Mesmo sob um temporal intenso que tomou conta do litoral paranaense, o show de Os Paralamas do Sucesso no palco do Verão Maior Paraná, em Matinhos, neste sábado (31), se transformou em um dos momentos mais emblemáticos da edição deste ano do evento. A apresentação reuniu uma multidão, estimada em 153 mil pessoas, que se recusou a ir embora, mesmo quando a chuva apertou e obrigou a banda a interromper temporariamente o espetáculo. Veja o vídeo abaixo.

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Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Antes de subir ao palco, João Barone, o baterista dos Paralamas, falou um pouco sobre a alegria de tocar na mesma noite que o Inner Circle, que abriu a noite, destacando a importância do reggae para a formação da cozinha sonora do trio.

Para o músico, ao ser questionado sobre como funciona a energia dos músicos ao subirem ao palco, mesmo após mais de 40 anos de carreira, ele foi enfático:

“Olha, eu acho que a gente tem uma excitação que acompanha a gente desde o início, assim, né? Quando a gente sobe no palco é um momento de grande êxtase, de grande prazer. E quando a gente se depara com uma plateia gigantesca dessa aí, então isso aí fica potencializado, né? O Herbert costuma falar que não existe remédio similar ao que a música promove pra ele, pra gente, e muito provavelmente pro público também, né?”

comentou João Barone.

O show começou com uma chuva leve, embalada pelos dois primeiros sucessos da carreira do grupo, “Vital e Sua Moto” e “Cinema Mudo”, faixas que integram o primeiro álbum do trio, já ditando o rumo do espetáculo, recheado de alegria e emoção.

Depois de cerca de 30 minutos de show, a chuva se intensificou e não teve como: Hebert anunciou no palco que a apresentação seria pausada. Longe de encerrar a noite, o grupo apenas aguardou a melhora das condições climáticas e voltou ao palco para concluir o show, arrancando aplausos ainda mais calorosos do público.

A cena resumiu bem a relação construída pelos Paralamas ao longo de quatro décadas: uma conexão direta e cheia de afetividade com fãs de todas as idades. Liderados por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, os músicos mostraram que experiência e entrega seguem sendo marcas centrais da banda.

O repertório percorreu diferentes fases da carreira, com clássicos que atravessam gerações e seguem atuais. Canções que fazem parte da memória coletiva do rock brasileiro ganharam ainda mais força naquele contexto, embaladas pelo clima de celebração do festival e pela persistência do público. 

Primeira vez em grande estilo

A emoção sentida por todo o público, que resistiu à chuva, foi ainda mais evidente no casal Elcio Rodrigues e Luciana de Castro Flores. Aos 52 e 50 anos, os dois fãs viveram uma noite de “primeiras vezes”: a experiência de ver os Paralamas do Sucesso ao vivo e a surpresa do encontro no camarim.

Para eles, estar diante da banda foi mais do que assistir a um show gratuito: foi a realização de um sonho inesperado. Vindos de Paranaguá e chegando ao local do espetáculo com horas de antecedência, eles não escondiam o impacto do momento, descrito como algo transformador. Entre agradecimentos e muita empolgação, relataram surpresa e gratidão pela oportunidade.

E a surpresa não parou por aí. Além de ser o primeiro show dos Paralamas de ambos, e de graça, eles ainda entraram no camarim e tiveram a oportunidade de conhecer toda a banda:

“Gostar de uma banda, ter um ídolo, e estar aqui hoje no show de graça, também? A gente mudou, até o modo de pensar nessa hora, a gente que muda, porque não ia imaginar que ia vir alguém e escolher a gente, entrar e conhecer eles nunca.  muita emoção. Foi muita emoção mesmo. Valeu mesmo”

comentou o casal.

Veja o vídeo:

Catarse coletiva

O show passeou, de modo não-linear, pelos grandes sucessos do grupo, e mesmo com a chuva, que tentou atrapalhar o evento, não baixou o ânimo. Após uma pausa de, aproximadamente, 30 minutos, Herbert, Bi e Barone retornaram com a mesma energia, criando um clima de catarse coletiva. 

E essa última etapa da apresentação não poupou hits. De “ A Novidade” e “Lanterna dos Afogados”, passando por “Alagados” e “Meu Erro”, tudo culminou em uma sequência de grandes canções. Os últimos acordes soaram como um prêmio à resistência de quem ficou e à disposição da banda em concluir a apresentação, apesar das adversidades.

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Foto: Divulgação/Governo do Paraná.