O terceiro dia do Verão Maior Paraná, neste domingo (11), foi marcado por emoção, nostalgia e uma sequência de shows que transformou a orla de Matinhos em um dos maiores palcos de pagode já vistos no litoral do Estado. Em apresentações consecutivas, a banda Jeito Moleque e o cantor Belo arrastaram multidões para a arena montada à beira-mar. Juntos, os dois nomes do pagode mostraram a força que o gênero tem no resgate da música nacional. Veja as entrevistas abaixo.

O Jeito Moleque abriu a programação às 17h e reuniu 138 mil pessoas. Na sequência, por volta das 19h, Belo subiu ao palco e ampliou o público, que chegou a aproximadamente 152 mil pessoas.

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Foto: Governo do Paraná/Divulgação.

Jeito Moleque: história, memória e público renovado

Logo no início da tarde, a banda Jeito Moleque encontrou uma arena lotada e um público disposto a cantar cada verso. A apresentação foi construída como uma viagem pela trajetória do grupo, resgatando músicas que marcaram diferentes fases da carreira e da vida de muitos fãs.

Para o vocalista Gui Albuquerque, tocar em um evento gratuito, com estrutura grandiosa e acesso democrático, tem um significado especial.

“Primeiro agradecer pelo convite, né? A gente tá muito feliz, porque é uma grade de respeito que montaram aqui no Verão Maior. Então obrigado por colocar o Jeito Moleque nesse bolo de gente bacana, de música boa. Feliz, expectativas lá em cima”

afirmou o cantor, visivelmente emocionado com a recepção do público.

A proposta do show, segundo Gui, é justamente dialogar com a memória afetiva de quem acompanha a banda desde o início, sem deixar de conquistar novos fãs.

“A gente fala sobre isso da primeira música à última. A gente faz uma linha cronológica passando na história do Jeito Moleque, relembrando a adolescência de muita gente, que assistiu e que vai assistir o show. Então a gente tem essa responsabilidade. A gente tenta ali, da melhor forma, passar por toda a história da banda, porque sabe que cada música carrega uma lembrança para alguém que está ali na frente”

comentou.

Outro ponto que chamou atenção foi a presença de jovens cantando músicas lançadas anos antes de eles terem idade para frequentar shows. Para o vocalista, essa conexão entre gerações é um dos maiores orgulhos do grupo.

“Eu acho que isso é uma renovação de público. É maravilhoso, né? Não é toda banda que consegue isso. Com 27 anos de carreira, renovar o público. No ano que passou agora, nós fizemos formatura de 8ª série, nós fizemos festa de 15 anos. Então assim, é uma renovação de público. Essa molecada da nova geração não viu o primeiro DVD, mas está conhecendo as músicas do Jeito Moleque e está se identificando”

disse Gui Albuquerque.

Gui ressaltou que ver jovens cantando os sucessos antigos é uma das maiores recompensas da trajetória da banda. Inclusive, a música A Amizade é Tudo voltou com força às paradas de sucesso e viralizou.

“A galera está se identificando, cantando A Amizade é Tudo, cantando as músicas antigas. Então é uma renovação de público e a gente está feliz pra caramba”

concluiu o cantor.

Veja a entrevista e vídeos do show:

Na plateia, a emoção se materializava em histórias como a da manicure e pedicure Suelen Neves, moradora de São José dos Pinhais, que realizou um sonho ao ver a banda ao vivo pela primeira vez.

“Sou muito fã dos caras. Eu adoro pagode, desde os 11 anos eu gosto e é a primeira vez que vejo um show deles. Estou bem emocionada”

contou a manicure Suelen.

Para Suelen, a experiência foi ainda mais intensa por estar tão próxima dos ídolos. O motivo de tamanha felicidade? Ela foi escolhida para entrar no camarim da banda e conseguiu tirar uma foto com os artistas.

“É uma sensação muito boa, você tirar com ídolos. Estou, assim, sem palavras, porque é uma sensação muito boa. Primeiro show, já pro camarim. Nossa, pra mim, o Jeito Moleque representa tudo. Adoro as músicas deles, pagode pra mim é tudo”

comentou a jovem.

Belo: carinho antigo e emoção renovada

Quando Belo subiu ao palco, pouco depois das 19h, a arena ficou ainda mais cheia. O cantor foi recebido com aplausos e cantorias desde os primeiros acordes.

Em sua fala ao público, ele destacou a emoção de participar pela primeira vez do Verão Maior Paraná e a grandiosidade da festa em Matinhos.

“Muito feliz em poder participar de uma festa tão grandiosa, essa festa aqui do Paraná, em Matinhos. É minha primeira oportunidade, que seja a primeira de muitas”

disse Belo, à equipe do Verão Maior Paraná.

O cantor também relembrou sua longa relação com o público paranaense, construída desde os tempos do Soweto, ainda nos anos 1990.

“Quero agradecer a todo o povo paranaense. Sempre me receberam com tanto carinho desde a época do Soweto. Eu venho muito ao Paraná desde 1994, 1995. Então eu sou muito feliz, sempre fui muito feliz aqui, obrigado por todo o carinho, todo o amor”

concluiu o cantor.

No palco, Belo conduziu o público por um repertório que funcionou como um mergulho coletivo na memória afetiva. Cada música era recebida como um convite ao passado, despertando lembranças de romances, encontros e fases marcantes da vida.

A energia entregue pelo cantor se refletia na resposta imediata da plateia, que cantava em coro, com braços erguidos, transformando a apresentação em um grande encontro de vozes e emoções à beira-mar.

Sorrisos, lágrimas discretas e abraços se espalhavam pela areia de Matinhos, enquanto sucessos conhecidos ganhavam nova força em meio à multidão. A cada refrão, o cantor reforçava a conexão construída ao longo de décadas com o público paranaense.

O resgate das músicas que marcaram sua trajetória, tanto em carreira solo quanto nos tempos de Soweto, criou uma atmosfera de comunhão rara em eventos de grande porte. A energia entregue por Belo se traduziu em um momento coletivo de nostalgia e afeto.

Veja a entrevista e vídeos do show:

Programação Verão Maior Paraná

O primeiro fim de semana de shows do Verão Maior foi marcado pelo recorde de público do Alok, que abriu o festival na sexta-feira (9), reunindo 338 mil pessoas em Matinhos. O sábado (11) foi marcado pelo sertanejo de Zé Neto e Cristiano e o eletrofunk de Jiraya Uai, para 167 mil pessoas.

Ainda na sexta-feira, em Pontal do Paraná, a animação ficou por conta do sertanejo Luan Pereira e o eletronejo CountryBeat. Sábado (10) foi noite de pagode no Centro de Eventos Marisol, com os grupos Atitude 67 e Kamisa 10 lotando o local.

Maior festival gratuito do Brasil, o Verão Maior Paraná retorna na próxima quinta-feira (15), com Roupa Nova. Ao todo serão 39 shows gratuitos nos palcos montados em Matinhos e Pontal do Paraná por mais quatro fins de semana, até o dia 8 de fevereiro.

Passam ainda pelas arenas do Verão Maior grandes nomes da música nacional e internacional, como Gusttavo Lima, Ana Castela, Inner Circle, Gipsy Kings by Andre Reyes, Paralamas do Sucesso, Roupa Nova, Zezé di Camargo & Luciano, Raça Negra, Dilsinho, entre outros.