A economia colaborativa ganha cada vez mais adeptos: aplicativos de carona, coworkings e até closets compartilhados. Mas que tal um bistrô? Esta foi a ideia dos jovens Isabela Feltrin, Bruno Batalha, Juliano Fogaça e Joy Endo Tran, que se conheceram no curso de Design de Produtos da UFPR, em 2010.

Eles se uniram pelo amor pela comida, pela vontade de empreender e de usar a formação em design de uma forma diferente. Desde 2016, eles vem desenhando um projeto que hoje é o Lina. Bistrô + Loja + Prosa, com abertura prevista para esse primeiro semestre.

bistro lina curitiba Foto: Reprodução/Facebook

“O tema de alimentação foi escolhido de forma fácil e natural, pois cada um de nós se relaciona com esse assunto de uma forma diferente mas muito intensa. Começamos sem pretensão, estudando a esfera social, econômica, de saúde, tudo que a alimentação permeia, e a partir disso fomos encontrando problemas e oportunidades, até chegarmos ao Lina”, explica Joy.

O sobrado que fica na Rua Alferes Ângelo Sampaio, 2675 será um espaço colaborativo reunindo três frentes: bistrô, loja e prosa.

Não é necessário ser um chef para cozinhar no Lina, o local será aberto para quem já trabalha com comida e também para cozinheiros amadores que querem experimentar cozinhar profissionalmente.

“Muita gente tem a vontade e o dom de cozinhar mas não tem oportunidade de trabalhar com isso, seja por questões econômicas ou burocráticas. Acho também que pra muita gente falta coragem, por pensar que é algo exclusivo para chef e pessoas formadas. O que a gente quer é democratizar essa ideia de servir comida e de experimentar coisas diferentes”, conta Joy.

O modelo do negócio é uma grande novidade, sem aluguel ou taxas. Enquanto o Lina fica responsável pela divulgação, por atender os clientes e ceder o local, que inclui uma cozinha profissional totalmente equipada; os cozinheiros ficarão responsáveis por criar o menu, levar os ingredientes a serem utilizados e cozinhar. O dinheiro da venda dos pratos será dividido igualmente: 50% para o Lina e 50% para o cozinheiro. O bistrô funcionará de quinta a domingo e cada cozinheiro terá dois dias no bistrô, de modo que quinta e sexta será servido um cardápio e sábado e domingo será servido outro. O período serve para ajudar na adaptação na cozinha, principalmente para aqueles que ainda não tem muita experiência. Além disso, possibilita um feedback de um dia para o outro.

Lucas Kzau, que trabalha como cozinheiro há um ano, acredita que um espaço como o Lina é necessário, principalmente para facilitar a entrada na área da culinária.

“Eu já soube de alguns projetos de cozinhas abertas mas não é algo muito popularizado. Além disso, sempre existe uma dificuldade grande para quem está indo cozinhar que é a estrutura de atendimento e também a parte de investimento, geralmente os aluguéis e taxas são caros, às vezes são espaços grandes ou não são focados para quem está no começo”, conta Lucas.

Para ele, que cozinha em eventos e na casa das pessoas, o Lina é uma oportunidade de cozinhar em restaurante e divulgar seu trabalho. Ele explica a diferença de trabalhar em uma cozinha residencial e profissional, não só pela estrutura, mas também pela organização do espaço. Ter um espaço fixo também acaba sendo um atrativo para o público, é mais confortável para os cozinheiros e possibilita um feedback maior.

“No bistrô você tem um público que você desconhece, é diferente de cozinhar para uma pessoa em específico. Em eventos, geralmente o público não está ali essencialmente pela comida, por isso é mais díficil você vender uma história. Você faz pratos, mas é difícil fazer culinária. No evento você leva o máximo de coisas prontas possíveis, em um restaurante você consegue desenvolver todo o processo”, explica Lucas.

Abrir o espaço para todos que querem cozinhar, apesar de já serem profissionais da área ou não, é uma das grandes diferenças do Lina. A ideia é simplificar a cozinha. “A comida não tem que ser complicada, e o que aprendemos durante nossos estudos para este projeto é que a comida é capaz de fazer mudanças ainda maiores do que nós imaginávamos”, conta Joy.

Loja e prosa

cozinha compartilhada curitibaFoto: Reprodução/Facebook

Os quatro idealizadores tem uma relação de muito carinho com a comida. E foi pensando nesse clima de casa, da refeição como um momento de troca, de conversa e de união, que eles planejaram seu negócio.

Essa filosofia começa já no nome. “Surgiu numa reunião em que estava tocando a música Mistério do Planeta, dos Novos Baianos”, conta Juliano, “O trecho ‘pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto’ inspirou o nome. Da junção das palavras lei e natural surgiu o Lina”.

Por isso, o Lina não é apenas um bistrô. A segunda frente do projeto é a loja, onde produtores locais poderão vender seus produtos, não só relacionados à comida. Para estes profissionais, a dificuldade acaba sendo similiar à dos cozinheiros: para divulgar seus produtos em um espaço físico, precisam pagar porcentagens que podem chegar até 70%. O modelo que o Lina propõe e que será testado para a loja é de taxas fixas de acordo com o preço dos produtos, não uma porcentagem em cima do que é vendido.

“O que percebemos com pessoas que conversamos é que o produtor artesanal muitas vezes tem um produto de pouca tiragem, vende por um preço menor e ao ter que pagar uma taxa,  fica sem retorno. Nossa tentativa é deixar mais interessante para os vendedores”, explicou Juliano.

Essa conversa com produtores, cozinheiros e outros profissionais da área foi e é algo constante no projeto. Para Bruno, é importante estar em movimento, “um movimento que faz sentido para a gente e para as pessoas que estão envolvidas com o Lina”.

E é daí que veio a prosa. O espaço também receberá workshops, debates e palestras, promovendo a troca de experiências e conhecimentos.

As três frentes: bistrô, prosa e loja estarão unidas também no espaço, que será todo integrado. De tarde, a ideia é servir um cafézinho, gostoso e simples, com um salgado e um bolo, para quem queira conhecer o local e ver os produtos da loja.

O conceito do Lina, acima de tudo, é compartilhar, formar uma rede de contatos e abrir o diálogo entre quem vai cozinhar, vender e consumir. Para o público, há a possibilidade de experimentar novos pratos e conhecer novos cozinheiros por um preço acessível. Para quem cozinha, há a aproximação com o público e a chance de trabalhar em um bistrô. Para os produtores locais, é um local para divulgar, vender seus produtos e empreender.

Saiba mais pelo: www.facebook.com/vemprolina