Os alunos envolvidos no ataque racista contra um adolescente de 17 anos em um colégio particular de Curitiba foram afastados por cinco dias, mas já retornaram às aulas. Apenas um dos envolvidos, que foi identificado posteriormente, ainda estaria afastado das atividades escolares. O caso foi revelado no final de abril e mostra, por exemplo, que o símbolo nazista chegou a ser desenhado no caderno da vítima pelos colegas.

A mãe da vítima questionou a decisão de permitir a volta dos alunos ao colégio.

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Foto: Reprodução

“Eles voltaram a frequentar o ambiente escolar. Quando questionei a direção, recebi a mensagem de que esses menores estão protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Eu gostaria de saber qual estatuto protege o meu filho? Nós temos provas concretas do que aconteceu, com os prints das conversas”, afirmou a mulher.

O advogado da vítima, Igor José Ogar, também criticou o retorno do envolvidos ao ambiente escolar.

“Ao que tudo indica, não haviam previsões no regimento interno da instituição de ensino que desse conta da punição imediata pra todos os tipos de atos infracionais análogos a crimes cometidos por seus alunos, o que deve ser questionado e apurado. Parece que quem tem que se ausentar das aulas é a vítima, que agora precisa estar na companhia de pessoas que a agrediram moral e psicologicamente”, defendeu Ogar.

Colégio

Em nota, o Colégio Positivo afirma que adotou as medidas cabíveis dentro de sua esfera de competência e que os “limites do regimento interno e aqueles definidos pelos artigos 17 e 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente” foram respeitados. Leia a nota na íntegra:

“A escola adotou as medidas cabíveis dentro de sua esfera de competência, incluindo o afastamento dos alunos envolvidos desde o dia 29 de abril de 2024. Foram respeitados os limites do regimento interno e aqueles definidos pelos artigos 17 e 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que garantem a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral dos menores. Os fatos passíveis de enquadramento como atos infracionais estão sendo apurados pelas autoridades policiais, responsáveis pela investigação e aplicação das penas eventualmente cabíveis. Reforçamos que ações contra bullying e racismo seguem sendo prioridades em nossa instituição.”

Gota d’água

Segundo a família da vítima, o estudante entrou na instituição no início do ano e já vinha sendo alvo dos colegas. As mensagens daquele dia, porém, foram a gota d’água para que algo fosse feito.

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Foto: Reprodução

Em uma das mensagens, os colegas citam a escravidão, fazendo uma analogia com a própria condição econômica:

“Lugar de preto é na senzala e não perto do senhor do engenho”.

Em outra, eles ameaçam:

“Amanhã leva porrada na cara”.

Por fim, a suástica nazista ainda foi desenhada no caderno do estudante. Cerca de seis estudantes estariam envolvidos no caso.

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Alunos envolvidos em ataque racista contra colega em Curitiba retornam às aulas; família da vítima questiona

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