Alunos do Colégio Estadual Cívico-Militar João Turin, em Curitiba, foram filmados marchando e entoando versos que fazem apologia explícita à violência – sob supervisão de um adulto. As imagens viralizaram no último final de semana e estão sendo apuradas pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).
Na gravação, dezenas de alunos marcham em uma quadra esportiva da instituição enquanto são acompanhados por um funcionário da escola. A data da filmagem não foi divulgada e também está sob apuração da secretaria. A música cantada faz referência ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar (PM).

“Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assustam o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão! O Bope tem guerreiros que matam fogueteiros. Com a faca entre os dentes, esfola eles inteiros. Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil!”, cantam os adolescentes.
Em nota, a APP-Sindicato, que representa os funcionários de escolas estaduais, classificou as imagens como “chocantes” e disse que elas “confirmam as denúncias de doutrinação e violação dos direitos dos (as) adolescentes pelo programa Colégios Cívico-Militares”. Segundo a entidade, o homem que aparece monitorando os jovens é um militar aposentado.
“É chocante ver que a escola pública esteja sendo usada para promover uma doutrinação ideológica extremista, que prega o ódio, a violência, o massacre e o extermínio de comunidades periféricas. Isso é muito grave e reforça a nossa luta contra a militarização da educação e a urgência do Poder Judiciário determinar o fim desse programa ilegal e inconstitucional”, afirmou a presidente da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná disse ter convocado os diretores da escola onde os alunos foram filmados “entoando gritos que não condizem com a grade curricular e exigirá explicações sobre a rotina”. A pasta também defendeu o modelo de educação.
“Os colégios cívico-militares têm se destacado em grandes projetos educacionais, como o Ganhando o Mundo e o Maratona Tech, torneio nacional de tecnologia no ensino que teve o Estado como grande campeão. Manifestações nessa linha não condizem com o compromisso do Paraná baseado em educação cidadã e transformadora”, informou o órgão, também por meio de nota.
De acordo com a Seed, o Paraná tem 312 colégios cívico-militares, onde estão matriculados mais de 190 mil alunos. O número chegará a 345 instituições após o recebimento de mais 33 nos próximos meses.
O caso envolvendo os alunos do Colégio Estadual Cívico-Militar João Turin foi levado ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Paraná pela deputada estadual Ana Júlia (PT-PR). A parlamentar pediu, entre outros, que o MP apure e identifique os envolvidos e investigue eventual responsabilidade criminal e civil.
O PT, PSOL e PCdoB ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte derrube a Lei 20.338/2020, que instituiu o Programa Colégios Cívico-Militares do Paraná.