bairro Novo Mundo, ao menos seis ambulâncias permaneciam paradas no início da tarde, algumas delas há mais de uma hora aguardando liberação para entrada de pacientes.

Equipes do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) relataram dificuldades para encaminhar vítimas em estado grave.
De acordo com o sargento Schluga, do Siate, a equipe tentou encaminhar inicialmente a vítima em estado grave ao Hospital Universitário Cajuru, no bairro Cristo Rei. No entanto, devido à lotação da unidade e ao agravamento do quadro clínico do paciente, os socorristas foram orientados a realizar a transferência para o Hospital do Trabalhador.
“Estamos agora no Hospital do Trabalhador e já tivemos que sair do Hospital Cajuru, onde também estava lotado. A equipe de saúde fez o possível para receber a vítima, mas como ela se agravou no caminho, fomos orientados a transferi-la. A regulação mandou um médico acompanhar a ocorrência até aqui, mas até agora ninguém da equipe médica veio conversar com o nosso médico”
disse o sargento em entrevista à Banda B.
Hospitais lotados e filas de ambulâncias preocupam equipes de resgate
O socorrista ainda destacou a preocupação com a demora no atendimento diante da gravidade do quadro clínico da vítima.
“Essa agilidade no hospital é muito valiosa para a vítima. Ela necessita disso, uma agilidade das equipes médicas. Mesmo com prioridade, com vítima grave, ainda estamos aguardando. Não tem pra onde ir”
completou Schluga.
Outras ambulâncias também aguardavam atendimento nos hospitais. Um motorista, que preferiu não se identificar, afirmou que a situação tem sido frequente.
“Hoje estamos há cerca de uma hora esperando, mas já ficamos quatro horas no Hospital do Trabalhador. A equipe de enfermagem passou o quadro do paciente, mas até agora não tivemos retorno. Como existem outras prioridades ou casos mais urgentes, a gente acaba ficando no aguardo”
relatou.
O que diz o Hospital Universitário Cajuru
Em nota enviada à Banda B, o Hospital Universitário Cajuru informou que o Pronto Socorro e os leitos de UTI operam acima da capacidade máxima neste domingo. Além disso, esclareceu que os atendimentos seguem critérios médicos de gravidade e prioridade clínica.
“Entendemos que o cenário atual representa uma grande tensão para os profissionais em campo e, sobretudo, para os pacientes e seus familiares. Nos últimos dias, houve aumento na demanda por atendimentos de emergência, o que impacta de forma geral os fluxos assistenciais e a disponibilidade de leitos hospitalares e de UTI. A Central de Leitos e as equipes de regulação do SAMU e do SIATE estão cientes da situação e recebem atualizações constantes sobre a capacidade de atendimento., disse o hospital.
O que diz o Hospital do Trabalhador
O Hospital do Trabalhador, através da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), informou que “segue normalmente, sem qualquer restrição”, e que todos os pacientes continuam sendo “acolhidos e assistidos conforme a classificação de risco, garantindo prioridade aos casos mais graves”.
Leia a nota na íntegra:
“A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) informa que o atendimento no Hospital do Trabalhador segue normalmente, sem qualquer restrição. Todos os pacientes continuam sendo acolhidos e assistidos conforme a classificação de risco, garantindo prioridade aos casos mais graves.
A Sesa esclarece que unidades de pronto atendimento, especialmente aquelas especializadas em trauma, podem apresentar variações no tempo de espera em determinados períodos, em função do aumento pontual na demanda. Esse é um comportamento esperado dentro da dinâmica dos serviços de urgência e emergência.
Para garantir a continuidade e a qualidade da assistência, a rede estadual atua de forma integrada, com monitoramento constante da ocupação hospitalar, regulação de leitos e encaminhamento adequado de pacientes entre as unidades. A Sesa reforça que não há desassistência hospitalar e orienta a população a buscar os serviços de saúde de acordo com a gravidade de cada caso, contribuindo para a agilidade no atendimento de situações de maior urgência.”
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