Não é novidade para ninguém, mas, é inegável: o período musical, em Curitiba, na década de 1990, projetou o cenário da cidade em todo o Brasil e exterior. Esse tal do rock and roll, foi o responsável por transformar a capital leminskiana, na Seattle brasileira – como foi reconhecida.

No auge da década de 1990, a banda Pogoboll ganhou o Festival Skol Rock, na Pedreira Paulo Leminski. A demo (foto) foi responsável por projetar a banda no circuito do rock em todo o país. (Imagem: Reprodução)

Foram nos mais de 300 porões de rock espalhados pela cidade onde a cena desbundou. Durante a transição do Cruzeiro para o Real, foi o princípio do auge no circuito da música. Inúmeras bandas, diversas demos em K7 circulando pelas rádios, produtores e agitadores culturais trabalhando juntos, grandes festivais, abertura de show para figurões internacionais, contrato com a MTV e por aí vai!

Saiba tudo sobre o primeiro LP do movimento musical em Curitiba

Com a produção musical efusiva, muitas demos foram gravadas durante a década de 1990. Se entrar no estúdio há 30 anos era caro e dependia de uma boa estrutura técnica, a parceria entre produtores e bandas, fizeram do rock 90 curitibano, a primazia daquele período.

O Música é o Canal listou alguns K7s, entre os anos de 1992 e 1998, com bandas memoráveis e suas primeiras demos originais. O trabalho de recuperação das músicas foi idealizada pelo músico catarinense, Edson Luís de Souza, no projeto Demo-Tapes Brasil. Confira a lista!

Necrotério – Putrid Glory (1998)

Formada inicialmente por Gustavo Grando (vocal), Evandro Maidl (baixo e vocais de apoio), Emerson B. Lima (bateria), Marcos Lima (guitarra) e Mauro Ramos (guitarra), a Necrotério é uma das principais bandas de metal do país.

Com Putrid Glory de 1998 e a produção em parceria com Lauro Rimoli, foi a última demo lançada pela banda, e uma das principais obras da Necrotério. A gravação foi realizada no Estúdio Audio Digital.

Além de Putrid Glory, a trajetória da Necrotério conta com três k7s, três álbuns, um DVD e turnês pela America do sul e Europa. 

Com quase 30 anos de carreira, do estopim da banda, a formação original conta com Marcos e Emerson, e hoje em dia, integram também, Mano Mutilated (vocal) e Johnny Benson (baixo). 

Ovos Presley – Sede de Sangue (1994)

“Incomodando” desde 1993, a banda de punk’n’billy, Ovos Presley é referência no cenário do psychobilly brasileiro. A formação da banda foi em 1983 e o primeiro K7 no ano seguinte.  Com os integrantes, Ademir (vocal), Bufunfa (baixo), Matheus (bateria) e Wallace (guitarra) a banda lançou a demo Sede de Sangue (1994) com seis músicas.

Na eloquência de sua trajetória, são 30 anos de histórias consolidadas em três demos, dois álbuns – sendo uma coletânea – e o mais recente, o EP com a banda de hardcore old school, Psychors. Com produção de Miguel Laginestra – do selo de punk rock e hardcore, Cholo Records – o EP Split 7′ foi gravado em 2013 e lançado apenas dois anos depois.

No Milk Today – 4 Years 4 That (1998)

Formada hoje em dia por Rodrigo Minduim (vocal e guitarra), Neto (guitarra e backing vocals) , Mauricião (vocal e baixo) Mauricio Cabelo (bateria), A banda No Milk Today celebrou recentemente, 25 anos de carreira com o lançamento do livro As Crianças Nunca Vão Parar de Cantar – A história do No Milk Today. Do cenário urderground da década de 1990, hoje em dia, o punk da banda incorporou o streetpunk e hardcore europeu na sua essência.

Na discografia,  Devolvam Meu Vinil (Tratore/2002), Tormento (Tratore/2007) e Coturno Bastardo (Tratore/2015) estão disponíveis nas plataformas de streaming. Porém, de 1998, o K7 4 Years 4 That da No Milk Today, é primeiro registro disponível da banda, com 12 faixas e quase 30 minutos de duração.

A banda foi formada originalmente por Trajano (vocal), Mauricio (baixo), Gustavo (bateria) e Rodrigo (guitarra), a demo de 4 Years 4 that foi produzida entre Mauricio Gaudêncio e a No Milk Today.

Boi Mamão – Shokoburs Mamão (1992)

Formado por, Glerm (vocal), Bruno Balainha (baixo),  Renê Bernunça (bateria) e  Nillo Mariola (guitarra), a banda Boi Mamão surgiu no cenário em 1992. No ano seguinte, lançaram o primeiro projeto – em fita K7 – a demo de Shokoburs Mamão. No mesmo ano, gravado em 16 canais – no extinto Estúdio Solo – e com produção em parceria com Victor França, a banda divulgou o projeto em LP.

A Boi Mamão transitava entre o ska, metal e math rock. Além de Shokoburs Mamão (1993), a banda lançou entre demos, LPs e álbuns, os projetos, Boi Mamão (1993)Live at The Shooshoolipalooza (1994), Freaks (1995), Demo do Demo (1997), Ska com Pauleira (1997), Compre, Grave ou Roube (2001).

Banda PX 200 – Capacidade (1998)

Do cover para o autoral, assim começou a trajetória da PX-200. Inicialmente conhecida por Parkas Verdes e formada, até então por, Emannuel Monn (baixo e bateria), João Rosa (guitarra), Sandro Silveira e Guilherme Nascimento (guitarra). O repertório da banda apresentava clássicos do R&B e rock britânico da década de 1960.

Entre idas e vindas, artistas como Fábio Elias, Glauco Caruso e Gilberto Harr foram alguns dos músicos que passaram pela banda até 1997 assumirem o nome PX-200 e lançarem o k7 de Capacidade (1998).

Gravado no estúdio SW, com produção de Alex Lourenço e participação especial de Angela Lorenzzoni (teclado), a primeiro demo teve a formação de  Glauco Mendes (vocal), João Rosa (baixo, vocais e percussão), Gilberto Haas (bateria e percussão) e Guilherme Nascimento (guitarra).

Pogoboll – Marretada na cabeça (1996)

Na levada do funk, ska e rock, a banda Pogobol, foi muito além com a sua proposta sonora ao longo da curta e promissora trajetória. Formada por Guilherme Gaertner (trombone), Ivo Bol (sax), Nando (bateria), (guitarra e vocal) e Vitório (baixo), a Música Pogoar Brasileira – como intitulavam – proporcionou, logo no início de carreira, a conquista na etapa paranaense do extinto Festival Skol Rocknos tempos áureos da Pedreira Paulo Leminski.

Com mais de 20 mil pessoas no Festival, Lombrera, foi uma das três músicas apresentadas pela Pogobol. A composição foi lançada em fita k7, na demo, Marretada na Cabeça (1996), gravada no Estúdio Solo. A produção da banda em parceria com Sérgio Sofiatt conta também, com as participações especiais de Luizinho (trombone), Glerm (backing vocals) e (backing vocal em “Marretada na cabeça”).

Pinheads – The Last Goodbye – Ao Vivo (1996)

Gravado em três horas, com instrumentos emprestados e pouca grana. Assim, foi a realização da primeira demo da Pinheads. Com Paulo (baixo e vocal), Dudu (bateria) e Julio (guitarra), a banda trazia o punk na essência e o espírito hardcore em suas letras.

A Pinheads surgiu no final da década de 1980. Mas, somente em 1992, entraram em estúdio e gravaram as 15 músicas do projeto homônimo que, inclui ainda, as regravações de Bloodstains (Agent Orange) e Havana Affair (Ramones). Com a demo, a banda foi convidada para tocar no primeiro Festival de Bandas Independentes de Garagem, na época, realizado no Hangar.

Toda a história da Pinheads está disponível no blog, Pinheads: History Lesson 1989-1996 realizada pelo baterista da banda em parceria com os integrantes.