Na contramão dos megashows com estruturas grandiosas, bailarinos sincronizados e painéis de LED estonteantes, a cantora Priscilla optou pelo essencial: a voz, a música e a proximidade. Foi com essa proposta que ela estreou, nesta sexta-feira (13), em Curitiba, a miniturnê Tudo é Música — projeto que celebra seus 20 anos de carreira em clima intimista. E não por acaso: Curitiba, que ela chama carinhosamente de “segunda casa”, foi o ponto de partida dessa jornada especial. Veja a entrevista abaixo.

A escolha para a estreia foi o Teatro Regina Vogue, para um público de mais de 300 pessoas. Mas Priscilla explicou à Banda B que Curitiba tem um peso especial em sua vida, a começar pelo coração.
“Meu marido é daqui, ele nasceu, viveu aqui a vida inteira, então meus sogros são daqui. Minha afilhada é daqui, eu tenho muitos amigos queridos aqui. Antes mesmo de conhecer o André, eu já frequentava bastante Curitiba por ter vinculo com muitas pessoas daqui. Então tenho muitos motivos para chamar de minha segunda casa, principalmente pelas pessoas”
contou Priscilla em entrevista exclusiva à Banda B.
A escolha da cidade para a estreia não foi planejada, mas acabou se encaixando perfeitamente.
“Foi uma coincidência, você acredita? E tudo perfeitamente, porque foi num lugar de pessoas que eu amo, então além dos meus fãs eu tenho pessoas muito queridas aqui. Minha afilhada é o primeiro show que ela vai assistir meu, porque deu sold out, então a gente está começando a competir direito”
comentou a cantora.
Voz em primeiro plano
Com apenas 28 anos de idade, Priscilla carrega duas décadas de trajetória na música — um marco que emociona e surpreende até a própria artista.
“Às vezes assusta. É que nem eu percebi quando cheguei aqui, aos 20 anos de carreira. Aí assusta quando eu penso que eu tenho 28. E dos 28, 20 foram trabalhando. Isso assusta. Aí você acha que já está na hora de aposentar. Mentira, eu acho que eu tenho mais 20 anos pela frente de novidade.”
Para marcar esse momento, ela fez uma escolha ousada: abandonar os artifícios e voltar ao básico. Pequenos teatros, poucos elementos cênicos e foco total na interpretação.
“Muito desse conceito, primeiro, era a proximidade dos fãs, da gente criar uma relação muito mais íntima e também dar o protagonismo para o que realmente me fez chegar até aqui, que é a minha voz.”
Ela reconhece a importância dos recursos tecnológicos, mas nesta fase quis se reconectar com a essência.
“Acabei de sair de uma turnê com esse tipo de show, com telão de LED, banda, balé, figurinos muito brilhantes, tudo isso é muito legal. Mas foi a minha voz que me trouxe até aqui. Então, eu queria comemorar os 20 anos de carreira com a única coisa que importa, que é cantar, ser cantora.”
Veja a entrevista com Priscilla:
Mutável, mas fiel a si mesma
Com uma trajetória marcada por transformações — do gospel ao pop — Priscilla reforça que cada mudança em sua carreira foi, acima de tudo, um reencontro consigo mesma.
“Todas essas versões, essas mutações, elas são parte de mim, não é uma coisa que eu invento, é uma coisa que eu acho, encontro dentro de mim, e quero externalizar. Então, eu acho que não se perder, para mim, é uma coisa meio natural, porque todas essas versões foram coisas que eu achei, foram versões que eu encontrei e tive vontade de mostrar para as pessoas”
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Essa autenticidade também se reflete na forma como enxerga o mercado e seu papel enquanto artista.
“Claramente não [me prendo ao mercado], porque eu estou, como você disse, o tempo todo me reinventando e não sigo nenhuma fórmula, nenhum padrão, nenhuma trend que está acontecendo. Justamente porque a minha fidelidade é comigo mesma.”
Mais do que uma voz potente, Priscilla tem se posicionado como uma figura de representatividade. Seja nas letras, nos discursos ou nas redes, ela faz questão de abordar temas como saúde mental, amadurecimento e vulnerabilidade.
“Eu acho [o meu papel] que é ser uma voz realmente para as pessoas que se inspiram em mim e na minha história. A minha história é bem conhecida, eu sempre faço questão de contar detalhes, até de momentos pessoais com relação às emoções, saúde mental é um assunto que eu sempre falei muito e que meus fãs se relacionam muito com minha trajetória nesse assunto, né? Então, acho que o papel é manter essa voz ativa para outras pessoas que às vezes não conseguem ter essa voz ativa por si mesmas ou são silenciadas por algum motivo”.
O que vem por aí
Embora ainda guarde segredo sobre os próximos passos, Priscilla deixou escapar que um novo álbum está a caminho — e promete entregar exatamente o que os fãs sempre quiseram ouvir.
“Eu não sei o que o mercado espera de mim. Mas eu sei o que os meus fãs esperam de mim. E eu tenho criado um projeto, um álbum, que eu tenho certeza que as pessoas vão ter essa sensação. Tipo, ‘ah, era isso que a gente sempre quis ouvir dela’. E eu precisei chegar nesse lugar de maturidade, porque eu sempre quis lançar um trabalho como esse. Mas eu acho que tinha que ser no tempo certo, tinha que ser na versão da Priscilla certa. E com certeza eu cheguei nesse momento, mas eu não falo mais nada sobre isso, porque não me permitem”
Para quem esteve presente na estreia em Curitiba, uma certeza ficou: não é preciso pirotecnia quando se tem verdade. E voz, Priscilla tem de sobra.

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